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Terapêutica
Nomes comerciais:
- Referência: Olcadil® (Novartis)
- Similar: não disponível
- Genérico: Cloxazolam (Eurofarma; Sandoz)
Apresentações:
- Comprimido de 1 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Eurofarma
- 30 cp: Sandoz
- Comprimido de 2 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Olcadil®; Eurofarma
- 30 cp: Olcadil®; Sandoz
- Comprimido de 4 mg – Embalagem com:
- 30 cp: Olcadil®
Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*
Classe
- Benzodiazepínico (BZD) tetracíclico com um anel oxazólico adicional que o diferencia dos demais BZDs (tricíclicos)
- Duas vezes mais potente que o diazepam, embora aparentemente apresente uma ação depressora menor sobre o sistema nervoso central (SNC)
Comumente prescrito para
(em negrito, as aprovações da FDA)
- Tratamento de estados de ansiedade
- Tratamento de distúrbios do sono
- Indução pré-anestésica
- Tratamento da epilepsia refratária (como adjuvante)
Principais sintomas-alvo
- Ansiedade.
Como a substância atua
- O ácido gama-aminobutírico (GABA) é o principal neurotransmissor inibitório do SNC.
- O cloxazolam potencializa o efeito inibitório desse neurotransmissor, modulando a atividade dos receptores GABA A por meio de sua ligação com seu sítio específico (receptores BZDs). Essa ligação altera a conformação desses receptores, aumentando a afinidade do GABA com seus próprios receptores e a frequência da abertura dos canais de cloro, cuja entrada no neurônio é regulada por esse neurotransmissor, promovendo a hiperpolarização da célula.
- O resultado dessa hiperpolarização é um aumento da ação gabaérgica inibitória do SNC.
- Acreditava-se que o sítio de ligação do receptor BZD fosse uma molécula inteiramente diferente daquela do receptor GABA A, mas hoje se considera que seja a mesma em um local diferente.
Tempo para início da ação
- O início da ação ocorre cerca de 30 minutos após sua administração.
Se funcionar
- Após a melhora dos sintomas, a dose pode ser reduzida gradualmente, com acompanhamento médico regular.
Se não funcionar
- A dose diária pode ser aumentada.
- Avaliar e tratar os fatores que contribuem.
- Considerar troca por outro agente ou adição de potencializador.
Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento
- Reduzir a dose ou trocar por outro agente pode ser mais efetivo, já que a maioria dos efeitos colaterais não pode ser melhorada com um agente de acréscimo.
Dosagem e uso
Variação típica da dose
- As doses diárias variam de 1 a 12 mg, em média de 4 a 8 mg.
- Se necessário, pode-se utilizar até 16 mg por dia.
Como dosar
- Iniciar com 1 a 6 mg à noite, dependendo da intensidade do quadro, aumentando a dose de forma progressiva quando necessário.
Dicas para dosagem
- Em geral, o uso deve ser breve, em média de 2 a 3 semanas; no máximo, 8 semanas quando a ansiedade está relacionada a estressores, sendo mais prolongado no transtorno de ansiedade generalizada (4-6 meses).
Overdose
- Os BZDs têm uma margem de segurança relativamente ampla. Os óbitos por ingestão de BZDs isoladamente são raros, e os casos letais, em geral, estão associados à ingestão de outros agentes, como álcool, ADTs e barbitúricos. Os sintomas de intoxicação incluem sonolência, diminuição da consciência e dos reflexos e confusão, podendo evoluir para coma.
Uso prolongado
- Em 3 a 4 dias, em geral, estabelece-se uma tolerância aos efeitos sedativos (sonolência, apatia, fraqueza e fadiga), permanecendo os efeitos ansiolíticos.
Formação de hábito
- Sim
Como interromper
- Após o uso crônico, retirá-lo lentamente (3 meses), para evitar síndrome de abstinência ou ansiedade de rebote.
Farmacocinética
- É lipofílico, e, por isso, sua absorção e seu início de ação são rápidos: o pico de concentração sérica é atingido em 1 hora em adultos (15-30 minutos em crianças).
- A meia-vida é longa: 20 a 90 horas (em média, 40 horas), podendo ser administrado em dose única.
- É metabolizado no fígado, e seus metabólitos também são ativos.
- Sua excreção é feita principalmente pela bile e pelas fezes.
- Apenas 18% da dose oral é excretada pela urina.
- Em geral, atinge-se o equilíbrio dos níveis plasmáticos em 1 a 2 semanas, período após o qual se pode avaliar se a dose deve ser aumentada ou diminuída.
Mecanismos de interações medicamentosas
- Aumento da atividade GABAérgica, depressora do SNC, além de ação anticolinérgica.
- Metabolização hepática.
Outras advertências/precauções
- Alertar o paciente para que tenha cuidado ao dirigir veículos ou operar máquinas perigosas, pois seus reflexos estão diminuídos.
- Deve-se evitar o uso associado de álcool, pois ele potencializa os efeitos sedativos.
- Alcoolistas, pessoas com transtorno por uso de substâncias e com transtornos da personalidade graves costumam abusar de BZDs. Evitar prescrevê-los a tais pacientes.
- O uso deve ser, sempre que possível, breve e intermitente, suspendendo-se o medicamento assim que houver alívio dos sintomas.
Não usar
- Glaucoma de ângulo fechado.
- Insuficiência hepática ou renal.
- Drogadição.
- Insuficiência respiratória ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
- Miastenia gravis.
- Doença de Alzheimer.
- Estados comatosos ou depressão importante do SNC.
- História de hipersensibilidade a derivados BZDs.
Potenciais vantagens e desvantagens
Potenciais vantagens
- Ansiedade.
Potenciais desvantagens
- Dependência e tolerância.
Dicas
- Foi observado efeito sedativo semelhante entre cloxazolam e bromazepam, além de uma ação superior do cloxazolam nas ansiedades psicológica e somática e na redução de sintomas depressivos, além de uma atuação menor como relaxante muscular.
Referências
Conteúdo adaptado e ampliado de Henriques AA, Filippon APM, Padua AC, Kruter BC, Mattevi BS, Gallois CB, et al. Medicamentos: informações básicas. In: Cordioli A, Gallois CB, Isolan L, organizadores. Psicofármacos: consulta rápida. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2015. p. 28-352.
Ansseau M, von Frenckell R. Controlled comparison of two anxiolytic benzodiazepines, cloxazolam and bromazepam. Neuropsychobiology. 1990-91;24(1):25-9.
Kimura N, Fujii T, Miyajima T, Kumada T, Mikuni T, Ito M. Initial and long-term effects of cloxazolam with intractable epilepsy. Pediatr Neurol. 2010;43(6):403-6.
Lavene D, Abriol C, Guerret M, Kiechel JR, Lallemand A, Rulliere R. [Pharmacokinetics of cloxazolam in man, after single and multiple oral doses (author's transl)]. Therapie. 1980;35(4):533-43.
Piedade RAM, Sougey EB, Almeida FJB, Sokolowski A, Knijnik L, Camargo IB, et al. Estudo da eficácia do cloxazolam versus placebo na terapia de estados ansiosos: estudo duplo-cego controlado. J Bras Psiq. 1987;36(3):189-97.
Versiani M. Cloxazolam: revisão bibliográfica. [Monografia]. Barueri: Luitpold Sankyo; 1997.
*Revisão dos nomes comerciais e apresentações
Felipe Mainka
Autores
Rafael Rocha Luzini