Ver também Acatisia, Discinesia, Distonia e Parkinsonismo.
Sobre
A síndrome ou alguns dos sintomas que a caracterizam ocorrem em 50 a 75% dos pacientes que utilizam neurolépticos típicos, podendo manifestar-se de forma aguda ou tardia. Suas manifestações mais comuns na forma aguda são acatisia, distonia e parkinsonismo, e, na forma tardia, acatisia, distonia e discinesia.
A acatisia é uma sensação subjetiva e/ou objetiva de inquietude motora, que inclui sentimento de ansiedade, incapacidade para relaxar e dificuldade de permanecer imóvel. Há necessidade de alternar entre estar sentado ou em pé, neste último caso frequentemente alternando os pés.
Distonias e/ou discinesia agudas são contraturas musculares ou movimentos estereotipados de grupos musculares que surgem minutos ou horas depois do início do uso de um neuroléptico. Podem ser fatais, como no caso da distonia de laringe-faringe. São muito frequentes durante o uso de neurolépticos típicos potentes, como haloperidol.
O quadro de discinesia tardia inclui movimentos estereotipados de grupos musculares, periorais, da língua, da cabeça, do tronco ou dos membros, que surgem geralmente depois do uso crônico de altas doses de antipsicóticos.
No parkinsonismo, o paciente apresenta diminuição dos movimentos dos braços, da expressão e das mímicas faciais, marcha em bloco, com propulsão e retropulsão, rigidez, tremor de extremidades, tremor da língua, hipersalivação, bradicinesia (movimentos lentos), acinesia (ausência de determinados movimentos) e sinal da “roda denteada”. Normalmente, acompanham parkinsonismo mental – indiferença emocional, afeto embotado, anedonia –; parkinsonismo social – apatia, diminuição da energia, falta de iniciativa para atividades sociais –; e parkinsonismo cognitivo – pensamento lento e problemas de concentração.
Deve-se ao bloqueio das vias dopaminérgicas da substância negra e do núcleo caudado, causado pelos antipsicóticos. Todas as substâncias que tenham alguma ação que leve ao bloqueio ou à diminuição da dopamina na via nigroestriatal podem provocar efeitos colaterais extrapiramidais.
Manejo
- Usar antipsicóticos com bastante cuidado em crianças, idosos e pessoas debilitadas por doença física; dar preferência aos atípicos, quando possível.
- Deve-se observar com cuidado o uso associado de anticolinérgico e antipsicótico potente em pessoas idosas, devido ao risco de íleo paralítico, retenção urinária e agravamento de glaucoma.
- No caso de discinesia tardia e necessidade do uso de antipsicóticos, optar pela clozapina. Inibidores de VMAT2 como a valbenazina tratam o quadro.
- Acatisia: clonazepam (0,5 a 2 mg/dia) e propranolol (30 a 90 mg/dia) apresentam evidências de eficácia em acatisia. Anticolinérgicos em geral não apresentam boa resposta neste caso. Também é possível utilizar antagonistas de 5-HT2A (p. ex., mirtazapina 7,5 a 15 mg, 1 vez ao dia).
- Distonia aguda: apresentam boa resposta a anticolinérgicos. Uma boa opção é biperideno 5 mg, IM, com resposta em aproximadamente 20 minutos.
- Parkinsonismo induzido por drogas: pode ser abordado farmacologicamente com anticolinérgicos como biperideno, 2 a 6 mg, VO, por dia; 2 a 8 mg, IM ou IV; difenidramina, 50 mg, IM; triexifenidil, 5 a 15 mg/dia. A redução de dose do agente ofensor ou a troca por antipsicótico com perfil mais favorável são recomendadas. O uso crônico de anticolinérgicos pode ser fator de risco para desenvolvimento de discinesia tardia, complicação grave do uso de antipsicóticos e, por este motivo, deve ser evitado.
Referência
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Eduardo Trachtenberg
Deborah Grisolia Fuzina
Everton Silva
Giorgia Lionço Pellini
Giovanni Michele Rech
Pedro Lopes Ritter
Vinicius Martins Costa
Aristides Volpato Cordioli