Clordiazepóxido

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Psicosedin® (Farmasa) – registro Caduco/Cancelado junto à Anvisa – Não disponível para venda
  • Similar: não disponível
  • Genérico: não disponível

Apresentações combinadas: Limbitrol® (clordiazepóxido + cloridrato de amitriptilina)

  • Cápsulas gel de 12,5 mg+5 mg - Embalagem com:
    • 20 cápsulas: Limbitrol®

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Nomenclatura baseada na neurociência: modulador alostérico positivo de GABA (MAP-GABA)
  • Benzodiazepínico (ansiolítico)

Comumente prescrito para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Transtornos de ansiedade
  • Sintomas de ansiedade
  • Apreensão e ansiedade pré-operatória
  • Sintomas de abstinência de alcoolismo agudo
  • Catatonia

Principais sintomas-alvo

  • Ataques de pânico
  • Ansiedade

Como a substância atua

  • Liga-se aos receptores benzodiazepínicos no complexo dos canais de cloreto dos receptores de GABA-A ativados por ligante
  • Aumenta os efeitos inibitórios de GABA
  • Estimula a condutância do cloreto através dos canais regulados por GABA
  • Inibe a atividade neuronal presumivelmente nos circuitos do medo centrados na amígdala para proporcionar benefícios terapêuticos em transtornos de ansiedade

Tempo para início da ação

  • É comum algum alívio imediato com a primeira dosagem; podem ser necessárias várias semanas com dosagem diária para que seja obtido benefício terapêutico máximo

Se funcionar

  • Para sintomas de ansiedade de curta duração – após algumas semanas, descontinuar o uso ou usar “quando necessário”
  • Para transtornos de ansiedade crônicos, o objetivo do tratamento é a remissão completa dos sintomas e a prevenção de recaídas futuras
  • Para transtornos de ansiedade crônicos, o tratamento na maioria das vezes reduz ou até mesmo elimina os sintomas, mas não é uma cura, já que os sintomas podem recorrer depois que o medicamento é interrompido
  • Para sintomas de ansiedade de longa duração, considerar a troca por um ISRS ou IRSN para manutenção de longo prazo
  • Se for necessária manutenção de longo prazo com um benzodiazepínico, continuar o tratamento por 6 meses depois que os sintomas tiverem se resolvido e, então, reduzir a dose lentamente
  • Se os sintomas reaparecerem, considerar tratamento com um ISRS ou IRSN, ou considerar o reinício do benzodiazepínico; algumas vezes, os benzodiazepínicos precisam ser utilizados em combinação com ISRSs ou IRSNs para melhores resultados

Se não funcionar

  • Considerar troca por outro agente ou acréscimo de agente de potencialização apropriado
  • Considerar psicoterapia, especialmente psicoterapia cognitivo-comportamental
  • Considerar a presença de abuso de substância concomitante
  • Considerar a presença de abuso de clordiazepóxido
  • Considerar outro diagnóstico, como uma condição clínica comórbida

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Benzodiazepínicos são frequentemente utilizados como agentes de potencialização para antipsicóticos e estabilizadores do humor no tratamento de transtornos psicóticos e bipolares
  • Benzodiazepínicos são frequentemente utilizados como agentes de potencialização para ISRSs e IRSNs no tratamento de transtornos de ansiedade
  • Em geral, não é racional combinar com outros benzodiazepínicos
  • É preciso cautela se for utilizado com um ansiolítico concomitantemente com outros hipnóticos sedativos para dormir

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • Oral: ansiedade leve a moderada: 15 a 40 mg/dia em 3 a 4 doses
  • Oral: ansiedade grave: 60 a 100 mg/dia em 3 a 4 doses

Como dosar

  • Injetável: ansiedade aguda/grave: dose inicial de 50 a 100 mg; 25 a 50 mg 3 a 4 vezes/dia se necessário
  • Injetável: abstinência alcoólica: dose inicial de 50 a 100 mg; repetir depois de 2 horas se necessário
  • Injetável: pré-operatório: 50 a 100 mg 1 hora antes da cirurgia
  • Pacientes que recebem clordiazepóxido injetável devem ser observados por até 3 horas

Dicas para dosagem

  • Um dos poucos benzodiazepínicos disponíveis em uma formulação injetável
  • A injeção de clordiazepóxido é destinada para uso agudo; pacientes que requerem tratamento mais longo devem ser trocados para a formulação oral
  • Usar a dose efetiva mais baixa possível pelo menor período de tempo possível (uma estratégia de limitação do benzodiazepínico)
  • Avaliar regularmente a necessidade de continuidade do tratamento
  • O risco de dependência pode aumentar com a dose e a duração do tratamento
  • Para sintomas de ansiedade entre as doses, pode-se aumentar ou manter a mesma dosagem diária total, mas dividi-la em doses mais frequentes
  • Também pode ser utilizada uma dose “complementar” ocasional quando necessário para ansiedade entre as doses
  • Como transtornos de ansiedade podem requerer doses mais altas, o risco de dependência pode ser maior nesses pacientes
  • Alguns pacientes gravemente doentes podem requerer doses mais altas do que a dose máxima geralmente recomendada
  • A frequência da dosagem na prática costuma ser maior do que a meia-vida prevista, pois a duração da atividade biológica é com frequência menor do que a meia-vida farmacocinética terminal

Overdose

  • Podem ocorrer óbitos; hipotensão, cansaço, ataxia, confusão, coma

Uso prolongado

  • Evidência de eficácia por até 16 semanas
  • Risco de dependência, em particular por períodos de tratamento mais longos do que 12 semanas e especialmente em pacientes com abuso passado ou presente de polissubstâncias

Formação de hábito

  • O clordiazepóxido é uma substância Classe IV
  • Os pacientes podem desenvolver dependência e/ou tolerância com o uso prolongado

Como interromper

  • Pacientes com história de convulsão podem convulsionar com a abstinência, especialmente se a retirada for abrupta
  • Reduzir a dose gradualmente, 10 mg a cada 3 dias, para diminuir as chances de efeitos de abstinência
  • Para pacientes difíceis de reduzir a dose gradualmente, considerar a redução de modo muito mais lento depois de atingir 20 mg/dia, talvez até 5 mg ou menos por semana
  • Para outros pacientes com problemas graves para descontinuar um benzodiazepínico, poderá ser necessário reduzir a dose gradualmente por muitos meses (i.e., redução de 1% a cada 3 dias, triturando o comprimido e fazendo uma suspensão ou dissolvendo em 100 mL de suco de frutas e descartando 1 mL, enquanto o resto é bebido; 3 a 7 dias depois, descartam-se 2 mL, e assim por diante). Essa é uma forma de redução biológica muito lenta e também uma forma de dessensibilização comportamental
  • Atenção para diferenciar uma reemergência dos sintomas que requer reinstituição do tratamento de sintomas de abstinência
  • Pacientes com ansiedade dependentes de benzodiazepínico e diabéticos dependentes de insulina não são adictos a suas medicações. Quando pacientes dependentes de benzodiazepínico interrompem sua medicação, podem reemergir sintomas da doença, podem piorar os sintomas da doença (rebote) e/ou podem emergir sintomas de abstinência

Farmacocinética

  • Meia-vida de eliminação: 24 a 48 horas

Mecanismos de interações medicamentosas

  • Efeitos depressores aumentados quando tomado com outros depressores do SNC (ver seção Outras advertências/precauções, a seguir)

Outras advertências/precauções

  • Tarja preta como alerta para o risco aumentado de efeitos depressores no SNC quando benzodiazepínicos e medicações opioides são utilizados em conjunto, incluindo especificamente o risco de respiração lenta ou difícil e morte
  • Se não estiverem disponíveis alternativas ao uso combinado de benzodiazepínicos e opioides, os clínicos devem limitar a dosagem e a duração de cada substância ao mínimo possível em que é obtida eficácia terapêutica
  • Os pacientes e seus cuidadores devem ser alertados para procurar atenção médica se ocorrer tontura incomum, atordoamento, sedação, respiração lenta ou difícil ou irresponsividade
  • As alterações na dosagem devem ser feitas em colaboração com o prescritor
  • Usar com cautela em pacientes com doença pulmonar; raros relatos de morte após o início de benzodiazepínicos em pacientes com comprometimento pulmonar severo
  • História de abuso de substância ou álcool frequentemente cria maior risco de dependência
  • Alguns pacientes deprimidos podem experimentar piora da ideação suicida
  • Alguns pacientes podem exibir pensamento anormal ou alterações comportamentais similares aos causados por outros depressores do SNC (i.e., ações depressoras ou ações de desinibição)

Não usar

  • Se o paciente tiver glaucoma de ângulo fechado
  • Se houver alergia comprovada a clordiazepóxido ou algum benzodiazepínico

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Rápido início de ação

Potenciais desvantagens

  • A euforia pode levar a abuso
  • Abuso especialmente arriscado em abusadores de substância no passado ou no presente

Dicas

  • Pode ser um adjunto útil para ISRSs e IRSNs no tratamento de diversos transtornos de ansiedade, mas não é utilizado tão frequentemente quanto alguns outros benzodiazepínicos
  • Não efetivo para tratamento de psicose como monoterapia, mas pode ser utilizado como um adjunto para antipsicóticos
  • Não efetivo para tratamento de transtorno bipolar como monoterapia, mas pode ser utilizado como um adjunto para estabilizadores do humor e antipsicóticos
  • Pode tanto causar depressão quanto tratar depressão em diferentes pacientes
  • Ao usar para tratar insônia, lembrar que este pode ser um sintoma de algum outro transtorno primário, o que justifica avaliação para condições psiquiátricas e/ou clínicas comórbidas
  • Permanece sendo uma opção de tratamento viável para abstinência alcoólica
  • Embora não sistematicamente estudados, os benzodiazepínicos têm sido utilizados efetivamente para tratar catatonia, sendo o tratamento inicial recomendado

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Baskin SI, Esdale A. Is chlordiazepoxide the rational choice among benzodiazepines? Pharmacotherapy 1982;2:110–19.

Erstad BL, Cotugno CL. Management of alcohol withdrawal. Am J Health Syst Pharm 1995;52:697–709.

Fraser AD. Use and abuse of the benzodiazepines. Ther Drug Monit 1998;20:481–9.

Murray JB. Effects of valium and librium on human psychomotor and cognitive functions. Genet Psychol Monogr 1984;109(2D Half):167–97.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl