Ver também
Terapêutica
Nomes comerciais:
- Referência: Tegretol® (Novartis)
- Similar: Tegretard (Cristália); Tegrezin (Cazi); Teucarba (Teuto); Uni-Carbamaz (União Química)
- Genérico: Carbamazepina (Aché; Brainfarma; Cristália; EMS; Fundação Ezequiel Elias; Medley; Novartis; Sanval Teuto; União Química)
Apresentações:
- Comprimido simples de 200 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Tegretol®; Tegretard; Tegrezin; Teucarba; Uni-Carbamaz; Brainfarma; Cristália; EMS; Medley; Novartis; Sanval; Teuto
- 30 cp: Tegretol®; Teucarba; Uni-Carbamaz; Aché; Brainfarma; Medley; Teuto; União Qímica
- 50 cp: Teucarba; Teuto
- 60 cp: Tegretol®; Teucarba; Medley; Novartis
- 100* cp: Teucarba; Medley
- 200* cp: Tegretol®; Tegretard; Tegrezin; Teucarba; Uni-Carbamaz; Brainfarma; Cristália; Medley
- 500* cp: Tegrezin; Teucarba; Aché; Medley; Sanval; Teuto
- Comprimido simples de 400 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Tegretol®; Tegretard; Teucarba; Cristália; EMS; Medley; Novartis; Teuto
- 30 cp: Tegretol®; Teucarba; Medley; Teuto
- 50 cp: Teucarba; Medley
- 60 cp: Tegretol®; Novartis; Teuto
- 100* cp: Teucarba; Medley;
- 200* cp: Tegretard; Tegrezin; Teucarba; Cristália; Medley
- 500* cp: Teucarba; Medley; Teuto
- Suspensão oral de 20 mg/mL – Frasco com:
- 100 mL: Tegretol®; Uni-cabamaz; Novartis; União Química
- Comprimido de liberação prolongada de 200 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Tegretol®; Novartis
- 60 cp: Tegretol®; Novartis
- Comprimido de liberação prolongada de 400 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Tegretol®; Novartis
- 60 cp: Tegretol®; Novartis
*Embalagem hospitalar
Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*
Classe
- Nomenclatura baseada na neurociência: bloqueador dos canais de sódio e cálcio dependentes de voltagem do glutamato (BC-Glu)
- Anticonvulsivante, antineurálgico para dor crônica, antagonista dos canais de sódio sensíveis a voltagem
Comumente prescrita para
(em negrito, as aprovações da FDA)
- Convulsões parciais com sintomatologia complexa
- Convulsões tônico-clônicas generalizadas (grande mal)
- Padrões de convulsão mistos
- Dor associada a neuralgia do nervo trigêmeo verdadeiro
- Mania aguda/mania mista (Equetro)
- Neuralgia glossofaríngea
- Depressão bipolar
- Manutenção bipolar
- Psicose, esquizofrenia (adjunto)
Principais sintomas-alvo
- Incidência de convulsões
- Humor instável, especialmente mania
- Dor
Como a substância atua
- Atua como um bloqueador dependente do uso de canais de sódio sensíveis a voltagem
- Interage com a conformação do canal aberto dos canais de sódio sensíveis a voltagem
- Interage em um sítio específico da subunidade alfa formadora de poros dos canais de sódio sensíveis a voltagem
- Inibe a liberação de glutamato
Tempo para início da ação
- Para mania aguda, os efeitos devem ocorrer dentro de algumas semanas
- Pode levar várias semanas até meses para otimizar um efeito na estabilização do humor
- Deve reduzir as convulsões em 2 semanas
Se funcionar
- O objetivo do tratamento é a completa remissão dos sintomas (p. ex., convulsões, mania, dor)
- Continuar o tratamento até que todos os sintomas tenham desaparecido ou até que a melhora seja estável, e depois continuar tratando indefinidamente enquanto persistir a melhora
- Continuar o tratamento indefinidamente para evitar recorrência de mania e convulsões
- O tratamento de dor neuropática crônica na maioria das vezes reduz, mas não elimina a dor e não é uma cura, já que os sintomas costumam recorrer depois que o medicamento é interrompido
Se não funcionar (para transtorno bipolar)
- Muitos pacientes têm apenas uma resposta parcial, em que alguns sintomas são melhorados, mas outros persistem ou continuam a oscilar sem estabilização do humor
- Outros pacientes podem ser não respondedores, sendo algumas vezes chamados de resistentes ou refratários ao tratamento
- Considerar aumento da dose, troca por outro agente ou o acréscimo de um agente de potencialização apropriado
- Considerar o acréscimo de psicoterapia
- Considerar biofeedback ou hipnose para dor
- Para transtorno bipolar, considerar a ocorrência de não adesão e aconselhar o paciente
- Trocar por outro estabilizador do humor com menos efeitos colaterais ou por carbamazepina de liberação prolongada
- Considerar avaliação para outro diagnóstico ou para uma condição comórbida (p. ex., doença clínica, abuso de substância, etc.)
Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento
- Lítio
- Antipsicóticos atípicos (especialmente risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona e aripiprazol)
- Valproato (carbamazepina pode diminuir os níveis de valproato)
- Lamotrigina (carbamazepina pode diminuir os níveis de lamotrigina)
- Antidepressivos (com cautela, porque podem desestabilizar o humor em alguns pacientes, incluindo indução de ciclagem rápida ou ideação suicida; em particular, considerar bupropiona; também ISRSs, IRSNs, outros; em geral evitar ADTs, IMAOs)
Dosagem e uso
Variação típica da dose
- 400 a 1.200 mg/dia
- Menos de 6 anos: 10 a 20 mg/kg por dia
Como dosar
- Para transtorno bipolar e convulsões (acima dos 13 anos): dose inicial de 200 mg 2 vezes ao dia (comprimido) ou 1 colher de chá (100 mg) 4 vezes ao dia (suspensão); a cada semana aumentar até 200 mg/dia em doses divididas (2 doses para formulação de liberação prolongada, 3 a 4 doses para outros comprimidos); dose máxima geralmente de 1.200 mg/dia para adultos e de 1.000 mg/dia para crianças com menos de 15 anos; dose de manutenção geralmente de 800 a 1.200 mg/dia para adultos; alguns pacientes podem requerer até 1.600 mg/dia
- Convulsões (menos de 13 anos): ver a seção Crianças e adolescentes
- Neuralgia do trigêmeo: dose inicial de 100 mg 2 vezes ao dia (comprimido) ou meia colher de chá (50 mg) 4 vezes ao dia; a cada semana aumentar até 200 mg/dia em doses divididas (100 mg a cada 12 horas para formulações em comprimido, 50 mg 4 vezes ao dia para formulação em suspensão); dose máxima geralmente de 1.200 mg/dia
- Devem ser utilizadas dose inicial mais baixa e titulação mais lenta para suspensão de carbamazepina
Dicas de dosagem
- Ocorrem níveis de pico mais elevados com a formulação em suspensão do que com a mesma dose da formulação em comprimido, portanto a suspensão em geral deve ser iniciada com uma dose menor e titulada lentamente
- Ingerir carbamazepina com alimentos para evitar efeitos gastrintestinais
- A titulação lenta da dose pode retardar o início da ação terapêutica, mas melhora a tolerabilidade aos efeitos sedativos
- Formulações de liberação controlada (p. ex., Equetro, Carbatrol) podem reduzir significativamente a sedação e outros efeitos colaterais no SNC
- Deve ser titulada lentamente na presença de outros agentes sedativos, como outros anticonvulsivantes, para melhor tolerar os efeitos colaterais sedativos aditivos
- Às vezes, pode-se minimizar o impacto da carbamazepina sobre a medula óssea dosando lentamente e monitorando com atenção ao iniciar o tratamento; a tendência inicial a leucopenia/neutropenia pode ser revertida com o tempo com a dosagem conservadora continuada e permitir subsequentes incrementos na dosagem mediante monitoramento atento
- Com o tempo a carbamazepina frequentemente requer um ajuste ascendente da dosagem, pois a substância induz seu próprio metabolismo, dessa maneira reduzindo seus próprios níveis plasmáticos durante as primeiras semanas de tratamento
- Não quebrar ou mastigar comprimidos de carbamazepina de liberação prolongada, pois isso irá alterar as propriedades de liberação controlada
Overdose
- Pode ser fatal (a dose fatal mais baixa em adultos é 3,2 g, em adolescentes é 4 g e em crianças é 1,6 g); náusea, vômitos, movimentos involuntários, batimento cardíaco irregular, retenção urinária, respiração dificultosa, sedação, coma
Uso prolongado
- Pode diminuir o impulso sexual
- Pode ser necessário o monitoramento das funções hepática, renal e da tireoide, hemograma e sódio
Formação de hábito
- Não
Como interromper
- Reduzir a dose gradualmente; poderá ser necessário ajustar a dose das medicações concomitantes quando a carbamazepina estiver sendo descontinuada
- A descontinuação rápida pode aumentar o risco de recaída no transtorno bipolar
- Pacientes com epilepsia podem convulsionar com a retirada, especialmente se abrupta
- Sintomas de descontinuação incomuns
Farmacocinética
- Metabolizada no fígado, principalmente por CYP450 3A4
- Excretada por via renal
- Metabólito ativo (10,11-epóxido-carbamazepina)
- Meia-vida inicial de 26 a 65 horas (35 a 40 horas para formulação de liberação prolongada); meia-vida de 12 a 17 horas com doses repetidas
- A meia-vida do metabólito ativo é de aproximadamente 34 horas
- É não só um substrato para CYP450 3A4, mas também um indutor de CYP450 3A4
- Assim, a carbamazepina induz seu próprio metabolismo, frequentemente requerendo um ajuste ascendente da dosagem
- Também é um indutor de CYP450 2C9 e indutor fraco de 1A2 e 2C19
- Alimentos não afetam a absorção
Mecanismos de interações medicamentosas
- Substâncias anticonvulsivantes indutoras enzimáticas (a própria carbamazepina, além de fenobarbital, fenitoína e primidona) podem aumentar a eliminação de carbamazepina e diminuir seus níveis plasmáticos
- Indutores de CYP450 3A4, como a própria carbamazepina, podem diminuir os níveis plasmáticos de carbamazepina
- Inibidores de CYP450 3A4, como nefazodona, fluvoxamina e fluoxetina, podem aumentar os níveis plasmáticos de carbamazepina
- A carbamazepina pode aumentar os níveis plasmáticos de clomipramina, fenitoína, primidona
- A carbamazepina pode diminuir os níveis plasmáticos de acetaminofeno, clozapina, benzodiazepínicos, dicumarol, doxiciclina, teofilina, varfarina e haloperidol, bem como de outros anticonvulsivantes como fensuximida, metossuximida, etossuximida, fenitoína, tiagabina, topiramato, lamotrigina e valproato
- A carbamazepina pode diminuir os níveis plasmáticos de contraceptivos hormonais e afetar de forma adversa a sua eficácia
- O uso combinado de carbamazepina com outros anticonvulsivantes pode levar a função alterada da tireoide
- O uso combinado de carbamazepina e lítio pode aumentar o risco de efeitos neurotóxicos
- Os efeitos depressores são aumentados por outros depressores do SNC (álcool, IMAOs, outros anticonvulsivantes, etc.)
