Clonazepam

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Rivotril® (Roche)
  • Similar: Clonetril (Prati Donaduzzi); Clopam (Cristália); Uni-clonazepax (União Química); Zilepam (Geolab)
  • Genérico: EMS; Eurofarma; FURP; Germed; Geolab; Hipolabor; Legrand; Medley; Nova Química; Pharlab; Prati Donaduzzi; Ranbaxy; Sun Farmacêutica; Teuto; Zydus

Apresentações:

  • Comprimido sub-lingual de 0,25 mg – Embalagem com:
    • 30 cp: Rivotril® (Roche)
  • Comprimido de 0,5 mg – Embalagem com:
    • 10 cp: Geolab
    • 20 cp: Rivotril® (Roche); Clopam; Uni-clonazepax; Geolab; Prati Donaduzzi
    • 30 cp: Rivotril®; Geolab; Medley; Prati Donaduzzi
    • 60 cp:* Medley; Prati Donaduzzi
    • 200 cp:* Clopam
    • 300 cp:* Prati Donaduzzi
    • 450 cp:* FURP
    • 480 cp:* Zilepam; Geolab
    • 500 cp:* Prati Donaduzzi; Sun Farmacêutica
    • 600 cp:* Prati Donaduzzi
    • 800 cp:* Prati Donaduzzi
  • Comprimido de 2 mg – Embalagem com:
    • 10 cp: Geolab 
    • 15 cp: Prati Donaduzzi
    • 20 cp: Rivotril®; Clopam; Uni-clonazepx; Germed; Geolab; Nova Química; Prati Donaduzzi 
    • 30 cp: Rivotril®; Clonetril; EMS; Eurofarma; Germed; Geolab; Legrand; Medley; Nova Química; Pharlab; Prati Donaduzzi; Ranbaxy; sun farmacêutica; Zydus
    • 60 cp: EMS; FURP; Germed; Geolab; Medley; Prati Donaduzzi
    • 200 cp:* Cristália
    • 300 cp:* Prati Donaduzi
    • 450 cp:* Furp
    • 480 cp:* Geolab
    • 500 cp:* Prati Donaduzi
    • 600 cp:* Prati Donaduzi
    • 800 cp:* Prati Donaduzi
    • 1.000 cp:* Ranbaxy
  • Solução oral gotas de 2,5 mg/mL – Frasco de 20 mL – Embalagem com:
    • 1 un: Rivotril®; Clonetril; Clopam; Uni-clonazepax; EMS; Germed; Geolab; Hipolabor; Legrand; Medley; Teutp
    • 50 un:* Geolab
    • 200 un:* Hipolabor

*Embalagem hospitalar

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Nomenclatura baseada na neurociência: modulador alostérico positivo de GABA (MAP-GABA)
  • Benzodiazepínico (ansiolítico, anticonvulsivante)

Comumente prescrito para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Transtorno de pânico, com ou sem agorafobia
  • Síndrome de Lennox-Gastaut (variante do pequeno mal)
  • Convulsão acinética
  • Convulsão mioclônica
  • Convulsão com crise de ausência (pequeno mal)
  • Convulsões atônicas
  • Outros transtornos convulsivos
  • Outros transtornos de ansiedade
  • Mania aguda (adjunto)
  • Psicose aguda (adjunto)
  • Insônia
  • Catatonia

Principais sintomas-alvo

  • Frequência e duração das convulsões
  • Descargas de ondas e espículas na ausência de convulsões (pequeno mal)
  • Ataques de pânico
  • Ansiedade

Como a substância atua

  • Liga-se aos receptores benzodiazepínicos no complexo dos canais de cloreto dos receptores de GABA-A ativados por ligante
  • Aumenta os efeitos inibitórios do GABA
  • Estimula a condutância de cloreto através dos canais regulados de GABA
  • Inibe a atividade neuronal possivelmente nos circuitos do medo centrados na amígdala, proporcionando benefícios terapêuticos em transtornos de ansiedade
  • Ações inibitórias no córtex cerebral podem proporcionar benefícios terapêuticos em transtornos convulsivos

Tempo para início da ação

  • É comum algum alívio imediato com a primeira dosagem; pode levar várias semanas com dosagem diária para ser atingido benefício terapêutico máximo

Se funcionar

  • Para sintomas de ansiedade de curta duração – depois de algumas semanas, descontinuar o uso ou usar “quando necessário”
  • Para transtornos de ansiedade crônicos, o objetivo do tratamento é a remissão completa dos sintomas, além da prevenção de recaídas futuras
  • Para transtornos de ansiedade crônicos, o tratamento na maioria das vezes reduz ou até mesmo elimina os sintomas, mas não é uma cura, já que os sintomas podem recorrer depois que o medicamento é interrompido
  • Para sintomas de ansiedade de longa duração, considerar a troca por um ISRS ou IRSN para manutenção de longo prazo
  • Se for necessária manutenção de longo prazo com um benzodiazepínico, continuar o tratamento por 6 meses depois da resolução dos sintomas, e depois reduzir a dose lentamente
  • Se os sintomas ressurgirem, considerar tratamento com um ISRS ou IRSN, ou considerar o reinício do benzodiazepínico; algumas vezes, os benzodiazepínicos têm de ser utilizados em combinação com ISRSs ou IRSNs para melhores resultados
  • Para tratamento de longa duração de transtornos convulsivos, não é incomum o desenvolvimento de tolerância, a escalada da dose e a perda da eficácia, necessitando de acréscimo ou troca por outros anticonvulsivantes

Se não funcionar

  • Considerar a troca por outro agente ou a adição de um agente de potencialização apropriado
  • Considerar psicoterapia, especialmente psicoterapia cognitivo-comportamental
  • Considerar a presença de abuso de substância concomitante
  • Considerar a ocorrência de abuso de clonazepam
  • Considerar outro diagnóstico como uma condição clínica comórbida

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Os benzodiazepínicos são frequentemente utilizados como agentes de potencialização para antipsicóticos e estabilizadores do humor no tratamento de transtornos psicóticos e bipolares
  • Os benzodiazepínicos são frequentemente utilizados como agentes de potencialização para ISRSs e IRSNs no tratamento de transtornos de ansiedade
  • Em geral, não é racional combinar com outros benzodiazepínicos
  • Cautela se for utilizado como ansiolítico concomitantemente com outros hipnóticos sedativos para o sono
  • O clonazepam é comumente combinado com outros anticonvulsivantes para o tratamento de transtornos convulsivos

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • Convulsões: dependente da resposta individual do paciente, até 20 mg/dia
  • Pânico: 0,5 a 2 mg/dia divididos em doses ou 1 vez na hora de dormir
  • Desintegração oral (wafer): 0,125 mg, 0,25 mg, 0,5 mg, 1 mg, 2 mg

Como dosar

  • Convulsões: 1,5 mg divididos em 3 doses, aumentar 0,5 mg a cada 3 dias até atingir o efeito desejado; dividir em 3 doses iguais ou então dar a dose maior na hora de dormir; dose máxima geralmente de 20 mg/dia
  • Pânico – 1 mg/dia; iniciar com 0,25 mg dividido em 2 doses, aumentar para 1 mg depois de 3 dias; dosar 2 vezes ao dia ou 1 vez na hora de dormir; dose máxima geralmente de 4 mg/dia

Dicas para dosagem

  • Para transtornos de ansiedade, usar a dose efetiva mais baixa possível pelo período de tempo mais curto possível (uma estratégia de restrição de benzodiazepínico)
  • Avaliar regularmente a necessidade de tratamento contínuo
  • O risco de dependência pode aumentar com a dose e a duração do tratamento
  • Para sintomas de ansiedade entre as doses, pode-se aumentar a dose ou manter a mesma, mas dividida em doses mais frequentes
  • Também pode ser utilizado como dose ocasional “extra” para ansiedade entre as doses
  • Uma vez que transtorno convulsivo pode requerer doses muito mais altas do que 2 mg/dia, o risco de dependência pode ser maior nesses pacientes
  • Uma vez que transtorno de pânico pode requerer doses um pouco mais altas do que 2 mg/dia, o risco de dependência pode ser maior nesses pacientes do que naqueles com ansiedade mantidos com doses mais baixas
  • Alguns pacientes com convulsões gravemente doentes podem requerer mais do que 20 mg/dia
  • Alguns pacientes com pânico gravemente doentes podem requerer 4 mg/dia ou mais
  • A frequência da dosagem na prática é muitas vezes maior do que o previsto para a meia-vida, já que a duração da atividade biológica é frequentemente menor do que a meia-vida farmacocinética terminal
  • O clonazepam é geralmente dosado com metade da dosagem de alprazolam
  • Poderá ser necessária a escalada da dose caso se desenvolva tolerância em transtornos convulsivos
  • Não costuma ser necessária escalada da dose em transtorno de ansiedade, uma vez que geralmente não se desenvolve tolerância a clonazepam no tratamento de transtornos de ansiedade
  • Disponível como um comprimido de desintegração oral (wafer)

Overdose

  • Raramente fatal em monoterapia; sedação, confusão, coma, reflexos diminuídos

Uso prolongado

  • Pode perder a eficácia para convulsões; o aumento da dose pode recuperar a eficácia
  • Risco de dependência, em particular para períodos de tratamento mais longos do que 12 semanas e especialmente em pacientes com abuso passado ou atual de polissubstâncias

Formação de hábito

  • O clonazepam é uma substância Classe IV
  • Os pacientes podem desenvolver dependência e/ou tolerância com o uso prolongado

Como interromper

  • Pacientes com história de convulsões podem convulsionar durante a retirada, especialmente se esta for abrupta
  • Reduzir a dose gradualmente 0,25 mg a cada 3 dias para reduzir as chances de efeitos de abstinência
  • Para casos difíceis de reduzir a dose gradualmente, considerar a redução com muito mais lentidão depois de atingir 1,5 mg/dia, talvez com apenas 0,125 mg ou menos por semana
  • Para outros pacientes com problemas graves para descontinuar benzodiazepínico, poderá ser necessário reduzir a dosagem gradualmente por muitos meses (i.e., reduzir 1% a cada 3 dias, triturando o comprimido e suspendendo ou dissolvendo em 100 mL de suco de fruta, então descartando 1 mL e bebendo o resto; 3-7 dias depois, descartar 2 mL, e assim por diante). Essa é uma forma de redução biológica da dose muito lenta e também de dessensibilização comportamental
  • Cuidar para diferenciar entre reemergência dos sintomas que requer reinstituição do tratamento e sintomas de abstinência
  • Pacientes com ansiedade dependentes de benzodiazepínico e diabéticos dependentes de insulina não são aditos a suas medicações. Quando pacientes dependentes de benzodiazepínico interrompem sua medicação, os sintomas da doença podem reemergir, piorar (rebote) e/ou podem emergir sintomas de abstinência

Farmacocinética

  • Meia-vida longa se comparada a outros ansiolíticos benzodiazepínicos (meia-vida de eliminação aproximadamente de 30 a 40 horas)
  • Substrato para CYP450 3A4
  • Alimentos não afetam a absorção

Mecanismos de interações medicamentosas

  • Efeitos depressores aumentados quando tomado com depressores do SNC (veja seção Outras advertências/precações, a seguir)
  • Inibidores de CYP450 3A4 podem afetar a eliminação de clonazepam, mas geralmente não é necessário o ajuste da dosagem
  • O flumazenil (utilizado para reverter os efeitos dos benzodiazepínicos) pode precipitar convulsões e não deve ser utilizado em pacientes tratados para transtornos convulsivos com clonazepam
  • O uso de clonazepam com valproato pode causar estado de ausência

Outras advertências/precauções

  • Tarja preta devido ao risco aumentado de efeitos depressores do SNC quando benzodiazepínicos e medicações opioides são utilizados em conjunto, incluindo especificamente o risco de respiração lenta ou dificuldade para respirar e morte
  • Se não estiverem disponíveis alternativas ao uso combinado de benzodiazepínicos e opioides, os clínicos devem limitar a dosagem e a duração de cada substância ao mínimo possível em que é obtida eficácia terapêutica
  • Pacientes e seus cuidadores devem ser alertados a buscar atenção médica caso ocorra tontura incomum, atordoamento, sedação, respiração lenta ou dificuldade para respirar, ou ausência de responsividade
  • As dosagens devem ser feitas em colaboração com o prescritor
  • Usar com cautela em pacientes com doença pulmonar; raros relatos de morte após o início de benzodiazepínicos em pacientes com insuficiência pulmonar grave
  • História de abuso de substância ou álcool frequentemente cria maior risco para dependência
  • O clonazepam pode induzir convulsões do tipo grande mal em pacientes com transtornos convulsivos múltiplos
  • Usar somente com extrema cautela se o paciente tiver apneia obstrutiva do sono
  • Alguns pacientes deprimidos podem experimentar uma piora de ideação suicida
  • Alguns pacientes podem exibir pensamento anormal ou alterações no comportamento similares aos causados por outros depressores do SNC (i.e., ações depressoras ou ações de desinibição)

Não usar

  • Se o paciente tiver glaucoma de ângulo fechado
  • Se o paciente tiver doença hepática grave
  • Se houver uma alergia comprovada a clonazepam ou a algum benzodiazepínico

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Rápido início da ação
  • Menos sedação do que alguns outros benzodiazepínicos
  • Duração de ação mais longa do que alguns outros benzodiazepínicos
  • Disponibilidade de comprimidos de desintegração oral (wafer)

Potenciais desvantagens

  • O desenvolvimento de tolerância pode requerer aumentos na dose, especialmente em transtornos convulsivos
  • Risco de abuso especialmente alto em abusadores de substância no passado ou no presente

Dicas

  • Um dos benzodiazepínicos mais populares para ansiedade, especialmente entre os psiquiatras
  • É um adjunto muito útil para ISRSs e IRSNs no tratamento de diversos transtornos de ansiedade
  • Não eficaz para tratar psicose como monoterapia, mas pode ser utilizado como um adjunto para antipsicóticos
  • Não eficaz para tratar transtorno bipolar como monoterapia, mas pode ser utilizado como um adjunto para estabilizadores do humor e antipsicóticos
  • Geralmente utilizado como tratamento de segunda linha para convulsões do tipo pequeno mal se succinimidas forem ineficazes
  • Pode ser utilizado como um adjunto ou como monoterapia para transtornos convulsivos
  • O clonazepam é o único benzodiazepínico utilizado como tratamento isolado de manutenção para transtornos convulsivos
  • Mais fácil de reduzir a dose gradualmente do que alguns outros benzodiazepínicos de meia-vida longa
  • Pode ter menos potencial para abuso do que alguns outros benzodiazepínicos
  • Pode causar menos depressão, euforia ou dependência do que alguns outros benzodiazepínicos
  • O clonazepam é frequentemente considerado um “ansiolítico semelhante a alprazolam de mais longa ação” com melhores características de tolerabilidade em termos de menos euforia, abuso, dependência e problemas de abstinência, mas isso não foi comprovado
  • Ao usar para tratar insônia, lembrar que insônia pode ser um sintoma de algum outro transtorno primário e, assim, justifica-se uma avaliação para condições psiquiátricas e/ou clínicas comórbidas
  • Embora não sistematicamente estudados, os benzodiazepínicos têm sido utilizados com eficácia para tratar catatonia e consistem no tratamento inicial recomendado

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Davidson JR, Moroz G. Pivotal studies of clonazepam in panic disorder. Psychopharmacol Bull 1998;34:169–74.

DeVane CL, Ware MR, Lydiard RB. Pharmacokinetics, pharmacodynamics, and treatment issues of benzodiazepines: alprazolam, adinazolam, and clonazepam. Psychopharmacol Bull 1991;27:463–73.

Iqbal MM, Sobhan T, Ryals T. Effects of commonly used benzodiazepines on the fetus, the neonate, and the nursing infant. Psychiatr Serv 2002;53:39–49.

Panayiotopoulos CP. Treatment of typical absence seizures and related epileptic syndromes. Paediatr Drugs 2001;3:379–403.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl