Bupropiona

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Wellbutrin XL® (Glaxosmithkline); Zyban® (Glaxosmithkline)
  • Similar: Alpes (Supera); Buene (Cristália); Bup (Eurofarma); Bupium (EMS); Bupium XL (EMS); Bupogran (Legrand); Deradrop (Npava Química); Eutymia XL (Germed); Inip (Germed); Noradop (Nova Química); Seth (União Química); Wellbutrin SR (Glaxosmithkline); Zetron (Libbs); Ziety (Prati Donaduzzi)
  • Genérico: Cloridrato de Bupropiona (EMS; Eurofarma; Germed; Geolab; Legrand; Nova Química; Prati Donaduzzi; Ranbaxy; União Química)

Apresentações:

  • Comprimido revestido de liberação lenta de 150 mg – Embalagem com:
    • 12 cp: Alpes; Buene; Bup; Geolab
    • 30 cp: Alpes; Buene; Bup; Geolab
    • 60 cp: Alpes; Buene; Bup; Geolab
  • Comprimido revestido de liberação prolongada de 150 mg – Embalagem com:
    • 10 cp: Bupium; Bupium XL; Deradop; Euthymia XL; Zetron
    • 12 cp: Germed
    • 15 cp: Germed
    • 20 cp: Deradrop; Eutymia XL
    • 30 cp: Zyban®; Wellbutrin XL®; Bupium; Bupium XL; Bupogran; Deradop; Eutymia XL; Inip; Noradop; Seth; Zetron; Ziety; Wellbutrin SR; EMS; Eurofarma; Germed; Legrand; Nova Química; Prati Donadduzi; Ranbaxy; União Química  
    • 60 cp: Wellbutrin XL®; Bupium; Bupium XL; Bupogran; Deradop; Eutymia XL; Noradop; Seth; Zetron; Ziety; EMS; Eurofarma; Germed; Legrand; Nova Química; Prati Donadduzi; União Química 
    • 90 cp: Eutymia XL; Ranbaxy
  • Comprimido revestido de liberação prolongada de 300 mg – Embalagem com:
    • 10 cp: Bupium XL; Deradop; Eutymia XL
    • 20 cp: Deradop; Eutymia XL; 
    • 30 cp: Wellbutrin XL®; Wellbutrin SR; Bupium XL; Deradop; Eutymia XL; Zetron
    • 60 cp: Bupium XL; Deradop; Eutymia XL; Zetron
    • 90 cp: Euthymia XL

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Nomenclatura baseada na neurociência: inibidor da recaptação e liberador de dopamina (IRLD)
  • IRND (inibidor da recaptação de norepinefrina e dopamina); antidepressivo; tratamento contra tabagismo

Comumente prescrita para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Transtorno depressivo maior (bupropiona, bupropiona SR e bupropiona XL)
  • Transtorno afetivo sazonal (bupropiona XL)
  • Adição a nicotina (bupropiona SR)
  • Depressão bipolar
  • Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)
  • Disfunção sexual

Principais sintomas-alvo

  • Humor depressivo
  • Distúrbio do sono, especialmente hipersônia
  • Fissura associada à abstinência de nicotina
  • Funcionamento cognitivo

Como a substância atua

  • Estimula os neurotransmissores norepinefrina e dopamina
  • Bloqueia a bomba de recaptação de norepinefrina (transportador de norepinefrina), possivelmente aumentando a neurotransmissão noradrenérgica
  • Como a dopamina é inativada pela receptação de norepinefrina no córtex frontal, que em grande parte carece de transportadores dopaminérgicos, a bupropiona é capaz de aumentar a neurotransmissão de dopamina nessa parte do cérebro
  • Bloqueia a bomba de recaptação da dopamina (transportador da dopamina), possivelmente aumentando a neurotransmissão dopaminérgica

Tempo para início da ação

  • O início das ações terapêuticas não costuma ser imediato, frequentemente demorando de 2 a 4 semanas
  • Se não estiver funcionando dentro de 6 a 8 semanas para depressão, poderá ser necessário aumentar a dosagem ou poderá não funcionar
  • Pode continuar a agir por muitos anos, prevenindo recaída dos sintomas

Se funcionar

  • O objetivo do tratamento da depressão é a remissão completa dos sintomas atuais, além da prevenção de recaídas futuras
  • O tratamento da depressão, na maioria das vezes, reduz ou até mesmo elimina os sintomas, mas não é uma cura, uma vez que os sintomas podem recorrer após a interrupção do medicamento
  • Continuar o tratamento da depressão até que todos os sintomas tenham desaparecido (remissão)
  • Depois que os sintomas de depressão desapareceram, continuar tratando por 1 ano para o primeiro episódio de depressão
  • Para segundo episódio de depressão e episódios subsequentes, poderá ser necessário continuar o tratamento por tempo indefinido
  • O tratamento para adição à nicotina deve consistir de um tratamento único por 6 semanas

Se não funcionar

  • Muitos pacientes têm apenas uma resposta parcial, em que alguns sintomas melhoram, mas outros persistem (especialmente insônia, fadiga e problemas de concentração)
  • Outros pacientes podem ser não respondedores, sendo algumas vezes chamados de resistentes ou refratários ao tratamento
  • Alguns pacientes que têm uma resposta inicial podem recair mesmo que continuem o tratamento, sendo algumas vezes chamados de “poop-out” (que param de responder)
  • Considerar aumento da dose, troca por outro agente ou acréscimo de um agente de potencialização apropriado
  • Considerar psicoterapia
  • Considerar avaliação para outro diagnóstico ou para uma condição comórbida (p. ex., doença clínica, abuso de substância, etc.)
  • Alguns pacientes podem experimentar aparente falta de consistência na eficácia devido à ativação de um transtorno bipolar latente ou subjacente, requerendo descontinuação do antidepressivo e troca por um estabilizador do humor, embora isso possa ser um problema menos frequente com a bupropiona se comparada a outros antidepressivos

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Trazodona para insônia residual
  • Benzodiazepínicos para ansiedade residual
  • Pode ser acrescentada a ISRSs para reverter disfunção sexual induzida por ISRS, apatia induzida por ISRS (usar combinações de antidepressivos com cautela, pois isso pode ativar transtorno bipolar e ideação suicida)
  • Pode ser acrescentada a ISRSs para tratar respondedores parciais
  • Frequentemente utilizada como agente de potencialização de estabilizadores do humor e/ou antipsicóticos atípicos em depressão bipolar
  • Estabilizadores do humor ou antipsicóticos atípicos também podem ser acrescentados à bupropiona para depressão psicótica ou depressão resistente ao tratamento
  • Hipnóticos para insônia
  • Mirtazapina, modafinila, atomoxetina (acrescentar com cautela e em doses mais baixas, já que a bupropiona pode teoricamente elevar os níveis da atomoxetina) tanto para sintomas residuais de depressão quanto para transtorno de déficit de atenção

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • Bupropiona: 225 a 450 mg em 3 doses divididas (dose única máxima de 150 mg)
  • Bupropiona SR: 200 a 450 mg em 2 doses divididas (dose única máxima de 200 mg)
  • Bupropiona XL: 150 a 450 mg 1 vez ao dia (dose única máxima de 450 mg)
  • Hidrobrometo de bupropiona: 174 a 522 mg 1 vez ao dia (dose única máxima de 522 mg)

Como dosar

  • Depressão: para bupropiona de liberação imediata, a dosagem deve ser em doses divididas, iniciando com 75 mg 2 vezes ao dia, aumentando para 100 mg 2 vezes ao dia, depois para 100 mg 3 vezes ao dia; dose máxima de 450 mg por dia
  • Depressão: para bupropiona SR, dose inicial de 100 mg 2 vezes ao dia, aumentar para 150 mg 2 vezes ao dia depois de no mínimo 3 dias; esperar 4 semanas ou mais para garantir os efeitos da substância antes de aumentar a dose; dose máxima de 400 mg por dia
  • Depressão: para bupropiona XL, dose inicial de 150 mg por dia pela manhã; pode ser aumentada para 300 mg 1 vez ao dia depois de 4 dias; dose única máxima de 450 mg 1 vez ao dia
  • Depressão: para hidrobrometo de bupropiona, dose inicial de 174 mg 1 vez ao dia pela manhã; pode ser aumentada para 522 mg administrados como dose única
  • Adição à nicotina [para bupropiona SR]: dose inicial de 150 mg/dia 1 vez ao dia, aumentar para 150 mg/dia 2 vezes ao dia depois de no mínimo 3 dias; dose máxima de 300 mg/dia; o tratamento com bupropiona deve começar 1 a 2 semanas antes de ser descontinuado o tabagismo

Dicas para dosagem

  • A formulação XL substituiu as formulações de liberação imediata e SR como a opção preferida
  • XL é mais bem dosada 1 vez ao dia, enquanto a SR é mais bem dosada 2 vezes ao dia e a liberação imediata é mais bem dosada 3 vezes ao dia
  • Dosagem maior que 450 mg/dia (400 mg/dia SR) aumenta o risco de convulsão
  • Pacientes que não respondem a 450 mg/dia devem descontinuar o uso ou obter os níveis sanguíneos de bupropiona e seu principal metabólito ativo 6-hidroxi-bupropiona
  • Se os níveis da substância-mãe e metabólito ativo forem baixos apesar da dosagem em 450 mg/dia, os especialistas podem aumentar a dosagem com prudência para além da faixa terapêutica monitorando atentamente, informando o paciente do risco potencial de convulsões e ponderando a relação risco/benefício em indivíduos difíceis de tratar
  • Quando utilizada para depressão bipolar, costuma ser um agente de potencialização para estabilizadores do humor, lítio e/ou antipsicóticos atípicos
  • Para interrupção do tabagismo, pode ser utilizada em conjunto com terapia de reposição de nicotina
  • Não quebrar ou mastigar comprimidos SR ou XL, pois isso irá alterar as propriedades de liberação controlada
  • Quanto mais ansioso e agitado o paciente, mais baixa a dose inicial, mais lenta a titulação e mais provável a necessidade de um agente concomitante como trazodona ou um benzodiazepínico
  • Se ocorrer ansiedade intolerável, insônia, agitação, acatisia ou ativação após o início da dosagem ou descontinuação, considerar a possibilidade de um transtorno bipolar ativado e trocar por um estabilizador do humor ou antipsicótico atípico

Overdose

  • Raramente letal; convulsões, distúrbios cardíacos, alucinações, perda da consciência

Uso prolongado

  • Para interrupção do tabagismo, o tratamento por até 6 meses provou ser efetivo
  • Para depressão, o tratamento por até 1 ano provou reduzir a taxa de recaída

Formação de hábito

  • Não
  • Pode ser abusada por indivíduos que trituram e depois aspiram ou injetam

Como interromper

  • É prudente reduzir gradativamente para evitar efeitos de retirada, mas tolerância, dependência ou reações de retirada não estão bem documentadas

Farmacocinética

  • Inibe CYP450 2D6
  • Meia-vida da substância-mãe de 10 a 14 horas
  • Meia-vida do metabólito de 20 a 27 horas
  • Alimentos não afetam a absorção

Mecanismos de interações medicamentosas

  • O tramadol aumenta o risco de convulsões em pacientes que estão tomando um antidepressivo
  • Pode aumentar os níveis de ADT; utilizar com cautela com ADTs ou ao trocar de um ADT para bupropiona
  • Utilizar com cautela com IMAOs, incluindo 14 dias depois de interrompê-los (para o especialista)
  • Há risco aumentado de reação hipertensiva se a bupropiona for utilizada em conjunto com IMAOs ou outras substâncias que aumentam a norepinefrina
  • Pode haver risco aumentado de hipertensão se a bupropiona for combinada com terapia de reposição de nicotina
  • Via inibição de CYP450 2D6, teoricamente, a bupropiona pode interferir nas ações analgésicas da codeína e aumentar os níveis plasmáticos de alguns betabloqueadores e da atomoxetina
  • Via inibição de CYP450 2D6, teoricamente, a bupropiona pode aumentar as concentrações de tioridazina e causar arritmias cardíacas perigosas

Outras advertências/precauções

  • Usar com cautela com outras substâncias que aumentam o risco de convulsões (ADTs, lítio, fenotiazinas, tioxantenos, alguns antipsicóticos)
  • A bupropiona deve ser utilizada com cautela em pacientes que estão tomando levodopa ou amantadina, já que esses agentes podem aumentar a neurotransmissão de dopamina e ser ativadores
  • Não utilizar se o paciente tiver insônia grave
  • Usar com cautela em pacientes com transtorno bipolar, a menos que tratados concomitantemente com agente estabilizador do humor
  • Ao tratar crianças, ponderar cuidadosamente os riscos e benefícios do tratamento farmacológico em relação aos do não tratamento e documentar isso no prontuário do paciente
  • Distribuir as brochuras fornecidas pela FDA e pelas companhias farmacêuticas
  • Alertar pacientes e seus cuidadores sobre a possibilidade de efeitos colaterais ativadores e aconselhá-los a relatar tais sintomas imediatamente
  • Monitorar os pacientes para ativação de ideação suicida, especialmente crianças e adolescentes
  • A descontinuação do tabagismo pode levar a alterações farmacocinéticas ou farmacodinâmicas em outras substâncias que o paciente esteja tomando, o que pode requerer ajuste da dose

Não usar

  • Zyban ou Aplenzin em combinação um com o outro ou com alguma formulação de Wellbutrin
  • Se o paciente tiver história de convulsões
  • Se o paciente for anoréxico ou bulímico, seja atualmente ou no passado, mas consulte a seção Dicas
  • Se o paciente estiver abruptamente descontinuando álcool, uso de sedativo ou medicação anticonvulsivante
  • Se o paciente tiver sofrido lesão recente na cabeça
  • Se o paciente tiver um tumor no sistema nervoso
  • Se o paciente estiver tomando um IMAO (exceto conforme observado na seção Interações medicamentosas)
  • Se o paciente estiver tomando tioridazina
  • Se houver alergia comprovada à bupropiona

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Depressão retardada
  • Depressão atípica
  • Depressão bipolar
  • Pacientes preocupados com disfunção sexual
  • Pacientes preocupados com ganho de peso

Potenciais desvantagens

  • Pacientes que experimentam perda de peso associada a sua depressão
  • Pacientes excessivamente ativados

Dicas

  • Pode ser efetiva se ISRSs falharam ou pararam de funcionar
  • Menos provável de produzir hipomania do que alguns outros antidepressivos
  • Pode melhorar a lentificação cognitiva/pseudodemência
  • Reduz hipersônia e fadiga
  • Aprovada para ajudar a reduzir a fissura durante cessação do tabagismo
  • Uso episódico em transtorno de déficit de atenção
  • Pode causar disfunção sexual apenas esporadicamente
  • Pode exacerbar tiques
  • A bupropiona pode não ser tão efetiva em transtornos de ansiedade quanto muitos outros antidepressivos
  • A proibição para uso em transtornos alimentares devido ao risco aumentado de convulsões está relacionada a observações passadas quando bupropiona de liberação imediata era dosada em níveis muito altos para pacientes com baixo peso corporal com anorexia nervosa ativa
  • A prática atual sugere que pacientes com IMC normal sem fatores de risco adicionais para convulsões podem se beneficiar com bupropiona, especialmente se administradas doses prudentes da formulação XL; esse tratamento deve ser administrado por especialistas, e os pacientes devem ser monitorados atentamente e informados dos riscos potenciais
  • A formulação recentemente aprovada de sais de hidrobrometo pode facilitar a alta dosagem para pacientes difíceis de tratar, pois permite a administração de doses únicas de comprimidos de até 450 mg equivalentes ao sal de hidrocloreto de bupropiona (comprimido de 522 mg), diferentemente de formulações de liberação controlada de hidrocloreto de bupropiona para as quais a dose maior em um único comprimido é de 300 mg
  • Como os sais do brometo têm propriedades anticonvulsivantes, os sais de hidrobrometo de bupropiona podem teoricamente reduzir o risco de convulsões, mas isso não foi comprovado
  • O enantiômero ativo do metabólito ativo principal [(+)-6-hidroxi-bupropiona] está em desenvolvimento clínico como um novo antidepressivo
  • A combinação de bupropiona e naltrexona demonstrou eficácia como tratamento para obesidade e atualmente está sendo investigada em um estudo de longo prazo que visa avaliar os resultados desse tratamento na saúde cardiovascular
  • Foram concluídos ensaios de fase II da combinação de bupropiona e zonisamida para tratamento de obesidade

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Clayton AH. Extended-release bupropion: an antidepressant with a broad spectrum of therapeutic activity? Expert Opin Pharmacother 2007;8(4):457–66.

Ferry L, Johnston JA. Efficacy and safety of bupropion SR for smoking cessation: data from clinical trials and five years of postmarketing experience. Int J Clin Pract 2003;57(3):224–30.

Foley KF, DeSanty KP, Kast RE. Bupropion: pharmacology and therapeutic applications. Expert Rev Neurother 2006;6(9):1249–65.

Jefferson JW, Pradko JF, Muir KT. Bupropion for major depressive disorder: pharmacokinetic and formulation considerations. Clin Ther 2005;27(11):1685–95.

Papakostas GI, Nutt DJ, Hallett LA, et al. Resolution of sleepiness and fatigue in major depressive disorder: a comparison of bupropion and the selective serotonin reuptake inhibitors. Biol Psychiatry 2006;60(12):1350–5.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl