Psicoterapia nos transtornos neurocognitivos maiores (demências): Psicoeducação
Ver também
Psicoeducação para familiares e cuidadores
O objetivo geral da psicoeducação é proporcionar o entendimento do paciente sobre seu transtorno, a fim de conhecer os sintomas, os mecanismos da doença e sua evolução.
Como a alteração na cognição é o elemento essencial para o diagnóstico dos transtornos neurocognitivos maiores (TNMs, ou demências), essa forma de abordagem destina-se principalmente aos familiares e aos cuidadores (Tabela 1).1,2 Por exemplo, o entendimento sobre os sintomas comportamentais do paciente é fundamental para a aplicação das técnicas comportamentais dedicadas ao manejo desses sintomas, assim como para diminuir o nível de sobrecarga do próprio cuidador.3
Na psicoeducação, também é importante auxiliar o cuidador a reconhecer os diferentes estágios da doença, adequando e estimulando a manutenção da funcionalidade possível de acordo com a gravidade do quadro.
Vale ressaltar ao cuidador que a demência é uma doença progressiva e que, nas fases iniciais, as dificuldades podem não ser constantes. Isto é, há momentos em que o paciente pode parecer normal, capaz de fazer algumas atividades adequadamente, embora, em outras, suas limitações fiquem evidentes.
No estágio inicial da doença, o paciente pode ficar repetitivo, esquecer compromissos, esquecer de dar recados, ter dificuldade de achar as palavras, apresentar alguma desorientação temporal e demonstrar dificuldade em realizar tarefas mais complexas. Pode, ainda, parecer desmotivado, desinteressado e sem iniciativa, abandonando atividades que faziam parte de sua rotina. Frequentemente, o paciente não reconhece os déficits cognitivos, nem o impacto deles sobre suas atividades.
TABELA 1 | PONTOS FUNDAMENTAIS NA PSICOEDUCAÇÃO AOS CUIDADORES DE PACIENTES COM TNMs (DEMÊNCIAS) |
|
Os cuidadores frequentemente atribuem sintomas cognitivos e comportamentais dos pacientes a outras causas, e não à demência. Muitos acreditam que a pessoa com demência tem controle sobre seu comportamento e que pode voltar ao normal.
Nesses casos, a psicoeducação é fundamental para corrigir crenças equivocadas a respeito da doença.4
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Kales HC, Gitlin LN, Lyketsos CG. Assessment and management of behavioral and psychological symptoms of dementia. BMJ. 2015;2:350-69.
- Teri L, McCurry SM, Logsdon RG, Gibbons LE. Training community consultants to help family members improve dementia care: A randomized controlled trial. Gerontologist. 2005;45(6):802-11.
- de Vugt ME, Stevens F, Aalten P, Lousberg R, Jaspers N, Winkens I, et al. Do caregiver management strategies influence patient behaviour in dementia? Int J Geriatr Psychiatry. 2004;19(1):85-92.
- Paton J, Johnston K, Katona C, Livingston G. What causes problems in Alzheimer’s disease: attributions by caregivers: a qualitative study. Int J Geriatr Psychiatry. 2004;19(6):527-32.
Autores
Claudia Godinho
Letícia M. K. Forster
Analuiza Camozzato