Clorpromazina

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Amplictil® (Sanofi-Aventis)
  • Similar: Clorpromaz (União Química); Longactil (Cristália)
  • Genérico: Cloridrato de clorpromazina (Hypofarma)

Apresentações:

  • Comprimido revestido de 25 mg – Embalagem com:
    • 20 cp: Amplictil®
    • 200 cp: Longactil
  • Comprimido revestido de 100 mg – Embalagem com:
    • 20 cp: Amplictil®
    • 100 cp: Clorpromaz
    • 200 cp: Longactil
  • Solução Injetável de 5 mg/mL – Ampola de 5 mL – Cartucho com:
    • 05 amp: Amplictil®
    • 10 amp: Longactil
    • 50 amp: Clorpromaz; Longactil; Hypofarma
  • Solução oral gotas 40 mg/mL – Frasco de 20 mL - Embalagem com:
    • 01 un: Amplictil®
    • 10 un: Longactil

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Nomenclatura baseada na neurociência: antagonista de receptores de dopamina e serotonina (ARDS)
  • Antipsicótico convencional (neuroléptico, fenotiazina, antagonista de dopamina 2, antiemético)

Comumente prescrita para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Esquizofrenia
  • Náusea, vômitos
  • Inquietação e apreensão antes de cirurgia
  • Porfiria aguda intermitente
  • Manifestações do tipo maníaco na doença maníaco-depressiva
  • Tétano (adjunto)
  • Soluço intratável
  • Combatividade e/ou comportamento hiperexcitável explosivo (em crianças)
  • Crianças hiperativas que apresentam atividade motora excessiva com transtornos da conduta, consistindo de alguns ou todos os seguintes sintomas: impulsividade, dificuldade de manter a atenção, agressividade, labilidade do humor e baixa tolerância à frustração
  • Psicose
  • Transtorno bipolar

Principais sintomas-alvo

  • Sintomas positivos de psicose
  • Hiperatividade motora e autonômica
  • Comportamento violento ou agressivo

Como a substância atua

  • Bloqueia os receptores de dopamina 2, reduzindo os sintomas positivos de psicose e melhorando outros comportamentos
  • A combinação de bloqueios de dopamina D2, histamina H1 e colinérgico M1 no centro do vômito podem reduzir náusea e vômitos

Tempo para início da ação

  • Os sintomas psicóticos podem melhorar dentro de 1 semana, mas pode levar várias semanas para efeito completo no comportamento
  • As ações na náusea e nos vômitos são imediatas

Se funcionar

  • Na maioria das vezes, reduz os sintomas positivos na esquizofrenia, mas não os elimina
  • A maioria dos pacientes esquizofrênicos não tem remissão total dos sintomas, mas redução de aproximadamente um terço
  • Continuar o tratamento em esquizofrenia até atingir um platô de melhora
  • Uma vez atingido um platô satisfatório, continuar o tratamento por no mínimo 1 ano depois do primeiro episódio de psicose em esquizofrenia
  • Para segundo episódio de psicose em esquizofrenia e episódios subsequentes, poderá ser necessário tratamento por tempo indefinido
  • Reduz os sintomas de mania psicótica aguda, mas não é comprovado como estabilizador do humor ou como tratamento de manutenção efetivo para transtorno bipolar
  • Depois de reduzir os sintomas psicóticos agudos na mania, trocar por um estabilizador do humor e/ou um antipsicótico atípico para estabilização e manutenção do humor

Se não funcionar

  • Considerar a tentativa de um dos antipsicóticos atípicos de primeira linha (risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, aripiprazol, paliperidona, amissulprida, asenapina, iloperidona, lurasidona)
  • Considerar a tentativa de outro antipsicótico convencional
  • Se 2 ou mais monoterapias antipsicóticas não funcionarem, considerar clozapina

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • A potencialização de antipsicóticos convencionais não foi estudada sistematicamente
  • A adição de um anticonvulsivante estabilizador do humor, como valproato, carbamazepina ou lamotrigina, pode ser útil tanto na esquizofrenia como na mania bipolar
  • A potencialização com lítio na mania bipolar pode ser útil
  • Adição de um benzodiazepínico, especialmente no curto prazo, para agitação

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • 200 a 800 mg/dia

Como dosar

  • Psicose: aumentar a dose até que os sintomas estejam controlados; depois de 2 semanas, reduzir para a dose efetiva mais baixa
  • Psicose (intramuscular): varia de acordo com a gravidade dos sintomas e a condição de internação/ambulatorial

Dicas para dosagem

  • Baixas doses podem ter ações mais sedativas do que antipsicóticas
  • Doses mais baixas têm sido utilizadas para proporcionar alivio rápido de agitação diurna e ansiedade e para aumentar as ações hipnóticas sedativas em pacientes não psicóticos, mas outras opções de tratamento, como antipsicóticos atípicos, são preferidas atualmente
  • Doses mais altas podem induzir ou piorar sintomas negativos de esquizofrenia
  • Ampolas e fracos contém sulfitos que podem causar reações alérgicas, particularmente em pacientes com asma
  • Um dos poucos antipsicóticos disponíveis como supositório
  • O tratamento deve ser suspenso se a contagem de neutrófilos absolutos cair para menos de 1.000/mm³

Overdose

  • Efeitos colaterais extrapiramidais, sedação, hipotensão, coma, depressão respiratória

Uso prolongado

  • Alguns efeitos colaterais podem ser irreversíveis (p. ex., discinesia tardia)

