Amissulprida > Prescrição

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Apresentações comerciais

Socian (Sanofi/Aventis)

  • Caixas com 20 comprimidos de 25 mg.
  • Caixas com 20 comprimidos de 50 mg.
  • Caixas com 20 comprimidos de 200 mg.

Modo de usar

Em episódios psicóticos agudos de esquizofrenia, com predomínio de sintomas positivos ou mistos, recomendam-se doses entre 400 e 800 mg/dia, podendo-se atingir doses de até 1.200 mg/dia. Em primeiros episódios psicóticos, pode-se iniciar com 300 mg/dia, progredindo conforme a resposta clínica. No tratamento de pacientes com predomínio de sintomas negativos, recomendam-se doses entre 50 e 300 mg/dia. No tratamento de manutenção, sugere-se uma abordagem individualizada, com a adoção da menor dose efetiva.

Em pacientes com TDP (distimia), sugere-se o uso de baixas doses (50 mg/dia).

A amissulprida pode ser administrada em doses orais de até 300 ou 400 mg, 1 vez ao dia; doses mais altas devem ser divididas em mais de uma tomada diária. Não é necessário titular a dose inicial da amissulprida. Embora refeições ricas em carboidratos influenciem na absorção do fármaco, não há estudos que demonstrem algum significado clínico desse achado. Não há formulações injetáveis da amissulprida para tratamento dos transtornos psiquiátricos.

Tempo para início de ação

Apesar de sua rápida absorção, os efeitos clínicos da amissulprida podem demorar algumas semanas para serem alcançados. A redução dos sintomas psicóticos pode ocorrer já na primeira semana de uso, mas acredita-se que a maior eficácia do fármaco ocorra após 4 a 6 semanas. Os resultados podem ser ainda mais tardios no que se refere ao tratamento dos sintomas negativos.

Variação usual da dose

  • Esquizofrenia (sintomas positivos): 400 a 800 mg/dia.
  • Esquizofrenia (sintomas negativos): 50 a 300 mg/dia.
  • Transtorno depressivo persistente: 50 mg/dia.

Modo de suspender

A suspensão da amissulprida deve ser realizada de forma lenta, gradual e sob acompanhamento médico. Sua interrupção brusca pode resultar, muito raramente, em síndrome de abstinência (como náusea, vômitos e insônia), recorrência dos sintomas psicóticos ou movimentos involuntários anormais (como acatisia, distonia ou discinesias).

Indicações

Evidências CONSISTENTES de eficácia

  • Esquizofrenia em fase aguda1 e de manutenção.2
  • Sintomas positivos, depressivos e negativos da esquizofrenia.1
  • Sintomas depressivos em pacientes com TDP (distimia).3
  • Manejo de náusea e vômitos no pós-operatório (administração IV) – aprovado pela FDA.

Obs.: As formulações orais de amissulprida não estão disponíveis nos Estados Unidos (não há, portanto, aprovação da FDA). Entretanto, o uso da amissulprida no tratamento da esquizofrenia está aprovado pelos órgãos de vigilância europeu (EMA), britânico (MHRA) e brasileiro (Anvisa).

Evidências INCOMPLETAS de eficácia

  • Sintomas positivos em pacientes com esquizofrenia refratária (como tratamento adjuvante à clozapina).4
  • Manejo agudo da mania.5
  • Estado confusional agudo (delirium).6
  • Sialorreia associada ao uso de clozapina.7

Contraindicações

  • Hipersensibilidade ao fármaco.
  • Tumores dependentes de prolactina (p. ex., prolactinoma e alguns cânceres de mama).
  • Feocromocitoma.
  • Gravidez e lactação.
  • População pediátrica até a puberdade.
  • Associação com levodopa.
  • Associação com medicações que podem induzir torsades de pointes.

Precauções e dicas

  1. A amissulprida aumenta os efeitos do álcool no SNC.
  2. A presença de hipocalemia, prolongamento do intervalo QT e bradicardia pode aumentar o risco de arritmias associadas ao uso da amissulprida.
  3. A amissulprida pode reduzir o limiar convulsivante. Pacientes com história de epilepsia devem ser submetidos a monitoramento médico frequente.
  4. O uso de agentes antidopaminérgicos (como a amissulprida) em pacientes com Parkinson pode levar à piora dos sintomas parkinsonianos. A amissulprida deve ser usada nesses pacientes apenas em situações em que o tratamento antipsicótico não possa ser evitado.
  5. É necessária cautela no uso de APs (incluindo a amissulprida) em pacientes com fatores de risco para doenças cerebrovasculares, em especial em idosos com psicose associada à demência.
  6. A amissulprida pode elevar as concentrações de prolactina. Pacientes com história pessoal ou familiar de câncer de mama devem ser monitorados de perto.
  7. Há relatos de que o uso de APs (incluindo a amissulprida) aumenta o risco de TEV. Pacientes com fatores de risco para tromboembolismo devem ser monitorados frequentemente.
  8. Suspender o medicamento em caso de hipertermia devido à suspeita de SNM.

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Curran MP, Perry CM. Amisulpride: a review of its use in the management of schizophrenia. Drugs. 2001;61(14):2123-50. PMID [11735643]
  2. Huhn M, Nikolakopoulou A, Schneider-Thoma J, Krause M, Samara M, Peter N, et al. Comparative efficacy and tolerability of 32 oral antipsychotics for the acute treatment of adults with multi-episode schizophrenia: a systematic review and network meta-analysis. Lancet. 2019;394(10202):939-51. PMID [31303314]
  3. Komossa K, Depping AM, Gaudchau A, Kissling W, Leucht S. Second-generation antipsychotics for major depressive disorder and dysthymia. Cochrane Database Syst Rev. 2010;(12):CD008121. PMID [21154393]
  4. Assion HJ, Reinbold H, Lemanski S, Basilowski M, Juckel G. Amisulpride augmentation in patients with schizophrenia partially responsive or unresponsive to clozapine: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Pharmacopsychiatry. 2008;41(1):24-8. PMID [18203048]
  5. Fountoulakis KN, Vieta E. Treatment of bipolar disorder: a systematic review of available data and clinical perspectives. International J Neuropsychopharmacol. 2008;11(7):999-1029. PMID [18752718]

  6. Pintor L, Fuente E, Bailles E, Matrai S. Study on the efficacy and tolerability of amisulpride in medical/surgical inpatients with delirium admitted to a general hospital. Eur Psychiatry. 2009;24(7):450–5. PMID [19695843]

  7. Kreinin A, Novitski D, Weizman A. Amisulpride treatment of clozapine-induced hypersalivation in schizophrenia patients: a randomized, double-blind, placebo-controlled cross-over study. Int Clin Psychopharmacol. 2006;21(2):99-103. PMID [16421461]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Daniel Prates Baldez