Brexpiprazol

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Rexulti® (Lundbeck)
  • Similar: não disponível
  • Genérico: não disponível

Apresentações:

  • Comprimido revestido de 0,5 mg – Embalagem com:
    • 10 cp
    • 30 cp
  • Comprimido revestido de 1 mg – Embalagem com:
    • 10 cp
    • 30 cp
  • Comprimido revestido de 2 mg – Embalagem com:
    • 30 cp
  • Comprimido revestido de 3 mg – Embalagem com:
    • 30 cp

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Agonista parcial da dopamina (estabilizador da dopamina, antipsicótico atípico, antipsicótico de terceira geração; algumas vezes incluído como antipsicótico de segunda geração; também um estabilizador do humor potencial)

Comumente prescrito para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Esquizofrenia
  • Depressão resistente ao tratamento (adjunto)
  • Mania aguda/mania mista
  • Outros transtornos psicóticos
  • Manutenção bipolar
  • Depressão bipolar
  • Transtornos comportamentais em demência
  • Transtornos comportamentais em crianças e adolescentes
  • Transtornos associados a problemas de controle dos impulsos

Principais sintomas-alvo

  • Sintomas positivos de psicose
  • Sintomas negativos de psicose
  • Sintomas cognitivos
  • Humor instável e depressão
  • Sintomas agressivos

Como a substância atua

  • Agonismo parcial nos receptores dopaminérgicos 2
  • Teoricamente, reduz a produção de dopamina quando as concentrações estão altas, melhorando os sintomas positivos e mediando as ações antipsicóticas
  • Teoricamente, aumenta a produção de dopamina quando as concentrações estão baixas, melhorando os sintomas cognitivos, negativos e do humor
  • Agonista parcial nos receptores 5H1A, o que pode ser benéfico para humor, ansiedade e cognição em diversos transtornos
  • O bloqueio dos receptores de serotonina tipo 2A pode contribuir em doses clínicas para causar aumento da liberação de dopamina em certas regiões do cérebro, reduzindo os efeitos colaterais motores e possivelmente melhorando sintomas cognitivos e afetivos
  • O bloqueio dos receptores alfa-1B pode reduzir efeitos colaterais motores como acatisia
  • O bloqueio dos receptores alfa-2C pode contribuir para as ações antidepressivas
  • Teoricamente, as ações nos receptores dopaminérgicos 3 podem contribuir para a eficácia do brexpiprazol
  • Bloqueia os receptores da serotonina 7, o que pode ser benéfico para humor, comprometimento cognitivo e sintomas negativos na esquizofrenia, bem como nos transtornos bipolar e depressivo maior

Tempo para início da ação

  • Os sintomas psicóticos podem melhorar dentro de 1 semana, mas poderá levar várias semanas para efeito completo no comportamento e na cognição
  • Para psicose, classicamente recomendado esperar pelo menos de 4 a 6 semanas para determinar a eficácia da substância, mas, na prática, alguns pacientes podem requerer até 16 a 20 semanas para apresentar uma boa resposta, especialmente no comprometimento cognitivo e em resultados funcionais
  • Para depressão, o início das ações terapêuticas não costuma ser imediato frequentemente demorando de 2 a 4 semanas

Se funcionar (para esquizofrenia)

  • Na maioria das vezes reduz os sintomas positivos, mas não os elimina
  • Pode melhorar os sintomas negativos, além dos sintomas agressivos, cognitivos e afetivos na esquizofrenia
  • A maioria dos pacientes com esquizofrenia não tem uma remissão total dos sintomas, mas uma redução de cerca de um terço
  • Talvez de 5 a 15% dos pacientes com esquizofrenia consigam experimentar uma melhora global de mais de 50 a 60%, especialmente quando recebem tratamento estável por mais de 1 ano
  • Tais pacientes são considerados super-respondedores ou “awakeners”, já que podem ficar suficientemente bem para obter emprego, viver de maneira independente e manter relações de longa duração
  • Continuar o tratamento até atingir um platô de melhora
  • Depois de atingir um platô satisfatório, continuar o tratamento por no mínimo 1 ano depois do primeiro episódio de psicose
  • Para segundo episódio e episódios subsequentes, poderá ser necessário continuar o tratamento por tempo indefinido
  • Mesmo para primeiros episódios de psicose, pode ser preferível continuar o tratamento

Se funcionar (para depressão)

