Atomoxetina > Populações especiais

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Gravidez

Poucos estudos avaliaram os efeitos específicos da monoterapia com atomoxetina em desfechos relacionados à gravidez em humanos. Esses estudos não demonstraram associação desse medicamento com desfechos adversos da gravidez, como pré-eclâmpsia, descolamento prematuro da placenta, restrição de crescimento e parto prematuro. Também não existem relatos de anomalias congênitas relacionadas à atomoxetina. Em roedores, altas doses de atomoxetina induziram toxicidade fetal e, com frequência, toxicidade materna. Isso se manifestou pela redução da viabilidade fetal e pós-natal, bem como pela diminuição do crescimento fetal. Devido à escassez de evidências em humanos, o uso de atomoxetina durante a gravidez é desaconselhado. Esse medicamento pertence à categoria C da FDA de risco na gravidez, ou seja, deve ser usado com cuidado se os benefícios da sua utilização superarem os possíveis riscos.1,2

Lactação

Não se sabe ainda se a atomoxetina é excretada no leite materno em humanos e não há dados sobre os efeitos da exposição à atomoxetina na amamentação. Em modelos animais, a atomoxetina é excretada no leite em baixas doses, sugerindo que provavelmente ela também seja excretada no leite humano. O seu uso durante a lactação deve ser avaliado, considerando a necessidade clínica da mãe e os possíveis riscos dessa exposição para a criança.1,2

Crianças

A atomoxetina deve ser evitada em crianças com menos de 6 anos, uma vez que sua eficácia e segurança ainda não foram estabelecidas nessa faixa etária. A administração é segura em pacientes com idade superior a 6 anos. As taxas de crescimento (peso e altura) devem ser monitoradas. A análise conjunta dos ECRs do uso de atomoxetina em crianças e adolescentes sugere maior ocorrência de ideação suicida em comparação ao uso de placebo (0,4 vs. 0%) nas primeiras semanas de tratamento.

Idosos

A segurança, a eficácia e a tolerabilidade ainda não foram estabelecidas para essa população.

Insuficiência hepática

A exposição à atomoxetina é aumentada em indivíduos com insuficiência hepática. As doses inicial e alvo de atomoxetina devem ser reduzidas para 50% da dose normal em pacientes com insuficiência hepática moderada e para 25% da dose normal em pacientes com insuficiência hepática grave.

Insuficiência renal

A exposição sistêmica à atomoxetina em pacientes com insuficiência renal não difere daquela observada em indivíduos saudáveis quando corrigida para a dose de mg/kg. A dose de atomoxetina em pacientes com insuficiência renal deve seguir o regime de dosagem normal.

Insuficiência cardíaca

Devido ao risco de agravar eventos cardiovasculares, o uso de atomoxetina para o tratamento de indivíduos com anormalidades cardíacas clinicamente significativas deve ser avaliado cuidadosamente.

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Ornoy A. Pharmacological treatment of attention deficit hyperactivity disorder during pregnancy and lactation. Pharm Res. 2018;35(3):46. PMID [29411149]
  2. Kittel-Schneider S, Quednow BB, Leutritz AL, McNeill RV, Reif A. Parental ADHD in pregnancy and the postpartum period: a systematic review. Neurosci Biobehav Rev. 2021;124:63-77. PMID [33516734]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Eduardo Schneider Vitola
Eugenio Horacio Grevet
Rafael Gomes Karam