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Classe, mecanismo de ação e farmacodinâmica
A asenapina é um AP de segunda geração com ação antagonista de receptores de dopamina, serotonina e norepinefrina (ARDSN). Bloqueia o receptor dopaminérgico D2, reduzindo sintomas positivos de psicose e estabilizando sintomas afetivos. Bloqueia o receptor serotonérgico 5-HT2A, causando aumento da liberação da dopamina em certas regiões do cérebro e, assim, reduzindo os efeitos colaterais motores, bem como possivelmente melhorando os sintomas cognitivos e afetivos. Além desses, a asenapina apresenta ação antagonista e alta afinidade aos receptores serotonérgicos 5-HT1A, 5-HT1B, 5-HT2B, 5-HT2C, 5-HT5, 5-HT6, 5-HT7; dopaminérgicos D1, D3 e D4; noradrenérgicos α1 e α2 e histaminérgico H1. As propriedades antagonistas em 5-HT2C, 5-HT7 e α2 podem contribuir para as ações antidepressivas.
Farmacocinética
A asenapina é o único AP disponível para comercialização que é absorvido primariamente na mucosa oral, com picos de concentração plasmática entre 0,5 e 1,5 hora. Embora desenvolvido para administração sublingual, o medicamento é bem absorvido em toda a cavidade oral; todavia, caso o comprimido seja engolido, a biodisponibilidade é reduzida a menos de 2%, em razão do alto metabolismo de primeira passagem. Apresenta biodisponibilidade absoluta, via sublingual, de 35%. Liga-se fortemente (95%) às proteínas plasmáticas, incluindo a albumina e a α1-glicoproteína ácida, e é extensivamente metabolizada pelo fígado. As principais vias metabólicas são a glicuronidação direta, a oxidação e a desmetilação, mediadas pelo citocromo P450 (principalmente a CYP1A2, com contribuições da 2D6 e 3A4). A asenapina é um fraco inibidor da CYP2D6 e não causou indução das atividades da CYP1A2 ou CYP3A4 em culturas de hepatócitos humanos. A meia-vida da asenapina é de 13 a 39 horas. O estado de equilíbrio é alcançado, em geral, em 3 dias. Aproximadamente 50% do medicamento é excretado por via renal, e 40%, por via fecal.1
Dois ECRs demonstraram a eficácia da asenapina no tratamento agudo da esquizofrenia, um com 458 e outro com 182 pacientes randomizados.2,3 Em ambos, a asenapina foi superior ao placebo no que se refere ao desfecho primário, que era a mudança na pontuação da PANSS em relação ao início do tratamento. Como tratamento de manutenção da esquizofrenia, a eficácia da asenapina foi constatada em um ensaio clínico duplo-cego e controlado por placebo com 26 semanas de duração.4 Recentemente, o sistema transdérmico de asenapina foi o primeiro adesivo antipsicótico aprovado pela FDA para o tratamento de adultos com esquizofrenia.5 Em uma análise post-hoc do estudo de fase 3 do adesivo, foi também demonstrada eficácia no combate aos sintomas de hostilidade nos pacientes com esquizofrenia.6
Na versão mais recente da diretriz da International Society for Bipolar Disorders, a asenapina (em monoterapia ou em combinação com lítio ou AVP) foi classificada como uma estratégia de tratamento de primeira linha para episódios maníacos. Para episódios depressivos, a asenapina em combinação com lítio ou AVP foi classificada como estratégia de terceira linha. Para tratamento de manutenção, ela foi classificada como um medicamento de primeira linha em monoterapia.7
No diretriz da International Society for Bipolar Disorders sobre episódios de humor com apresentações mistas, levando em consideração a definição de episódios mistos do DSM-IV, a asenapina foi classificada como uma intervenção de primeira linha. Já levando em consideração a definição de características mistas do DSM-5-TR, a asenapina foi classificada como uma estratégia de segunda linha. É importante ressaltar que nenhum medicamento teve evidência suficiente para ser classificado como de primeira linha quando os critérios do DSM-5-TR eram utilizados para estratificação na diretriz, uma vez que poucos estudos ainda estão disponíveis com essa nova definição de apresentações mistas.8
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Citrome L. Asenapine for schizophrenia and bipolar disorder: a review of the efficacy and safety profile for this newly approved sublingually absorbed second-generation antipsychotic. Int J Clin Pract. 2009;63(12):1762-84. PMID [19840150]
- Kane JM, Cohen M, Zhao J, Alphs L, Panagides J. Efficacy and safety of asenapine in a placebo- and haloperidol-controlled trial in patients with acute exacerbation of schizophrenia. J Clin Psychopharmacol. 2010;30(2):106-15. PMID [20520283]
- Potkin SG, Cohen M, Panagides J. Efficacy and tolerability of asenapine in acute schizophrenia: a placebo- and risperidone-controlled trial. J Clin Psychiatry. 2007;68(10):1492-500. PMID [17960962]
- Kane JM, Mackle M, Snow-Adami L, Zhao J, Szegedi A, Panagides J. A randomized placebo-controlled trial of asenapine for the prevention of relapse of schizophrenia after long-term treatment. J Clin Psychiatry. 2011;72(3):349-55. PMID [21367356]
- Suzuki K, Castelli M, Komaroff M, Starling B, Terahara T, Citrome L. Pharmacokinetic profile of the asenapine transdermal system (HP-3070). J Clin Psychopharmacol. 2021;41(3):286-94. PMID: [33734167]
- Citrome L, Komaroff M, Starling B, Byreddy S, Terahara T, Hasebe M. Efficacy of HP-3070, an asenapine transdermal system, on symptoms of hostility in adults with schizophrenia: a post hoc analysis of a 6-week phase 3 study. J Clin Psychiatry. 2022;83(4):21m14355. PMID [35687858]
- Yatham LN, Kennedy SH, Parikh SV, Schaffer A, Bond DJ, Frey BN, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) and International Society for Bipolar Disorders (ISBD) 2018 guidelines for the management of patients with bipolar disorder. Bipolar Disord. 2018;20(2):97-170. PMID [29536616]
- Yatham LN, Chakrabarty T, Bond DJ, Schaffer A, Beaulieu S, Parikh SV, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) and International Society for Bipolar Disorders (ISBD) recommendations for the management of patients with bipolar disorder with mixed presentations. Bipolar Disord. 2021;23(8):767-88. PMID [34599629]
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Ives Cavalcante Passos