Formação de hábito

  • Não

Como interromper

  • Titulação descendente lenta da formulação oral (mais de 6 a 8 semanas), em especial quando iniciar simultaneamente um novo antipsicótico durante uma troca (i.e., titulação cruzada)
  • A descontinuação oral rápida pode levar a psicose de rebote e piora dos sintomas
  • Se estiverem sendo utilizados agentes antiparkinsonianos, eles devem ser continuados por algumas semanas depois que a clorpromazina for descontinuada

Farmacocinética

  • Meia-vida de aproximadamente 8 a 33 horas

Mecanismos de interações medicamentosas

  • Pode reduzir os efeitos de levodopa e agonistas dopaminérgicos
  • Pode aumentar os efeitos de substâncias anti-hipertensivas, exceto para guanetidina, cujas ações anti-hipertensivas a clorpromazina pode antagonizar
  • Podem ocorrer efeitos aditivos se utilizada com depressores do SNC
  • Alguns agentes pressores (p. ex., epinefrina) podem interagir com clorpromazina e baixar a pressão arterial
  • Álcool e diuréticos podem aumentar o risco de hipotensão
  • Reduz os efeitos de anticoagulantes
  • Pode reduzir o metabolismo da fenitoína e aumentar os níveis desta
  • Os níveis plasmáticos de clorpromazina e propranolol podem aumentar se utilizados concomitantemente
  • Alguns pacientes tomando um neuroléptico e lítio desenvolveram uma síndrome encefalopática similar à síndrome neuroléptica maligna

Outras advertências/precauções

  • Caso se desenvolvam sinais de síndrome neuroléptica maligna, o tratamento deve ser descontinuado imediatamente
  • Usar com cautela em pacientes com abstinência alcoólica ou transtornos convulsivos devido a possível diminuição do limiar convulsivo
  • Usar com cautela em pacientes com distúrbios respiratórios, glaucoma ou retenção urinária
  • Evitar exposição ao calor extremo
  • Evitar exposição indevida à luz solar
  • O efeito antiemético da clorpromazina pode mascarar sinais de outros transtornos ou overdose; a supressão do reflexo da tosse pode causar asfixia
  • Usar somente com muita cautela em doença de Parkinson ou demência de corpos de Lewy

Não usar

  • Se o paciente estiver em estado comatoso
  • Se o paciente estiver tomando metrizamida ou altas doses de depressores do SNC
  • Se houver alergia comprovada a clorpromazina
  • Se houver sensibilidade conhecida a alguma fenotiazina

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Formulação intramuscular para uso emergencial
  • Pacientes que requerem sedação para controle comportamental

Potenciais desvantagens

  • Pacientes com discinesia tardia
  • Crianças
  • Idosos
  • Pacientes que desejam evitar sedação

Dicas

  • A clorpromazina é um dos primeiros antipsicóticos convencionais clássicos
  • A clorpromazina tem um amplo espectro de eficácia, mas apresenta risco de discinesia tardia, e a disponibilidade de tratamentos alternativos torna sua utilização fora da psicose uma opção de tratamento de curto prazo e segunda linha
  • A clorpromazina é uma fenotiazina de baixa potência
  • As ações sedativas das fenotiazinas de baixa potência são um aspecto importante de suas ações terapêuticas em alguns pacientes e de seu perfil de efeitos colaterais em outros
  • As fenotiazinas de baixa potência, como a clorpromazina, têm um risco maior de efeitos colaterais cardiovasculares
  • Os pacientes têm respostas antipsicóticas muito semelhantes a qualquer antipsicótico convencional, o que é diferente dos antipsicóticos atípicos, nos quais as respostas antipsicóticas dos indivíduos às vezes podem variar amplamente de um antipsicótico atípico para outro
  • Pacientes com respostas inadequadas a antipsicóticos atípicos podem se beneficiar com uma tentativa de potencialização ou troca por um antipsicótico convencional, como clorpromazina
  • Entretanto, uma polifarmácia de longa duração com a combinação de um antipsicótico convencional como a clorpromazina com um antipsicótico atípico pode somar seus efeitos colaterais sem claramente aumentar a eficácia de cada um deles
  • Para pacientes resistentes ao tratamento, especialmente aqueles com impulsividade, agressão, violência e autolesão, polifarmácia de longa duração com 2 antipsicóticos atípicos ou com 1 antipsicótico atípico e 1 antipsicótico convencional pode ser útil ou mesmo necessário, mediante monitoramento atento
  • Em tais casos, pode ser benéfico combinar 1 antipsicótico depot com 1 antipsicótico oral

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Adams CE, Awad G, Rathbone J, Thornley B. Chlorpromazine versus placebo for schizophrenia. Cochrane Database Syst Rev 2007;18(2):CD000284.

Ahmed U, Jones H, Adams CE. Chlorpromazine for psychosis induced aggression or agitation. Cochrane Database Syst Rev 2010;14(4):CD007445.

Almerie MQ, Alkhateeb H, Essali A, Matar HE, Rezk E. Cessation of medication for people with schizophenia already stable on chlorpromazine. Cochrane Database Syst Rev 2007;24(1):CD006329.

Leucht C, Kitzmantel M, Chua L, Kane J, Leucht S. Haloperidol versus chlorpromazine for schizophrenia. Cochrane Database Syst Rev 2008;23(1):CD004278.

Liu X, De Haan S. Chlorpromazine dose for people with schizophrenia. Cochrane Database Syst Rev 2009;15(2):CD007778.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl