Clomipramina | Populações especiais

Ver também

Insuficiência renal

  • Usar com cautela

Insuficiência hepática

  • Usar com cautela

Insuficiência cardíaca

  • É recomendado ECG basal
  • Foi relatado que ADTs causam arritmias, prolongamento do tempo de condução, hipotensão ortostática, taquicardia sinusal e insuficiência cardíaca, especialmente no coração doente
  • Infarto do miocárdio e AVC foram relatados com ADTs
  • Os ADTs produzem prolongamento de QTc, o que pode ser potencializado pela existência de bradicardia, hipocalemia, intervalo longo de QTc congênito ou adquirido, os quais devem ser avaliados antes da administração de clomipramina
  • Usar com cautela se tratar concomitantemente com uma medicação com probabilidade de produzir bradicardia prolongada, hipocalemia, lentificação da condução intracardíaca ou prolongamento do intervalo QTc
  • Evitar ADTs em pacientes com uma história conhecida de prolongamento de QTc, infarto agudo do miocárdio recente e insuficiência cardíaca descompensada
  • Os ADTs podem causar um aumento sustentado na frequência cardíaca em pacientes com doença cardíaca isquêmica e podem piorar (diminuir) a variabilidade da frequência cardíaca, um risco independente de mortalidade em populações cardíacas
  • Uma vez que os ISRSs podem melhorar (aumentar) a variabilidade da frequência cardíaca em pacientes depois de um infarto do miocárdio, bem como a sobrevida e o humor em pacientes com angina aguda ou depois de infarto do miocárdio, esses são agentes mais apropriados para a população cardíaca do que antidepressivos tricíclicos/tetracíclicos
  • A relação risco/benefício pode não justificar o uso de ADTs em insuficiência cardíaca

Idosos

  • É recomendado ECG basal para pacientes com mais de 50 anos
  • Podem ser mais sensíveis aos efeitos anticolinérgicos, cardiovasculares, hipotensores e sedativos
  • A dose poderá precisar ser mais baixa do que a típica para adultos, pelo menos inicialmente
  • Redução no risco de suicidalidade com antidepressivos em comparação ao placebo em adultos acima dos 65 anos

Crianças e adolescentes

  • Ponderar cuidadosamente os riscos e benefícios do tratamento farmacológico em relação aos do não tratamento com antidepressivos e documentar isso no prontuário do paciente
  • Monitorar os pacientes pessoalmente com regularidade, em particular durante as primeiras semanas de tratamento
  • Usar com cautela, observando a ativação de transtorno bipolar conhecido ou desconhecido e/ou ideação suicida, e informar os pais ou responsáveis desse risco para que possam ajudar a observar a criança ou o adolescente
  • Não recomendada para uso em crianças com menos de 10 anos
  • Vários estudos mostram ausência de eficácia dos ADTs para depressão
  • Pode ser utilizada para tratar enurese ou comportamentos hiperativos/impulsivos
  • Efetiva para TOC em crianças
  • Alguns casos de morte súbita ocorreram em crianças que faziam uso de ADTs
  • A dose em crianças e adolescentes deve ser titulada até um máximo de 100 mg/dia ou 3 mg/kg por dia depois de 2 semanas, após as quais a dose pode ser titulada até um máximo de 200 mg/dia ou 3 mg/kg por dia

Gravidez

  • Válidas a partir de 30 de junho de 2015, a FDA norte-americana determina alterações no conteúdo e na forma das informações referentes a gravidez e lactação nos rótulos das substâncias de prescrição, incluindo a eliminação das categorias por letras para risco na gravidez; a Pregnancy and Lactation Labeling Rule (PLLR ou regra final) aplica-se somente a substâncias de prescrição e será introduzida gradualmente para substâncias aprovadas a partir de 30 de junho de 2001
  • Não foram conduzidos estudos controlados em gestantes
  • A clomipramina atravessa a placenta
  • Foram relatados efeitos adversos em bebês cujas mães tomaram um ADT (letargia, sintomas de retirada, malformações fetais)
  • Deve ser ponderado o risco do tratamento (desenvolvimento fetal no primeiro trimestre, parto do recém-nascido no terceiro trimestre) para a criança em relação ao do não tratamento (recorrência de depressão, piora de TOC, saúde materna, vínculo com o bebê) para a mãe e a criança
  • Para muitos pacientes, isso pode significar a continuidade do tratamento durante a gravidez

Amamentação

  • É encontrada alguma quantidade da substância no leite materno
  • Recomendado descontinuar a substância ou usar mamadeira
  • O período do pós-parto imediato é uma época de alto risco de depressão e piora de TOC, sobretudo em mulheres que previamente tiveram episódios depressivos ou sintomas de TOC, portanto poderá ser necessário reinstituir a substância no fim do terceiro trimestre ou logo após o parto para prevenir recorrência ou exacerbação durante o pós-parto
  • Devem ser ponderados os benefícios da amamentação em relação aos riscos e benefícios do tratamento antidepressivo versus os do não tratamento para o bebê e a mãe
  • Para muitos pacientes, isso pode significar a continuidade do tratamento durante a amamentação

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Autores

Stephen M. Stahl