  • O objetivo do tratamento é a remissão completa dos sintomas atuais, além da prevenção de futuras recaídas
  • O tratamento na maioria das vezes reduz ou até mesmo elimina os sintomas, mas não é uma cura, já que os sintomas podem recorrer depois da interrupção do tratamento
  • Continuar o tratamento até que todos os sintomas tenham desaparecido (remissão) ou reduzido significativamente
  • Após o desparecimento dos sintomas, continuar tratando por 1 ano para o primeiro episódio de depressão
  • Para segundo episódio e episódios subsequentes, poderá ser necessário tratamento por tempo indefinido

Se não funcionar (para esquizofrenia)

  • Tentar um dos outros antipsicóticos atípicos
  • Se 2 ou mais monoterapias com antipsicóticos não funcionarem, considerar clozapina
  • Alguns pacientes podem requerer tratamento com um antipsicótico convencional
  • Se nenhum antipsicótico atípico de primeira linha for efetivo, considerar doses mais altas ou potencialização com valproato ou lamotrigina
  • Considerar a não adesão e trocar por outro antipsicótico com menos efeitos colaterais ou por antipsicótico que possa ser administrado por injeção depot
  • Considerar o início de reabilitação e psicoterapia
  • Considerar a presença de abuso de substância concomitante

Se não funcionar (para depressão)

  • Alguns pacientes podem ser não respondedores, sendo algumas vezes chamados de resistentes ou refratários ao tratamento
  • Alguns pacientes que têm uma resposta inicial podem recair mesmo que continuem o tratamento, sendo algumas vezes denominados “poop out” (que param de responder)
  • Considerar psicoterapia
  • Considerar avaliação para outro diagnóstico ou para uma condição comórbida (p. ex., doença clínica, abuso de substância, etc.)
  • Alguns pacientes podem experimentar aparente falta de consistência na eficácia devido à ativação de um transtorno bipolar latente ou subjacente

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Para depressão, brexpiprazol é por si só um agente de potencialização
  • Ácido valproico (valproato, divalproex, divalproex ER)
  • Anticonvulsivantes estabilizadores do humor (carbamazepina, oxcarbazepina, lamotrigina)
  • Lítio
  • Benzodiazepínicos

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • Esquizofrenia: 2 a 4 mg 1 vez ao dia
  • Depressão: 2 mg uma vez ao dia

Como dosar

  • Esquizofrenia: Dose inicial de 1 mg 1 vez ao dia nos dias 1 a 4; aumentar para 2 mg 1 vez ao dia nos dias 5 a 7; aumentar para 4 mg 1 vez ao dia no 8º dia; dose máxima de 4 mg 1 vez ao dia
  • Depressão: Dose inicial de 0,5 a 1 mg 1 vez ao dia; aumentar em intervalos semanais de até 1 mg 1 vez ao dia, e depois até 2 mg 1 vez ao dia; dose máxima de 3 mg 1 vez ao dia

Dicas para dosagem

  • Pode ser tomado com ou sem alimentos

Overdose

  • Experiência limitada

Uso prolongado

  • Segurança e eficácia demonstradas para esquizofrenia em um estudo de manutenção com duração de mais de 1 ano
  • Deve ser avaliada periodicamente a utilidade de longo prazo em pacientes individuais, mas poderá ser preciso continuar o tratamento por muitos anos em indivíduos com esquizofrenia ou depressão resistente ao tratamento

Formação de hábito

  • Não

Como interromper

  • Uma vez que falta experiência clínica, poderá ser prudente a titulação descendente, em especial quando simultaneamente é iniciado um novo antipsicótico durante uma troca (i.e., titulação cruzada)
  • No entanto, a meia-vida longa sugere que é possível interromper o brexpiprazol abruptamente
  • O método para interrupção de brexpiprazol pode variar dependendo do agente para o qual está sendo trocado; veja as orientações sobre troca de agentes individuais para saber como interrompê-lo
  • Teoricamente, a descontinuação rápida pode levar a psicose de rebote e piora dos sintomas, mas isso é menos provável com o brexpiprazol devido à sua meia-vida longa

Farmacocinética

  • Meia-vida média de 91 horas (brexpiprazol) e 86 horas (metabólito principal DM-3144)
  • Primariamente metabolizado por CYP450 2D6 e CYP450 3A4

Mecanismos de interações medicamentosas

  • Em pacientes que estão recebendo um inibidor forte/moderado de CYP450 3A4 (p. ex., cetoconazol), o brexpiprazol deve ser administrado na metade da dose usual
  • Em pacientes que estão recebendo um indutor forte de CYP450 3A4 (p. ex., carbamazepina), o brexpiprazol deve ser administrado no dobro da dose usual
  • Em pacientes com esquizofrenia que estão recebendo um inibidor forte/moderado de CYP450 2D6 (p. ex., quinidina) ou que são reconhecidamente metabolizadores lentos de CYP450 2D6, o brexpiprazol deve ser administrado na metade da dose usual
  • Entretanto, ensaios clínicos em transtorno depressivo maior levaram em conta a potencial administração concomitante de inibidores fortes de CYP450 2D6 (p. ex., paroxetina, fluoxetina), portanto, a dose de brexpiprazol não precisa ser ajustada nesses casos
  • Em pacientes que estão recebendo um inibidor forte/moderado de CYP3A4 e um inibidor forte/moderado de CYP450 2D6, o brexpiprazol deve ser administrado com um quarto da dose típica
  • Em pacientes que recebem um inibidor forte/moderado de CYP3A4 e são reconhecidamente metabolizadores lentos de CYP450 2D6, o brexpiprazol deve ser administrado com um quarto da dose típica
  • Pode aumentar os efeitos de agentes anti-hipertensivos
  • Pode antagonizar levodopa, agonistas dopaminérgicos

Outras advertências/precauções

  • Utilizar com cautela em pacientes com condições que predispõem a hipotensão (desidratação, calor excessivo)
  • Disfagia foi associada ao uso de antipsicóticos, e o brexpiprazol deve ser utilizado com cautela em pacientes em risco de pneumonia por aspiração

Não usar

  • Se houver alergia comprovada a brexpiprazol

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Para pacientes que não toleram aripiprazol

Potenciais desvantagens

  • Alto custo

Dicas

  • Aprovado como tratamento adjunto para depressão
  • Dados com animais sugerem que o brexpiprazol pode melhorar o comprometimento cognitivo na esquizofrenia
  • O brexpiprazol também está sendo estudado em ensaios clínicos em transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, transtorno de estresse pós-traumático e agitação associada a demência de Alzheimer
  • Não aprovado para mania, mas quase todos os antipsicóticos atípicos aprovados para tratamento agudo de esquizofrenia também demonstraram eficácia no tratamento agudo de mania
  • As diferenças farmacológicas de aripiprazol sugerem menos acatisia com brexpiprazol, mas não há ensaios comparativos
  • Comparado ao aripiprazol, o brexpiprazol tem ligação mais potente de vários sítios receptores em relação à ligação do receptor de dopamina 2, a saber, os receptores 5HT1A, 5HT2A e alfa-1; no entanto, a importância clínica dessas diferenças ainda está sob investigação

A arte da troca

Troca de antipsicóticos orais para brexpiprazol

  • É aconselhável iniciar brexpiprazol em uma dose intermediária e aumentá-la rapidamente durante 3 a 7 dias
  • A experiência clínica demonstrou que asenapina, quetiapina e olanzapina devem ser reduzidas lentamente por um período de 3 a 4 semanas, para permitir que os pacientes se readaptem à retirada dos receptores bloqueadores colinérgicos, histaminérgicos e alfa-1
  • A clozapina deve sempre ser reduzida lentamente por um período de 4 semanas ou mais
  • Um benzodiazepínico ou medicação anticolinérgica podem ser administrados durante titulação cruzada para ajudar a aliviar efeitos colaterais como insônia, agitação e/ou psicose

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Correll Cu, Skuban A, Ouyang J, et al. Efficacy and safety of brexpiprazole for the treatment of acute schizophrenia: a 6-week randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Am J Psychiatry 2015;172(9):870–80.

Kane JM, Skuban A, Ouyang J, et al. A multicenter, randomized, double-blind, controlled phase 3 trial of fixed-dose brexpiprazole for the treatment of adults with acute schizophrenia. Schizophr Res 2015;164(1–3):127–35.

Maeda K, Lerdrup L, Sugino H, et al. Brexpiprazole II: antipsychotic-like and procognitive effects of a novel serotonin-dopamine activity modulator. J Pharmacol Exp Ther 2014;350(3):605–14.

Oosterhof CA, El Mansari M, Blier P. Acute effects of brexpiprazole on serotonin, dopamine, and norepinephrine systems: an in vivo electrophysiologic characterization. J Pharmacol Exp Ther 2014;351(3):585–95.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl