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Classe, mecanismo de ação e farmacodinâmica
É um antidepressivo IRSN. Bloqueia de forma potente a bomba de recaptação de serotonina desde as doses mais baixas; bloqueia de forma moderada a bomba de recaptação de noradrenalina a partir de 150 mg/dia e, em doses mais elevadas, bloqueia de forma menos potente a recaptação de dopamina.1,2
Doses de 75 a 225 mg/dia podem ser predominantemente serotonérgicas em alguns pacientes e agir de forma dual sobre serotonina e norepinefrina em outros. Doses de 225 a 375 mg/dia agem sobre recaptação de serotonina e noradrenalina na maioria dos pacientes.3 Em doses muito altas (p. ex., > 375 mg/dia), a recaptação de dopamina também é bloqueada em alguns pacientes.3
A venlafaxina também dessensibiliza os receptores de serotonina 1A e os receptores β-adrenérgicos e, uma vez que a dopamina é inativada pela recaptação de norepinefrina no córtex frontal, a venlafaxina pode aumentar a neurotransmissão de dopamina nessa parte do cérebro. A venlafaxina possui um metabólito ativo, o O-desmetilvenlafaxina (ODV), que é formado como resultado de CYP2D6. Nem a venlafaxina, nem seu metabólito ativo ODV possuem afinidade pelos receptores muscarínicos, histaminérgicos ou α-adrenérgicos.1,3
Farmacocinética
A venlafaxina é rápida e extensivamente absorvida pelo trato gastrintestinal após administração oral. O pico plasmático da formulação imediata ocorre após 2 horas da ingestão, e da formulação de liberação prolongada após 5,5 horas, com pelo menos 92% do fármaco sendo absorvidos após uma dose oral única. A biodisponibilidade oral absoluta é de apenas 12% na sua formulação de liberação imediata e 42% na formulação de liberação prolongada, devido ao metabolismo de primeira passagem para o principal metabólito O-desmetilvenlafaxina, também conhecido como desvenlafaxina. A administração com alimentos não interfere na absorção. Atinge o equilíbrio plasmático em 3 dias e possui alto volume de distribuição plasmática, com cerca de 30% de ligação a proteínas do plasma.1,2
Sofre extenso metabolismo de primeira passagem no fígado através do citocromo P450 CYP2D6, sendo transformada no seu metabólito ativo O-desmetilvenlafaxina. Seu metabolismo pode estar reduzido em pacientes com cirrose ou alterações renais graves. A excreção ocorre especialmente via renal (87%) e pelas fezes (2%). A meia-vida da venlafaxina é de 5 horas, e a de seu metabólito ativo é de 11 horas, podendo estar prolongada em pacientes com alterações renais ou hepáticas.2,4 Apresenta farmacocinética linear.2
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Effexor XR® (venlafaxine hydrochloride) extended-release capsules [Bula de medicamento] [Internet]. Philadelphia: Wyeth Pharmaceuticals; 2017 [capturado em 2022 out. 5]. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2017/020699s107lbl.pdf.
- Magalhães P, Alves G, Llerena A, Falcão A. Venlafaxine pharmacokinetics focused on drug metabolism and potential biomarkers. Drug Metabol Drug Interact. 2014;29(3):129-41. PMID [24607919]
- Stahl SM. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2019.
- Effexor® (venlafaxine hydrochloride) tablets [Bula de medicamento] [Internet]. Wyeth Pharmaceuticals; 2008 [capturado em 2022 out. 5]. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2008/020151s051lbl.pdf.
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Alice C. M. Xavier