Distonia

Distonia aguda

Definição

É uma contratura muscular aguda, em geral da musculatura do pescoço, da língua, da face e das costas. Pode durar minutos a horas, sendo altamente desconfortável para o paciente.

Manifesta-se também sob a forma de crises oculogíricas, opistótono, torcicolo, abertura forçada da boca, protrusão da língua, disartria, disfagia ou trismo com deslocamento da mandíbula.

Psicofármacos envolvidos

A distonia aguda é comum na primeira semana de tratamento em jovens do sexo masculino que estejam usando antipsicóticos típicos (APTs) (p. ex., haloperidol, droperidol, flufenazina) em altas doses e com história anterior de distonia aguda.

O uso crônico de cocaína também parece ser importante fator de risco, por reduzir a densidade de receptores D2 e por causar anormalidades no sistema dopaminérgico.

A distonia aguda ocorre menos com o uso dos APTs de baixa potência e com antipsicóticos atípicos (APAs), como a clozapina.

Pode desenvolver-se, ainda, durante o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs).

Muito raramente, pode ocorrer com o uso de antidepressivos tricíclicos (ADTs).

Manejo

  • Fazer o diagnóstico diferencial com outras condições neurológicas capazes de provocar distonias agudas, como tétano e meningite.
  • Reduzir a dose ou suspender temporariamente o antipsicótico (AP), dependendo da intensidade do quadro.
  • Usar fármacos antiparkinsonianos, como o biperideno, 2 mg, via oral (VO), 2 ou 3x/dia, ou 1 ampola intramuscular (IM) nas reações agudas, ou triexifenidil, 2 mg, VO, 2 ou 3x/dia, ou 1 ampola IM.
  • Pode-se também usar prometazina, 50 mg, VO, associada ao neuroléptico, como profilaxia desse efeito.
  • Em pacientes com história prévia de uso de cocaína que forem utilizar neurolépticos, sugere-se associar anticolinérgicos, pelo menos durante os 7 dias iniciais.

Distonia tardia

Têm sido relatadas distonias de aparecimento tardio envolvendo pescoço e tronco.

Os fatores de risco incluem sexo masculino, ser jovem e presença de discinesia tardia.

Psicofármacos envolvidos

É uma das síndromes extrapiramidais que podem ocorrer com o uso prolongado de APs. Manifesta-se em cerca de 3% dos pacientes em uso prolongado desses medicamentos.

O diagnóstico inclui presença de distonia crônica, manifestada por contraturas musculares, posturas anormais e movimentos repetitivos que ocorrem tardiamente durante o uso de APs, especialmente os típicos.

Diversos autores sugerem que a distonia tardia seja considerada distinta da discinesia tardia, devido a diferenças nas manifestações clínicas, ausência da predominância em mulheres (observada na discinesia tardia) e resposta diferente aos anticolinérgicos, que podem aliviar a distonia, mas pioram a discinesia.

Manejo

  • Avaliar a necessidade da continuidade do uso de AP. Se necessária, a troca para um APA, especialmente clozapina, pode ser útil.
  • No caso de distonia relativamente localizada, há relatos de que a aplicação de toxina botulínica possa ser efetiva.
  • Altas doses de anticolinérgicos melhoraram o quadro em alguns relatos de caso.

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: CORDIOLI, A. V.; GALLOIS, C. B.; ISOLAN, L. (Org.). Psicofármacos: consulta rápida. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.

Autores

Carolina Benedetto Gallois
Luciana Lopes Moreira
Lúcio Cardon
Mário Tregnago Barcellos
Pedro Lopes Ritter
Aristides Volpato Cordioli