Ver também
Terapêutica
Nomes comerciais:
- Referência: Strattera® (Eli Lilly)
- Similar: não disponível
- Genérico: Apotex; Aurobindo; Dr Reddys; Glenmark; Teva; Zydus
Apresentações: Medicamento com registro Caduco/Cancelado junto à Anvisal. Porém, disponível via importação nas apresentações:
Cápsulas de:
- 10 mg; 18 mg; 25 mg; 40 mg; 60 mg; 80 mg; 100 mg
Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*
Classe
- Nomenclatura baseada na neurociência: inibidor da recaptação de norepinefrina (IRN)
- Inibidor seletivo de recaptação da norepinefrina (ISRN)
Comumente prescrita para
(em negrito, as aprovações da FDA)
- Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos e crianças com mais de 6 anos
- Depressão resistente ao tratamento
Principais sintomas-alvo
- Concentração, capacidade de atenção
- Hiperatividade motora
- Humor depressivo
Como a substância atua
- Estimula o neurotransmissor norepinefrina e também pode aumentar a dopamina no córtex pré-frontal
- Bloqueia as bombas de recaptação de norepinefrina, também conhecidas como transportadores de norepinefrina
- Possivelmente isso aumenta a neurotransmissão noradrenérgica
- Como a dopamina é inativada pela recaptação de norepinefrina no córtex frontal, que em grande parte carece de transportadores de dopamina, a atomoxetina também pode aumentar a neurotransmissão de dopamina nesta parte do cérebro
Tempo para início da ação
- O início da ação terapêutica em TDAH pode ser visto já no primeiro dia de dosagem
- As ações terapêuticas podem continuar a melhorar por 8 a 12 semanas
- Se não estiver funcionando dentro de 6 a 8 semanas, poderá não funcionar
Se funcionar
- O objetivo do tratamento de TDAH é a redução dos sintomas de desatenção, hiperatividade motora e/ou impulsividade que perturbam o funcionamento social, acadêmico e/ou ocupacional
- Continuar o tratamento até que todos os sintomas estejam sob controle ou a melhora seja estável, e depois continuá-lo indefinidamente enquanto persistir a melhora
- Reavaliar periodicamente a necessidade de tratamento
- Tratamento para TDAH iniciado na infância pode precisar ser continuado na adolescência e idade adulta se for documentado benefício contínuo
Se não funcionar
- Considerar o ajuste da dose ou troca por outro agente
- Considerar terapia comportamental
- Considerar a presença de não adesão e aconselhar os pacientes e os pais
- Considerar avaliação para outro diagnóstico ou para uma condição comórbida (p. ex., transtorno bipolar, abuso de substância, doença clínica, etc.)
- Alguns pacientes podem experimentar aparente falta de consistência na eficácia devido à ativação de um transtorno bipolar latente ou subjacente, requerendo descontinuação de atomoxetina e troca por um estabilizador do humor
Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento
- Melhor tentar outras monoterapias antes de potencializar
- ISRSs, IRSNs ou mirtazapina para depressão resistente ao tratamento (usar combinações de antidepressivos com atomoxetina com cautela, pois isso pode teoricamente ativar transtorno bipolar e ideação suicida)
- Estabilizadores do humor ou antipsicóticos atípicos para transtorno bipolar comórbido
- Para o especialista, é possível combinar com modafinila, metilfenidato ou anfetamina para TDAH
Dosagem e uso
Variação típica da dose
- 0,5 a 1,2 mg/kg/dia em crianças de até 70 kg; 40 a 100 mg/dia em adultos
Como dosar
- Para crianças com menos de 70 kg: dose inicial de 0,5 mg/kg por dia; depois de 7 dias, pode ser aumentada para 1,2 mg/kg por dia, uma vez pela manhã ou dividida; dose máxima de 1,4 mg/kg por dia ou 100 mg/dia; o que for menos
- Para adultos e crianças com mais de 70 kg: dose inicial de 40 mg/dia; depois de 7 dias, pode ser aumentada para 80 mg/dia uma vez pela manhã ou dividida; depois de 2 a 4 semanas, pode ser aumentada para 100 mg/dia, se necessário; dose máxima diária de 100 mg
Dicas para dosagem
- Pode ser dada 1 vez ao dia pela manhã
- A eficácia com dosagem de 1 vez ao dia, apesar da meia-vida de 5 horas, sugere que os efeitos terapêuticos persistem além dos efeitos farmacológicos diretos, ao contrário dos estimulantes cujos efeitos costumam estar intimamente relacionados aos níveis plasmáticos da substância
- Dosagem de 1 vez ao dia pode aumentar os efeitos colaterais gastrintestinais
- Uma dosagem inicial menor permite a detecção daqueles pacientes que podem ser especialmente sensíveis a efeitos colaterais como taquicardia e pressão arterial elevada
- Os pacientes especialmente sensíveis aos efeitos colaterais da atomoxetina podem incluir aqueles indivíduos com deficiência da enzima que metaboliza a atomoxetina, CYP450 2D6 (i.e., 7% dos brancos e 2% dos afro-americanos)
- Nesses indivíduos, a substância deve ser titulada lentamente para tolerabilidade e eficácia
- Outros indivíduos podem requerer dose diária total de até 1,8 mg/kg
Overdose
- Não foram relatados óbitos quando em monoterapia; sedação, agitação, hiperatividade, comportamento anormal, sintomas gastrintestinais
Uso prolongado
- Seguro
Formação de hábito
- Não
Como interromper
- Não é necessário reduzir a dose gradualmente
Farmacocinética
- Metabolizada por CYP450 2D6
- Meia-vida de aproximadamente 5 horas
- Alimentos não afetam a absorção
Mecanismos de interações medicamentosas
- O tramadol aumenta o risco de convulsões em pacientes que estão tomando um antidepressivo
- As concentrações plasmáticas de atomoxetina podem ser aumentadas por substâncias que inibem CYP450 2D6 (p. ex., paroxetina, fluoxetina), portanto a dose de atomoxetina pode precisar ser reduzida se for coadministrada
- A coadministração de atomoxetina e albuterol oral ou IV pode levar a aumento na frequência cardíaca e pressão arterial
- A coadministração com metilfenidato não aumenta os efeitos colaterais cardiovasculares além daqueles vistos com metilfenidato isolado
- Utilizar com cautela com IMAOs, incluindo 14 dias depois de os IMAOs terem sido interrompidos (para o especialista)
Outras advertências/precauções
- O crescimento (altura e peso) deve ser monitorado durante o tratamento com atomoxetina; para pacientes que não estão crescendo ou ganhando peso satisfatoriamente, deve ser considerada a interrupção do tratamento
- Utilizar com cautela em pacientes com hipertensão, taquicardia, doença cardiovascular ou doença cerebrovascular
- Utilizar com cautela em pacientes com transtorno bipolar
- Utilizar com cautela em pacientes com retenção urinária, hipertrofia prostática benigna
- Relatos raros de hepatotoxicidade; embora a mortalidade não tenha sido estabelecida, a atomoxetina deve ser descontinuada em pacientes que desenvolvem icterícia ou outra evidência de disfunção hepática significativa
- Utilizar com cautela com substâncias anti-hipertensivas
- Risco aumentado de morte súbita foi relatado em crianças com anormalidades cardíacas estruturais ou outras condições cardíacas sérias
- Ao tratar crianças, ponderar cuidadosamente os riscos e benefícios do tratamento farmacológico em relação aos do não tratamento e documentar isso no prontuário do paciente
- Distribuir brochuras fornecidas pela FDA e pelas companhias farmacêuticas
- Alertar os pacientes e seus cuidadores quanto à possibilidade de efeitos colaterais de ativação e aconselhá-los a relatar esses sintomas imediatamente
- Monitorar os pacientes para a ativação de ideação suicida, especialmente crianças e adolescentes
Não usar
- Se o paciente estiver tomando um IMAO (exceto conforme observado na seção sobre interações medicamentosas)
- Se o paciente tiver feocromocitoma ou história de feocromocitoma
