Clozapina > Prescrição

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Apresentações comerciais

Clozapina (Cristália, Lafepe)

  • Caixas com 20, 30 ou 200* comprimidos de 25 mg.
  • Caixas com 20, 30, 90* ou 450* comprimidos de 100 mg.

Leponex (Mylan)

  • Caixas com 20 ou 200* comprimidos de 25 mg.
  • Caixas com 20, 30, 90* ou 450* comprimidos de 100 mg.

Okótico (Supera)

  • Caixas com 20, 30 ou 200* comprimidos de 25 mg.
  • Caixas com 20, 30, 90* ou 450* comprimidos de 100 mg.

Pinazan (Cristália)

  • Caixas com 20, 30 ou 200* comprimidos de 25 mg.
  • Caixas com 20, 30, 90* ou 450* comprimidos de 100 mg.

Xynaz (Zydus)

  • Caixas com 20, 30 ou 200* comprimidos de 25 mg.
  • Caixas com 20, 30, 90* ou 450* comprimidos de 100 mg.

*Embalagem hospitalar.

Modo de usar

A dose inicial é de 1/2 ou 1 comprimido de 25 mg no primeiro dia. Adicionar 25 mg/dia a cada 2 dias, em média, até atingir a dose terapêutica (de 200 a 500 mg, em média 300 mg/dia), fracionada em 2 a 3 administrações diárias, para minimizar a sedação e a hipotensão. Pode-se dividi-la desigualmente, administrando a maior parte à noite; doses inferiores a 400 mg/dia podem ser oferecidas em única tomada.

Tempo para início de ação

Embora muitas pessoas respondam bem à clozapina logo nas primeiras semanas, vários estudos indicam que, em alguns indivíduos, o controle máximo dos sintomas é obtido somente após 3 meses, no mínimo, e, às vezes, após 2 anos de tratamento (em 15 a 30% dos pacientes). Em geral, recomenda-se uma tentativa de pelo menos 6 a 9 meses de uso.

Variação usual da dose

Usa-se de 200 a 500 mg, em média 300 mg/dia para a maioria das indicações, sendo a dose máxima recomendada de 900 mg/dia.

Modo de suspender

Se for preciso cessar o tratamento, mas sem indicação de interrupção imediata da medicação (como no caso de miocardiopatia induzida por clozapina), a dose deve ser reduzida gradualmente, pois a retirada abrupta está associada a rebote colinérgico e reagudização precoce do quadro psicótico.

Indicações

Evidências CONSISTENTES de eficácia

  • Esquizofrenia refratária (após o uso de dois outros APs e em doses apropriadas por pelo menos 6 semanas).
  • Risco de suicídio persistente em pacientes com esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo.
  • Discinesia tardia.
  • TB: em quadros maníacos agudos graves, como monoterapia, ou como adjuvante aos estabilizadores do humor no tratamento de manutenção de casos refratários.
  • Agitação, em pacientes com quadros demenciais ou deficiência intelectual.
  • Comportamento agressivo, em pacientes com esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, transtorno da personalidade grave ou transtorno da conduta.

Contraindicações

  • Neutrófilos < 1.500/mm3 na população geral e/ou neutrófilos < 1.000/mm em pacientes com neutropenia étnica benigna.
  • Epilepsia não controlada.
  • Doenças mieloproliferativas ou uso de agentes mielossupressores.
  • História de agranulocitose (neutrófilos < 500/mm3) e miocardite associada ao uso de clozapina.
  • Depressão do SNC ou estados comatosos de qualquer natureza.
  • Íleo paralítico.
  • Intervalo QTc > 500 ms.
  • Doenças hepáticas ou cardíacas graves.
  • Hipersensibilidade ao medicamento.

Precauções e dicas

  1. Realizar controle hematológico periódico em razão do risco de leucopenia e agranulocitose (ver Laboratório).
  2. Em caso de quadros mais graves (neutrófilos < 500/mm3), recomenda-se interromper o uso e não fazer nova tentativa, exceto em casos nos quais os benefícios Superam os riscos. Pode-se usar carbonato de lítio 2 semanas antes da reintrodução da clozapina na tentativa de provocar leucocitose de modo a proteger de nova leucopenia.
  3. Qualquer sinal de infecção, como fraqueza, febre, cefaleia, dor de garganta e ulcerações na mucosa oral, deve ser notificado ao médico.
  4. A função hepática deve ser periodicamente monitorada, pois a clozapina pode causar hepatotoxicidade, em geral leve e transitória.
  5. A ocorrência de febre, taquicardia, dispneia, dor no peito, fadiga e alteração de ECG gera a suspeita de miocardite (complicação rara que em geral ocorre em 6 semanas do início do tratamento). O medicamento deve ser imediatamente suspenso, e o paciente, submetido a avaliação clínico-laboratorial. Se confirmado o diagnóstico, o medicamento não deve ser reintroduzido. Há relato de cardiotoxicidade subclínica em pelo menos 1/3 dos pacientes em uso crônico de clozapina.
  6. Alertar para o risco de convulsões, aconselhando os pacientes a não dirigirem com doses superiores a 600 mg.
  7. A clozapina deve ser usada com cuidado em pacientes com história de convulsões ou consumo de substâncias que diminuam o limiar convulsivo.
  8. Atentar para ganho de peso e risco de desenvolvimento de síndrome metabólica, especialmente em indivíduos predispostos.

Referência

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Rafael Rocha Luzini