Atualização do diagnóstico e do tratamento da doença de Alzheimer - Caso clínico

Caso clínico

Homem de 80 anos de idade, com 15 anos de escolaridade, trabalhou como contador durante toda a vida. É casado e tem uma filha. Iniciou seguimento em serviço especializado aos 65 anos, sem queixas cognitivas, como voluntário de pesquisa. Não apresentava comorbidades. Foi classificado, no início, como cognitivamente normal, após triagem cognitiva e avaliação neuropsicológica. A RNM de crânio se mostrou normal na ocasião da primeira avaliação.

Cerca de 6 anos após o início do seguimento, ainda cognitivamente normal, o paciente foi submetido à punção lombar para coleta e dosagem de Aβ1-42 e p-tau total e hiperfosforilada no liquor. As concentrações desses biomarcadores encontravam-se alteradas, revelando a “assinatura patológica” da DA.

O início das queixas cognitivas ocorreu apenas um ano após a coleta dos biomarcadores no líquor, com alterações de memória observadas pela esposa. O paciente passa a se queixar apenas dois anos depois, referindo dificuldades para encontrar palavras. Nessa ocasião, recebeu diagnóstico de CCL, confirmado por testagem cognitiva e avaliação neuropsicológica. A RNM de crânio revelou a presença de raros focos de microangiopatia e redução volumétrica hipocampal. Foi submetido à FDG-PET, que revelou hipometabolismo temporal neocortical e temporoparietal bilateral discreto.

Manteve seguimento regular e, cerca de sete anos após aparecimento dos primeiros sintomas, apresentou piora significativa das queixas de memória. Exames de neuroimagem subsequentes revelaram agravamento das alterações observadas e, cerca de 15 anos após o início do seguimento no serviço, foi diagnosticado com DA leve.

Atualmente, o paciente se encontra em uso de anticolinesterásico (galantamina 24 mg), que tolerou bem, sem ocorrência de efeitos adversos, e de um AD (venlafaxina 150 mg), que foi necessário para tratamento de irritabilidade observada durante o acompanhamento.

Discussão

1. O que significa identificar a “assinatura patológica” da DA no paciente?


Resposta comentada

Atividade 1
Resposta: O reconhecimento da “assinatura patológica” da DA em um paciente permite inferir a presença do processo patológico da DA e, com 95% de acurácia, é possível afirmar que haverá conversão para demência em alguns anos.

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Autores

Júlia Cunha Loureiro
Marcos Vasconcelos Pais
Orestes Vicente Forlenza