- Se o paciente tiver um transtorno cardiovascular grave que possa se deteriorar com aumentos clinicamente importantes na frequência cardíaca e na pressão arterial
- Se o paciente tiver glaucoma de ângulo fechado
- Se houver alergia comprovada a atomoxetina
Potenciais vantagens e desvantagens
Potenciais vantagens
- Não é conhecido potencial para abuso
Potenciais desvantagens
- Pode não agir tão rapidamente quanto os estimulantes em alguns pacientes quando o tratamento é iniciado
Dicas
- Ao contrário de outros agentes aprovados para TDAH, a atomoxetina não tem potencial para abuso e não é uma substância classificada
- Apesar do nome de inibidor seletivo da recaptação de norepinefrina, a atomoxetina estimula a dopamina e a norepinefrina no córtex frontal, possivelmente explicando suas ações terapêuticas sobre a atenção e a concentração
- Como a dopamina é inativada pela recaptação de norepinefrina no córtex frontal, que em grande parte carece de transportadores da dopamina, a atomoxetina pode aumentar tanto a dopamina como a norepinefrina, possivelmente causando ações terapêuticas no TDAH
- Como a dopamina é inativada pela recaptação desta no nucleus accumbens, que em grande parte carece de transportadores de norepinefrina, a atomoxetina não aumenta a dopamina nessa parte do cérebro, possivelmente explicando por que esse fármaco carece da potencial para abuso
- O mecanismo de ação da atomoxetina conhecido como um inibidor seletivo da recaptação de norepinefrina sugere sua eficácia como antidepressivo
- As ações pró-adrenérgicas podem ser teoricamente úteis para o tratamento de dor crônica
- O mecanismo de ação da atomoxetina e suas ações antidepressivas potenciais sugerem que ela tem potencial para desestabilizar um transtorno bipolar latente ou não diagnosticado, similar às ações conhecidas de antidepressivos comprovados
- Assim, administrar com cautela a pacientes com TDAH que também podem ter transtorno bipolar
- Ao contrário dos estimulantes, a atomoxetina pode não exacerbar os tiques em pacientes com síndrome de Tourette com TDAH comórbido
- Foi observada retenção urinária em homens com mais de 50 anos que apresentavam fluxo urinário limítrofe com o uso de outros agentes com propriedades de bloqueio potente da recaptação de norepinefrina (p. ex., reboxetina, milnaciprano), portanto, administrar atomoxetina com cautela nesses pacientes
- A atomoxetina era originalmente chamada de tomoxetina, mas o nome foi mudado para evitar confusão potencial com tamoxifeno, o que poderia levar a erros no fornecimento da substância
Referência
Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.
Leituras sugeridas
Garnock-Jones KP, Keating GM. Atomoxetine: a review of its use in attention-deficit hyperactivity disorder in children and adolescents. Paediatr Drugs 2009;11(3):203–26.
Kelsey D, Sumner C, Casat C, et al. Once daily atomoxetine treatment for children with attention deficit hyperactivity behavior including an assessment of evening and morning behavior: a double-blind, placebo-controlled trial. Pediatrics 2004;114:el–8.
Michelson D, Adler L L, Spencer T, et al. Atomoxetine in adults with ADHD: two randomized, placebo-controlled studies. Biol Psychiatry 2003;53(2):112–20.
Michelson D, Buitelaar JK, Danckaerts M, et al. Relapse prevention in pediatric patients with ADHD treated with atomoxetine: a randomized, double-blind, placebo-controlled study. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 2004;43(7):896–904.
Stiefel G, Besag FM. Cardiovascular effects of methylphenidate, amphetamines, and atomoxetine in the treatment of attention-deficit hyperactivity disorder. Drug Saf 2010;33(10):821–42.
*Revisão dos nomes comerciais e apresentações
Felipe Mainka
Autores
Stephen M. Stahl