Agomelatina > Farmacodinâmica e farmacocinética

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Classe, mecanismo de ação e farmacodinâmica

Os transtornos depressivos estão relacionados a alterações dos ritmos biológicos, incluindo o sono. Tais alterações podem ser tanto uma manifestação das causas biológicas dos transtornos de humor quanto o resultado dos efeitos produzidos pela doença. A utilidade terapêutica da agomelatina vem da ideia de que estabilizar o ritmo circadiano pode ser benéfico no tratamento de transtornos de humor.

A agomelatina atua no tratamento da depressão por meio de sua ligação com os receptores de melatonina, sendo um agonista dos receptores MT1 e MT2 e antagonista dos receptores 5-HT2C da serotonina. A estimulação dos receptores MT1 e MT2 é responsável pelo restabelecimento do ritmo circadiano. Esses receptores encontram-se principalmente nos núcleos supraquiasmáticos, responsáveis pelos ritmos circadianos, os quais se encontram alterados em pacientes deprimidos. Sua ação como antagonista dos receptores serotonérgicos 5-HT2C relaciona-se à melhora de sintomas depressivos e ansiosos por aumento indireto das concentrações de noradrenalina e dopamina no córtex frontal. Parece não haver afinidades significativas da agomelatina com os demais neurotransmissores.

Farmacocinética

A agomelatina é um medicamento para tratamento da depressão que atua como agonista dos receptores da melatonina. Foi aprovado para TDM em adultos pela EMA em 2009.1 Nos Estados Unidos, ainda não foi aprovado pela FDA. Conforme a agência europeia, embora os dados de sua eficácia sejam menos robustos do que os de outros antidepressivos, seu mecanismo de ação único e os poucos efeitos colaterais sustentam sua indicação no TDM.

A eficácia e a segurança da agomelatina no TDM foram estudadas em cerca de 7.900 pacientes. Em 10 ensaios clínicos controlados por placebo, 6 demonstraram a eficácia do fármaco no período entre 6 e 8 semanas. Superioridade ou não inferioridade também foi demonstrada em 6 dos 7 estudos que comparavam a agomelatina com outros antidepressivos. Um estudo demonstrou a manutenção do benefício em um período mais longo, 6 meses.1 Recentemente sua utilização no TAG tem sido proposta, com evidências iniciais de eficácia.2

A concentração plasmática máxima ocorre entre 1 e 2 horas após a administração, e sua absorção não é influenciada pela presença de alimento no TGI. Sua meia-vida de eliminação é em torno de 2 a 3 horas, e a excreção de seus metabólitos é feita por via renal. A CYP1A2 é responsável por 90% do metabolismo da agomelatina, e há contribuições menores do 2C9 e do 2C19. Disfunções nos rins aumentaram a exposição à agomelatina em até 25% e, no fígado, em mais de 50 vezes na insuficiência de intensidade leve e em mais de 100 vezes na de intensidade moderada. A biodisponibilidade do medicamento aumenta com o uso concomitante de contraceptivos orais e diminui com o de tabaco.1,3

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. European Medicines Agency [Internet]. Valdoxan: Agomelatine. Amsterdam: EMA; c2022 [capturado em 7 ago. 2022]. Disponível em: https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/valdoxan.
  2. Stein DJ, Khoo JP, Picarel-Blanchot F, Olivier V, van Ameringen M. Efficacy of agomelatine 25–50mg for the treatment of anxious symptoms and functional impairment in generalized anxiety disorder: a meta-analysis of three placebo-controlled studies. Adv Ther. 2021;38(3):1567-83. PMID [33537871]
  3. Singh SP, Singh V, Kar N. Efficacy of agomelatine in major depressive disorder: meta-analysis and appraisal. Int J Neuropsychopharmacol. 2012;15(3):417-28. PMID [218595514]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Lucas Lovato