Agomelatina

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Valdoxan® (Servier)
  • Genérico: Agomelatina (EMS e Servier)

Apresentações:

  • Comprimido revestido de 25 mg – Embalagem com:
    • 07 cp rev: EMS; Servier
    • 10 cp rev: Servier
    • 14 cp rev: Valdoxan; EMS; Servier
    • 15 cp rev: EMS; Servier
    • 20 cp rev: EMS; Servier
    • 28 cp rev: Valdoxan; EMS; Servier
    • 30 cp rev: EMS; Servier
    • 56 cp rev: Valdoxan; EMS; Servier
    • 60 cp rev: EMS; Servier
    • 100* cp rev: Servier

*Embalagem hospitalar

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Nomenclatura baseada na neurociência: melatonina multimodal (Mel-MM)
  • Agonista dos receptores melatonérgicos 1 e melatonérgicos 2
  • Antagonista dos receptores 5HT2C

Comumente prescrita para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Depressão
  • Transtorno de ansiedade generalizada

Principais sintomas-alvo

  • Humor depressivo, anedonia
  • Funcionamento
  • Ansiedade na depressão

Como a substância atua

  • As ações sobre os receptores melatonérgicos e 5HT2C podem ser sinérgicas e aumentar a neurotransmissão de norepinefrina e dopamina no córtex pré-frontal; pode ressincronizar os ritmos circadianos que estão perturbados na depressão
  • Sem influência nos níveis extracelulares da serotonina

Tempo para início da ação

  • O funcionamento durante o dia, anedonia e sono podem melhorar a partir da primeira semana de tratamento
  • O início da ação terapêutica completa na depressão, em geral, não é imediato, frequentemente levando de 2 a 4 semanas
  • Pode continuar a agir por muitos anos, prevenindo recaída dos sintomas

Se funcionar

  • O objetivo do tratamento é a completa remissão dos sintomas atuais, bem como a prevenção de recaídas futuras
  • O tratamento mais frequentemente reduz ou até elimina os sintomas, mas não é uma cura, já que os sintomas podem recorrer depois da interrupção do medicamento
  • Continuar o tratamento até que todos os sintomas tenham desaparecido (remissão)
  • Depois do desaparecimento dos sintomas, continuar o tratamento por 1 ano para o primeiro episódio de depressão
  • Para o segundo episódio de depressão e posteriores, o tratamento poderá ser por tempo indefinido

Se não funcionar

  • Muitos pacientes têm apenas uma resposta parcial, em que alguns sintomas melhoram, mas outros persistem (em especial insônia, fadiga e problemas de concentração)
  • Outros pacientes podem ser não respondedores, algumas vezes chamados de resistentes ou refratários ao tratamento
  • Considerar o aumento da dose depois de 2 semanas após o início do tratamento se a resposta for insuficiente (a decisão sobre o aumento da dose deve ser contraposta a um risco mais alto de elevação de transaminases; qualquer aumento na dose deve ser feito com base no benefício/risco para um paciente específico e com rigoroso respeito ao monitoramento dos testes da função hepática)
  • Considerar troca por outro agente ou acréscimo de um agente de potencializção apropriado
  • Considerar psicoterapia
  • Considerar avaliação para outro diagnóstico ou para uma condição comórbida (p. ex., doença clínica, abuso de substância, etc.)
  • Alguns pacientes podem experimentar aparente falta de consistência na eficácia devido à ativação de um transtorno bipolar latente ou subjacente, e requerendo descontinuação do antidepressivo e troca por um estabilizador do humor

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • ISRSs (excluindo fluvoxamina), IRSNs, bupropiona, reboxetina, atomoxetina (usar combinações de antidepressivos com cautela, pois isso pode ativar um transtorno bipolar ou ideação suicida)
  • Modafinila, em especial para fadiga, sonolência e falta de concentração
  • Estabilizadores do humor ou antipsicóticos atípicos para depressão bipolar, depressão psicótica ou depressão resistente ao tratamento
  • Benzodiazepínicos

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • 25 a 50 mg/dia na hora de dormir

Como usar

  • Dose inicial de 25 mg/dia na hora de dormir; após 2 semanas, pode ser aumentado para 50 mg/dia na hora de dormir

Dicas para dosagem

  • Se ocorrer ansiedade intolerável, insônia, agitação, acatisia ou ativação após dosagem inicial ou descontinuação, considerar a possibilidade de um transtorno bipolar ativado e trocar por um estabilizador do humor ou um antipsicótico atípico

Overdose

  • Sonolência e epigastria; fadiga, agitação, ansiedade, tensão, vertigem, cianose ou mal-estar também foram relatados

Uso prolongado

  • O tratamento de até 12 meses demonstrou reduzir a taxa de recaída

Formação de hábito

  • Não

Como interromper

  • Sem necessidade de diminuir a dose gradualmente

Farmacocinética

  • Meia-vida de 1 a 2 horas
  • Metabolizada principalmente por CYP450 1A2

Mecanismos de interações medicamentosas

  • O uso de agomelatina com inibidores potentes de CYP450 1A2 (p. ex., fluvoxamina) é contraindicado
  • Tramadol aumenta o risco de convulsões em pacientes que tomam um antidepressivo (alerta de classe)

Outras advertências/precauções

  • Usar com cautela em pacientes com fatores de risco para lesão hepática, como obesidade/sobrepeso/doença hepática gordurosa não alcoólica, diabetes, pacientes que ingerem grandes quantidades de álcool e/ou têm transtorno relacionado ao álcool, ou que tomam medicação associada a risco de lesão hepática. Os médicos devem perguntar aos seus pacientes se já tiveram problemas hepáticos.
  • Se sintomas ou sinais de lesão hepática potencial (urina escura, fezes de cores claras, olhos/pele amarelados, dor na porção superior direita do abdome, fadiga constante de novo início e inexplicável) estiverem presentes, a agomelatina deve ser descontinuada imediatamente
  • Usar com cautela em pacientes com transaminases elevadas pré-tratamento (> limite superior da variação normal e < 3 vezes o limite superior da variação normal)
  • Descontinuar o tratamento se as transaminases séricas aumentarem para 3 vezes o limite superior do normal; testes da função hepática devem ser realizados regularmente até que as transaminases séricas retornem ao normal
  • A agomelatina deve ser administrada na hora de dormir
  • Usar com cautela em pacientes com transtorno bipolar, a menos que tratados concomitantemente com agente estabilizador do humor
  • Ao tratar crianças off label (um uso não aprovado), ponderar cuidadosamente os riscos e os benefícios do tratamento farmacológico em relação aos do não tratamento com antidepressivos, e documentar isso no prontuário do paciente
  • Alertar os pacientes e seus cuidadores quanto à possibilidade de ativação de efeitos colaterais e aconselhá-los a relatar esses sintomas imediatamente
  • Monitorar os pacientes quanto à ativação de ideação suicida, especialmente crianças e adolescentes

Não usar

  • Se o paciente tiver insuficiência hepática
  • Se o paciente tiver níveis de transaminases > 3 vezes o limite superior do normal
  • Se o paciente estiver tomando um inibidor de PYP450 1A2 potente (p. ex., fluvoxamina, ciprofloxacino)
  • Se o paciente estiver tomando um inibidor da MAO (IMAO)
  • Se o paciente tiver intolerância à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou má absorção de glicose-galactose
  • Se houver uma alergia comprovada à agomelatina

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Pacientes com falta de energia, anedonia, comorbidade ansiosa e distúrbios do sono-vigília
  • Pacientes particularmente preocupados com efeitos colaterais sexuais ou ganho de peso

Potenciais desvantagens

  • Pacientes com insuficiência hepática

Dicas

  • A agomelatina representa uma nova abordagem para depressão por meio de um novo perfil farmacológico, agonista nos receptores MT1 / MT2 e antagonista nos receptores 5HT2C agindo sinergisticamente
  • Essa sinergia empresta à agomelatina um perfil de eficácia distinto, diferente dos antidepressivos convencionais, com uma melhora potencialmente precoce e contínua ao longo do tempo
  • A agomelatina melhora a anedonia no começo do tratamento
  • Melhora a ansiedade no transtorno depressivo maior
  • Pode ter menos abstinência/sintomas de descontinuação como eventos adversos do que outros antidepressivos
  • Sem efeito significativo nos parâmetros cardíacos, como pressão arterial ou frequência cardíaca
  • Alguns dados sugerem que a agomelatina pode ser especialmente eficaz para alcançar remissão funcional
  • A agomelatina pode melhorar a qualidade do sono ao promover a manutenção apropriada dos ritmos circadianos subjacentes a um ciclo de sono-vigília normal

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

DeBodinat C, Guardiola-Lemaitre B, Mocaer E, et al. Agomelatine, the first melatonergic antidepressant: discovery, characterization, and development. Nat Rev Drug Discov 2010;9:628–42.

Goodwin GM, Emsley R, Rembry S, Rouillon F. Agomelatine prevents relapse in patients with major depressive disorder without evidence of a discontinuation syndrome: a 24-week randomized, double-blind, placebo-controlled trial. J Clin Psychiatry 2009;70:1128–37.

Kennedy SH, Avedisova A, Belaïdi C, Picarel-Blanchot F, de Bodinat C. Sustained efficacy of agomelatine 10 mg, 25 mg, and 25–50 mg on depressive symptoms and functional outcomes in patients with major depressive disorder. A placebo-controlled study over 6 months. Neuropsychopharmacol 2016;26(2):378–89.

Khoo AL, Zhou HJ, Teng M, et al. Network meta-analysis and cost-effectiveness analysis of new generation antidepressants. CNS Drugs 2015;29(8):695–712.

Martinotti G, Sepede G, Gambi F, et al. Agomelatine versus venlafaxine XR in the treatment of anhedonia in major depressive disorder: a pilot study. J Clin Psychopharmacol 2012;32(4):487–91.

Racagni G, Riva MA, Molteni R, et al. Mode of action of agomelatine: synergy between melatonergic and 5-HT2C receptors. World J Biol Psychiatry 2011;12(8):574–87.

Stahl SM, Fava M, Trivedi M, et al. Agomelatine in the treatment of major depressive disorder. An 8 week, multicenter, randomized, placebo-controlled trial. J Clin Psychiatry 2010;71(5):616–26.

Stahl SM. Mechanism of action of agomelatine: a novel antidepressant exploiting synergy between monoaminergic and melatonergic properties. CNS Spectrums 2014;19:207––12.

Stein DJ, Picarel-Blanchot F, Kennedy SH. Efficacy of the novel antidepressant agomelatine on anxiety symptoms in major depression. Hum Psychopharmacol 2013;28(2):151–9.

Taylor D, Sparshatt A, Varma S, Olofi njana O. Antidepressant efficacy of agomelatine: meta-analysis of published and unpublished studies. BMJ 201-4;348:g2496.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl