Ver também Anorgasmia e Diminuição da libido na Categoria “Efeitos colaterais e seu manejo”.
Sobre
A diminuição do desejo sexual pode estar presente em muitos transtornos psiquiátricos. Em um estudo populacional, foi demonstrado que os problemas sexuais podem ocorrer em até 50% dos pacientes deprimidos, sendo mais frequentes do que em indivíduos não deprimidos. Além disso, várias medicações usadas na psiquiatria podem agravar ou causar problemas na função sexual, o que geralmente torna-se um dos principais fatores de abandono precoce dos tratamentos em saúde mental, relacionando-se a piores desfechos e mais recaídas na população com problemas psicológicos.
Na avaliação de pessoas com problemas de diminuição da libido e outros problemas sexuais, devemos atentar para a presença de comorbidades e para o uso de medicações clínicas que podem estar contribuindo para esse sintoma, que será piorado em casos de transtornos psicológicos e uso de psicotrópicos. O uso de medicamentos como a terapia de reposição hormonal, anticoncepcionais, finasterida,1 β-bloqueadores e espironolactona e a presença de doenças como epilepsia, prolactinomas, doenças da tireoide e outros distúrbios neuroendócrinos podem ser as causas desse sintoma. Também vale destacar que a diminuição da libido pode estar presente como sintoma de muitos transtornos, a saber, transtorno depressivo maior, transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos sexuais, parafilias, transtornos psicóticos, dor crônica, dor pélvica crônica, entre outros.
Ao mesmo tempo em que a diminuição da libido pode ser secundária a doenças físicas e emocionais, muitas vezes o tratamento adequado dos transtornos emocionais pode ser a causa da diminuição da libido, o que torna o tratamento de quadros de depressão, ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo graves muitas vezes desafiador, pois exigem doses altas de medicações antidepressivas. Devemos estar especialmente atentos ao uso de ISRSs e de antidepressivos tricíclicos na psiquiatria, pois são os principais fármacos utilizados nesses transtornos e que estão comumente associados a disfunções sexuais como diminuição da libido.2,3 Também devemos estar atentos ao uso de antipsicóticos de segunda geração e aos anticonvulsivantes, visto que também podem causar alterações sexuais.
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Giatti S, Diviccaro S, Panzica G, Melcangi RC. Post-finasteride syndrome and post-SSRI sexual dysfunction: two sides of the same coin? Endocrine. 2018;61(2):180-93. PMID [29675596]
- Atmaca M. Selective serotonin reuptake inhibitor-induced sexual dysfunction: current management perspectives. Neuropsychiatr Dis Treat. 2020;16:1043-50. PMID [32368066]
- Chen LWH, Chen MYS, Lian ZP, Lin HS, Chien CC, Yin HL, et al. Amitriptyline and Sexual Function: A Systematic Review Updated for Sexual Health Practice. Am J Mens Health. 2018;12(2):370-9. PMID [29019272]
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Marianna de Abreu Costa | Marianna de Barros Jaeger
Lorenna Sena Teixeira Mendes | Fabiano Gomes
Arthur Ludwig Paim | Tamires Martins Bastos
João Pedro Gonçalves Pacheco | Alice C. M. Xavier
Alessandro Ferroni Tonial | Livia Biason
Ana Laura Walcher | Aristides Volpato Cordioli