- O uso combinado de suspensão de carbamazepina com formulações líquidas de clorpromazina demonstrou resultar em excreção de um precipitado emborrachado alaranjado; por isso, o uso combinado de suspensão de carbamazepina com algum medicamento líquido não é recomendado
Outras advertências/precauções
- Os pacientes devem ser monitorados cuidadosamente para sinais de sangramento incomum ou hematomas, feridas na boca, infecções, febre ou dor de garganta, pois o risco de anemia aplástica e agranulocitose com o uso de carbamazepina é 5 a 8 vezes maior do que na população em geral (o risco na população em geral não tratada é de 6 pacientes por 1 milhão por ano para agranulocitose e 2 pacientes por 1 milhão por ano para anemia aplástica)
- Como a carbamazepina tem uma estrutura química tricíclica, usar com cautela com IMAOs, incluindo 14 dias após interrompê-los (para o especialista)
- Pode exacerbar glaucoma de ângulo fechado
- Como a carbamazepina pode diminuir os níveis plasmáticos de contraceptivos hormonais, ela também pode reduzir sua eficácia
- Pode ser preciso restringir a ingestão de líquidos devido ao risco de desenvolvimento da síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético, hiponatremia e suas complicações
- Usar com cautela em pacientes com transtornos convulsivos mistos que incluem crises de ausência atípicas porque a carbamazepina foi associada a frequência aumentada de convulsões generalizadas nesses pacientes
- Indivíduos com o alelo HLA-B*1502 têm risco aumentado de desenvolver a síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica
- Alertar pacientes e seus cuidadores sobre a possibilidade de ativação de ideação suicida e aconselhá-los a relatar imediatamente esses efeitos colaterais
Não usar
- Se o paciente tiver história de supressão da medula óssea
- Se o paciente testar positivo para o alelo HLA-B*1502
- Se houver uma alergia comprovada a algum composto tricíclico
- Se houver uma alergia comprovada à carbamazepina
- Suspensão: em pacientes com problemas hereditários com intolerância à frutose
Potenciais vantagens e desvantagens
Potenciais vantagens
- Transtornos bipolar e psicótico resistentes ao tratamento
Potenciais desvantagens
- Pacientes que não desejam ou não conseguem aderir à testagem sanguínea e ao monitoramento atento
- Pacientes que não conseguem tolerar sedação
- Pacientes grávidas
Dicas
- A carbamazepina foi o primeiro anticonvulsivante amplamente utilizado para o tratamento de transtorno bipolar e agora tem aprovação formal para mania aguda e mania mista
- Uma formulação de liberação prolongada tem melhores evidências de eficácia e melhor tolerabilidade em transtorno bipolar do que a carbamazepina de liberação imediata
- A frequência da dosagem, bem como sedação, diplopia, confusão e ataxia podem ser reduzidas com a carbamazepina de liberação prolongada
- O risco de efeitos colaterais sérios é maior nos primeiros meses de tratamento
- Efeitos colaterais comuns, como sedação, frequentemente desaparecem depois de alguns meses
- Pode ser efetiva em pacientes que não respondem a lítio ou outros estabilizadores do humor
- Pode ser eficaz para a fase depressiva de transtorno bipolar e para manutenção no transtorno bipolar
- Pode ser complicado usar com medicações concomitantes
Referência
Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.
Leituras sugeridas
Leucht S, McGrath J, White P, Kissling W. Carbamazepine for schizophrenia and schizoaffective psychoses. Cochrane Database Syst Rev 2002;(3):CD001258.
Marson AG, Williamson PR, Hutton JL, Clough HE, Chadwick DW. Carbamazepine versus valproate monotherapy for epilepsy. Cochrane Database Syst Rev 2000;(3):CD001030.
Smith LA, Cornelius V, Warnock A, Tacchi MJ, Taylor D. Pharmacological interventions for acute bipolar mania: a systematic review of randomized placebo-controlled trials. Bipolar Disord 2007;9(6):551–60.
Weisler RH, Kalali AH, Ketter TA. A multicenter, randomized, double-blind, placebo-controlled trial of extended-release carbamazepine capsules as monotherapy for bipolar disorder patients with manic or mixed episodes. J Clin Psychiatry 2004;65:478–84.
*Revisão dos nomes comerciais e apresentações
Felipe Mainka
Autores
Stephen M. Stahl