Ver também Discinesia tardia.
Sobre
São movimentos repetitivos, estereotipados e involuntários de grupos musculares, mais frequentemente orolinguais, podendo ocorrer também com os membros ou o tronco. O mecanismo fisiopatológico é complexo e está associado ao antagonismo de receptores D2 e, em menor escala, D3 na via nigroestriatal. Esse mecanismo é modulado por receptores serotonérgicos 5-HT2A. Uma vez que a via está bloqueada, reduz-se a inibição de ACh, gerando os sintomas. O quadro pode ser de início agudo ou tardio. Deve ser feito o diagnóstico diferencial de distonias e coreia, que podem ser decorrentes de lesões estriatais nas doenças de Wilson, de Huntington e de Sydenham. Deve ser distinguida, ainda, de tiques e compulsões.
Pode ocorrer com o uso crônico de antipsicóticos típicos (5 a 10%) e com a risperidona em doses altas. É raro que ocorra com a olanzapina e muito raro com ISRSs e quetiapina. Uma discinesia orolingual pode ser um sinal de intoxicação de lítio.
Manejo
- Reduzir gradualmente a dose do medicamento que está sendo utilizado.
- Substituir por outro antidepressivo, se for o caso, e se os efeitos adversos do atual forem muito desconfortáveis. Em um relato de caso com fluoxetina, os sintomas desapareceram depois de 6 meses de interrupção do medicamento.
- Substituir por outro antipsicótico com menor probabilidade de causar esses sintomas, se não for possível descontinuar a medicação.
Referência
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Eduardo Trachtenberg
Deborah Grisolia Fuzina
Everton Silva
Giorgia Lionço Pellini
Giovanni Michele Rech
Pedro Lopes Ritter
Vinicius Martins Costa
Aristides Volpato Cordioli