Alopurinol > Farmacodinâmica e farmacocinética

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Classe, mecanismo de ação e farmacodinâmica

Inibidores da xantina oxirredutase diminuem a concentração sérica de ácido úrico, sendo, portanto, fármacos hipouricêmicos. O alopurinol é o protótipo dos inibidores da xantina oxirredutase e tem sido largamente prescrito nos casos de gota e hiperuricemia. Sua indicação está relacionada a doenças ou circunstâncias que cursem com concentrações séricas elevadas de ácido úrico.

Devido à diminuição da produção de ácido úrico e ao fato de ser bem tolerado, o alopurinol é usado desde a década de 1970 em pacientes com hiperuricemia e gota. Ele foi um dos primeiros exemplos de fármaco desenvolvido a partir do conhecimento da fisiopatologia de uma doença. Sua indicação como adjuvante no tratamento da esquizofrenia e do TB é baseada na hipótese de disfunção adenossinérgica que interliga as alterações dos sistemas dopaminérgico e glutamatérgico, uma vez que a adenosina é um neuromodulador de ambos.

Farmacocinética

O alopurinol (4-hidroxipiridazole-[3,4-d] pirimidina) é um agente antigota, inibidor da enzima xantina oxidase, que atua nas etapas finais da degradação de purinas e catalisa sua transformação em ácido úrico. A ação do alopurinol promove uma considerável redução na produção de ácido úrico e consequentemente nas suas concentrações plasmáticas e urinárias, razão pela qual é usado no tratamento de hiperuricemia e gota. Seu metabólito ativo, oxipurinol, também é inibidor da enzima xantina oxidase. É absorvido relativamente rápido após ingestão VO, atingindo o pico de concentração plasmática entre 60 e 90 minutos após a ingestão. O alopurinol e o oxipurinol não se ligam às proteínas plasmáticas de forma significativa. Em torno de 20٪ são excretados inalterados pelas fezes em 48 a 72 horas (possivelmente não absorvidos). A excreção é principalmente renal: 10% do fármaco é excretado na urina de forma inalterada em 24 horas, enquanto 50% dele é eliminado sob forma de oxipurinol. Sua meia-vida está entre 1 e 2 horas, e a do oxipurinol, entre 18 e 30 horas. A distribuição ocorre em todos os tecidos, mas no SNC a concentração é em torno da metade daquela observada nos demais tecidos.

Tem emprego potencial como adjuvante no tratamento de transtornos neuropsiquiátricos refratários a outros psicofármacos, como epilepsia, esquizofrenia, mania e agressividade em pacientes com demência.

Na esquizofrenia, ECRs demonstraram a eficácia do alopurinol como tratamento adjuvante ao uso de APs.1-3 No entanto, um estudo posterior não confirmou esses achados.4 Relatos de casos referem melhora dos sintomas com o acréscimo de alopurinol em pacientes esquizofrênicos ultrarresistentes.5 Com relação ao uso de alopurinol como adjuvante no tratamento de pacientes com TB, há, na literatura, resultados conflitantes, com estudos demonstrando efeitos positivos3,6,7 e outros que não encontraram diferenças significativas desse fármaco em relação ao placebo na diminuição dos sintomas maníacos.8,9

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

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Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Luísa Weber Bisol