Clorpromazina > Farmacodinâmica e farmacocinética

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Classe, mecanismo de ação e farmacodinâmica

A clorpromazina pertence ao grupo das fenotiazinas alifáticas e é considerada um AP típico de baixa potência, necessitando de doses mais altas para o bloqueio D2. Postula-se que a ação terapêutica se deva ao bloqueio dopaminérgico dos sistemas mesolímbico e mesofrontal, embora a clorpromazina exerça forte bloqueio em todos os subtipos de receptores dopaminérgicos (D1, D2, D3 e D4). Os ECEs da clorpromazina devem-se à ação de bloqueio D2 no sistema nigroestriatal e são de menor intensidade quando comparados aos dos APs de alta potência, como o haloperidol.

A clorpromazina age também em outros receptores, como os muscarínicos, histaminérgicos, noradrenérgicos e serotonérgicos. O forte bloqueio nos receptores α1-adrenérgicos e histaminérgicos é responsável pelos frequentes efeitos colaterais de hipotensão ortostática, taquicardia reflexa, sedação, sonolência e ganho de peso. O bloqueio de receptores colinérgicos (muscarínicos) também é importante, tornando frequentes os efeitos anticolinérgicos durante seu uso.

Farmacocinética

A clorpromazina distribui-se por todos os tecidos e tem metabolismo hepático complexo (mais de 100 metabólitos, alguns com atividade farmacológica significativa). É metabolizada principalmente pela enzima CYP2D6. Após a metabolização, a clorpromazina e seus metabólitos são excretados na urina e nas fezes. Sua meia-vida é de aproximadamente 24 horas, e o equilíbrio das concentrações plasmáticas é alcançado em 2 a 5 dias de tratamento.

A eficácia da clorpromazina foi comprovada no tratamento dos sintomas psicóticos que ocorrem em diversos transtornos, como esquizofrenia, psicoses breves, mania aguda (com sintomas psicóticos), depressão grave, transtorno esquizoafetivo, transtorno delirante, agitação em pacientes com deficiência intelectual e psicoses na infância.

No tratamento da esquizofrenia, a clorpromazina é uma alternativa de baixo custo e efetiva para o controle de sintomas positivos e a prevenção de recaídas, mas com menor eficácia nos sintomas negativos.1 A terapia de manutenção reduz acentuadamente os riscos de recaída nos 12 meses seguintes. Em um estudo de revisão, a clorpromazina pareceu não diferir em eficácia quando comparada ao haloperidol; entretanto, causou menos ECEs e mais hipotensão.2 Em relação à clozapina, não se mostrou superior em termos de rapidez, manutenção da remissão dos sintomas e perfil de efeitos colaterais em pacientes no primeiro episódio da doença.3 Segundo diretriz recente para o tratamento farmacológico do TB, a clorpromazina foi recomendada como terceira linha para tratamento em monoterapia da mania aguda.4

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Adams CE, Rathbone J, Thornley B, Clarke M, Borrill J, Wahlbeck K, et al. Chlorpromazine for schizophrenia: a Cochrane systematic review of 50 years of randomised controlled trials. BMC Med. 2005;3:15. PMID [16229742]
  2. Leucht C, Kitzmantel M, Chua L, Kane J, Leucht S. Haloperidol versus chlorpromazine for schizophrenia. Cochrane Database Syst Rev. 2008;(1):CD004278. PMID [18254045]
  3. Lieberman JA, Phillips M, Gu H, Stroup S, Zhang P, Kong L, et al. Atypical and conventional antipsychotic drugs in treatment-naive first-episode schizophrenia: a 52-week randomized trial of clozapine vs chlorpromazine. Neuropsychopharmacology. 2003;28(5):995-1003. PMID [12700715]
  4. Yatham LN, Kennedy SH, Parikh SV, Schaffer A, Bond DJ, Frey BN, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) and International Society for Bipolar Disorders (ISBD) 2018 guidelines for the management of patients with bipolar disorder. Bipolar Disord. 2018;20(2):97-170. PMID [29536616]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Laura Magalhães Moreira