Ver também
Terapêutica
Nomes comerciais:
- Referência: Abilify® (Bristol-Myers); Aristab® (Aché); Arpejo® (EMS)
- Similar: Aipri (Cosmed); Aristab (Aché); Biquiz (Supera); Confilify (Sandoz); Harip (Prati Donaduzzi); Kavium (Zydus); Sensaz (Cristália), Toarip (Torrent)
- Genérico: Aripiprazol (Aché; Brainfarma; Merck; Prati Donaduzzi; Sandoz; Unichem; Zydus)
Apresentações:
- Comprimido de 10 mg – Embalagem com:
- 10 cp: Aipri; Aristab; Biquiz; Confilify; Kavium; Sensaz; Toarip; Aché; Brainfarma; Unichem; Zydus
- 15 cp: Harip
- 30 cp: Aipri; Aristab; Biquiz; Confilify; Harip; Kavium; Sensaz; Toarip; Aché; Brainfarma; Merck; Prati Donaduzzi; Sandoz; Unichem; Zydus
- 500* cp: Sensaz
- Comprimido de 15 mg – Embalagem com:
- 10 cp: Aipri; Aristab; Biquiz; Confilify; Kavium; Sensaz; Toarip; Aché; Brainfarma; Unichem; Zydus
- 15 cp: Harip; Prati Donaduzzi
- 30 cp: Aipri; Aristab; Biquiz; Confilify; Harip; Kavium; Sensaz; Toarip; Aché; Brainfarma; Merck; Prati Donaduzzi; Sandoz Unichem; Zydus
- 500* cp: Sensaz
- Comprimido de 20 mg – Embalagem com:
- 10 cp: Confilify; Toarip; Aché
- 15 cp: Harip; Prati Donaduzzi
- 30 cp: Aristab; Confilify; Toarip; Prati Donaduzzi; Sandoz; Unichem
- Comprimido de 30 mg – Embalagem com:
- 10 cp: Confilify; Toarip; Aché
- 30 cp: Aristab; Confilify; Toarip; Prati Donaduzzi; Sandoz; Unichem
- Suspensão oral de 1mg/mL – Frasco com:
- 100 mL: Aristab®
- 150 mL: Aristab®
- Suspensão gotas de 20 mg/mL – Frasco com:
- 30 mL: Arpejo®
*Embalagem hospitalar
Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*
Classe
- Nomenclatura baseada na neurociência: agonista parcial de receptores de dopamina e serotonina (APRDS)
- Agonista parcial da dopamina (estabilizador da dopamina, antipsicótico atípico, antipsicótico de terceira geração; algumas vezes incluído como um antipsicótico de segunda geração; também estabilizador do humor)
Comumente prescrito para
(em negrito, as aprovações da FDA)
- Esquizofrenia (acima dos 13 anos) (Abilify, Abilify Maintena, Aristada)
- Manutenção da estabilidade na esquizofrenia
- Mania aguda/mania mista (acima dos 10 anos; monoterapia e adjunto)
- Manutenção bipolar (monoterapia e adjunto)
- Depressão (adjunto)
- Irritabilidade relacionada a autismo em crianças entre 6 e 17 anos
- Síndrome de Tourette em crianças entre 6 e 18 anos
- Agitação aguda associada a esquizofrenia ou transtorno bipolar (IM)
- Depressão bipolar
- Outros transtornos psicóticos
- Transtornos comportamentais em demências
- Transtornos comportamentais em crianças e adolescentes
- Transtornos associados a problemas com controle dos impulsos
Principais sintomas-alvo
- Sintomas positivos de psicose
- Sintomas negativos de psicose
- Sintomas cognitivos
- Humor instável e depressão
- Sintomas agressivos
Como a substância atua
- Agonismo parcial nos receptores de dopamina 2
- Teoricamente, reduz a produção de dopamina quando as concentrações estão altas, melhorando assim os sintomas positivos e mediando as ações antipsicóticas
- Teoricamente, aumenta a produção de dopamina quando as concentrações estão baixas, melhorando assim sintomas cognitivos, negativos e humor
- As ações nos receptores de dopamina 3 teoricamente podem contribuir para a eficácia de aripiprazol
- O agonismo parcial nos receptores de 5HT1A pode ser relevante em doses clínicas
- O bloqueio dos receptores de serotonina tipo 2A pode contribuir em doses clínicas para estimular a liberação de dopamina em determinadas regiões do cérebro, reduzindo assim os efeitos colaterais motores e possivelmente melhorando os sintomas cognitivos e afetivos
- O bloqueio dos receptores de serotonina tipo 2C e 7 e as ações agonistas parciais nos receptores 5HT1A podem contribuir para ações antidepressivas
Tempo para início da ação
- Os sintomas psicóticos e maníacos podem melhorar dentro de 1 semana, mas pode levar várias semanas para efeito completo no comportamento, bem como na cognição e na estabilização afetiva
- Classicamente recomendado esperar no mínimo de 4 a 6 semanas para determinar a eficácia da substância, mas, na prática, alguns pacientes precisam de até 16 a 20 semanas para apresentar uma boa resposta, especialmente nos sintomas cognitivos
Se funcionar
- Na maioria das vezes, reduz os sintomas positivos na esquizofrenia, mas não os elimina
- Pode melhorar os sintomas negativos, bem como os sintomas agressivos, cognitivos e afetivos na esquizofrenia
- A maioria dos pacientes esquizofrênicos não tem uma remissão total dos sintomas, mas uma redução de aproximadamente um terço
- Talvez de 5 a 15% dos pacientes esquizofrênicos consiga experimentar uma melhora global de mais de 50 a 60%, especialmente quando recebem tratamento estável por mais de 1 ano
- Tais pacientes são considerados super-respondedores ou “awakeners”, já que podem ficar suficientemente bem para obter emprego, viver de forma independente e manter relações de longa duração
- Muitos pacientes bipolares podem experimentar uma redução dos sintomas pela metade ou mais
- Continuar o tratamento até atingir um platô de melhora
- Depois de atingir um platô satisfatório, continuar o tratamento por, no mínimo, 1 ano depois do primeiro episódio de psicose
- Para segundo episódio de psicose e episódios subsequentes, poderá ser necessário tratamento por tempo indefinido
- Mesmo para primeiros episódios de psicose, pode ser preferível continuar o tratamento indefinidamente para evitar episódios posteriores
- O tratamento pode não só reduzir a mania, mas também prevenir recorrências de mania em transtorno bipolar
Se não funcionar
- Tentar outros antipsicóticos atípicos (risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, paliperidona, amissulprida, asenapina, iloperidona, lurasidona)
- Se duas ou mais monoterapias antipsicóticas não funcionarem, considerar clozapina
- Alguns pacientes podem requerer tratamento com um antipsicótico convencional
- Se nenhum antipsicótico de primeira linha for efetivo, considerar doses mais elevadas ou potencialização com valproato ou lamotrigina
- Considerar a não adesão e trocar por outro antipsicótico com menos efeitos colaterais ou por antipsicótico que possa ser dado por injeção depot
- Considerar o início de reabilitação e psicoterapia, como a remediação cognitiva
- Considerar a presença de abuso de substância concomitante
Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento
- Ácido valproico (valproato, divalproex, divalproex ER)
- Outros anticonvulsivantes estabilizadores do humor (carbamazepina, oxcarbazepina, lamotrigina)
- Lítio
- Benzodiazepínicos
Dosagem e uso
Variação típica da dose
- 15 a 30 mg/dia para esquizofrenia e mania
- 2 a 10 mg/dia para potencialização de ISRSs/IRSNs em depressão
- 5 a 15 mg/dia para autismo
- 5 a 20 mg/dia para síndrome de Tourette
- 300 a 400 mg/4 semanas (LAI Maintena; ver seção Formulações depot de Aripiprazol, depois da seção Dicas para dosagem e uso)
- 441 mg, 662 mg ou 882 mg administrados mensalmente ou 882 mg administrados a cada 6 semanas (LAI Aristada; ver Seção Formulações depot de Aripiprazol, depois da Seção Dicas para dosagem e uso)
Como dosar
Oral e IM agudo
- Esquizofrenia, mania: a recomendação inicial aprovada é de 10 a 15 mg/dia; dose máxima aprovada de 30 mg/dia
- Depressão (adjunto): dose inicial de 2 a 5 mg/dia; pode ser aumentada em 5 mg/dia a intervalos de não menos de 1 semana; dose máxima de 15 mg/dia
- Autismo: dose inicial de 2 mg/dia; pode ser aumentada em 5 mg/dia a intervalos de não menos de 1 semana; dose máxima de 15 mg/dia
- Síndrome de Tourette (pacientes pesando menos de 50 kg): dose inicial de 2 mg/dia; depois de 2 dias, aumentar para 5 mg/dia; depois de 1 semana adicional, pode ser aumentada para 10 mg/dia se necessário
- Síndrome de Tourette (pacientes pesando mais de 50 kg): dose inicial de 2 mg/dia; depois de 2 dias, aumentar para 5 mg/dia; após mais 5 dias, pode ser aumentada para 10 mg/dia; pode ser aumentada em 5 mg/dia a intervalos de não menos de 1 semana; dose máxima de 20 mg/dia
- Agitação: 9,75 mg/1,3 mL; máximo de 30 mg/dia
- Depot: deve-se iniciar aripiprazol oral primeiro; depois de estabelecida a tolerabilidade, pode ser administrada injeção inicial com uma dosagem sobreposta de 14 dias (Maintena) ou 21 dias (Aristada) de aripiprazol oral; doses iniciais e de manutenção são descritas nas dicas para dosagem na próxima seção
- Solução oral: doses da solução podem ser substituídas por doses em comprimidos em uma relação de mg por mg até 25 mg; pacientes que recebem comprimidos de 30 mg devem receber solução de 25 mg
Dicas para dosagem
Oral
- Para alguns, menos pode ser mais: com frequência, pacientes não agudamente psicóticos podem precisar receber doses mais baixas (p. ex., de 2,5 a 10 mg/dia) para evitar acatisia e ativação e para tolerabilidade máxima
- Para outros, mais pode ser mais: raramente, os pacientes podem precisar receber doses acima de 30 mg/dia para eficácia ideal
- Considerar a administração de 1 a 5 mg como solução oral para crianças e adolescentes, bem como para adultos muito sensíveis aos efeitos colaterais
- Embora estudos sugiram que pacientes que trocam de outro antipsicótico para aripiprazol podem responder bem com troca rápida ou com titulação cruzada, a experiência clínica sugere que muitos podem responder melhor adicionando uma dose intermediária ou completa de aripiprazol à dose de manutenção do primeiro antipsicótico por pelo menos vários dias, e possivelmente por até 3 ou 4 semanas, antes de desacelerar a titulação de retirada do primeiro antipsicótico. Ver também a seção A arte da troca, a seguir, depois da seção Dicas
- Em vez de aumentar a dose acima desses níveis em pacientes agudamente agitados que requerem ações antipsicóticas agudas, considerar a potencialização com um benzodiazepínico ou antipsicótico convencional, seja por via oral ou intramuscular
- Em vez de aumentar a dose acima desses níveis em respondedores parciais, considerar a potencialização com um anticonvulsivante estabilizador do humor, como valproato ou lamotrigina
- Crianças e idosos em geral devem receber dosagens no extremo inferior do espectro de dosagem
- Devido à sua meia-vida muito longa, o aripiprazol levará mais tempo para atingir um estado estável após iniciada a dosagem e para ser eliminado quando interrompida a dosagem, se comparado a outros antipsicóticos atípicos
- O tratamento deve ser suspenso se a contagem de neutrófilos absolutos cair abaixo de 1.000/mm³
Overdose
- Não foram relatados óbitos; sedação, vômitos
Uso prolongado
- Aprovado para retardar recaída em tratamento de longa duração para esquizofrenia
- Aprovado para manutenção de longo prazo em transtorno bipolar
- Frequentemente usado para manutenção de longo prazo em vários transtornos comportamentais
Formação de hábito
- Não
Como interromper
- Ver a seção A arte da troca sobre agentes individuais para saber como interromper aripiprazol
- A descontinuação rápida teoricamente pode levar a psicose de rebote e piora dos sintomas, porém menos provável com aripiprazol devido à sua meia-vida longa
Farmacocinética
- Metabolizado primariamente por CYP450 2D6 e CYP450 3A4
- Meia-vida de eliminação média: 75 horas (aripiprazol) e 94 horas (principal metabólito, desidro-aripiprazol
- Alimentos não afetam a absorção
Mecanismos de interações medicamentosas
- Cetoconazol e possivelmente outros inibidores de CYP450 3A4, como nefazodona, fluvoxamina e fluoxetina, podem aumentar os níveis plasmáticos de aripiprazol
- Carbamazepina e possivelmente outros indutores de CYP450 3A4 podem reduzir os níveis plasmáticos de aripiprazol
- Quinidina e possivelmente outros inibidores de CYP450 2D6, como paroxetina, fluoxetina e duloxetina, podem aumentar os níveis plasmáticos de aripiprazol
- O aripiprazol pode intensificar os efeitos de substâncias anti-hipertensivas
- O aripiprazol pode antagonizar levodopa, agonistas dopaminérgicos
Outras advertências/precauções
- Foram relatados problemas com controle dos impulsos em pacientes que tomam aripiprazol, incluindo jogo, compras, comer e atividade sexual compulsivos; usar com cautela quando prescrever para indivíduos com alto risco de problemas de controle dos impulsos (p. ex., pacientes com transtorno bipolar, personalidade impulsiva, transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos relacionados a substâncias) e monitorar todos quanto à emergência desses sintomas; a dose deve ser reduzida ou descontinuada caso se manifestem problemas com controle dos impulsos
- Usar com cautela em pacientes com condições que predispõem à hipotensão (desidratação, calor excessivo)
- Disfagia foi associada ao uso de antipsicóticos, e o aripiprazol deve ser utilizado com cautela em pacientes com risco de pneumonia por aspiração
Não usar
- Se houver uma alergia comprovada a aripiprazol
Potenciais vantagens e desvantagens
Potenciais vantagens
- Alguns casos de psicose e transtorno bipolar refratários ao tratamento com outros antipsicóticos
- Pacientes preocupados com ganho de peso e aqueles que já apresentam obesidade ou sobrepeso
- Pacientes com diabetes
- Pacientes com dislipidemia (especialmente triglicerídeos elevados)
- Pacientes que requerem início rápido de ação antipsicótica sem titulação da dosagem
- Pacientes que desejam evitar sedação
Potenciais desvantagens
- Pacientes cuja sedação é desejada
- Pode ser mais difícil dosar em crianças, idosos ou em usos “off-label”
Dicas
- Aprovado como tratamento adjunto para depressão (p. ex., com ISRSs, IRSNs)
- Pode funcionar melhor na faixa de 2 a 10 mg/dia do que em doses mais elevadas para potencialização de ISRSs/IRSNs em depressão unipolar resistente ao tratamento
- Frequentemente usado para depressão bipolar como agente de potencialização para lítio, valproato e/ou lamotrigina
- Bem aceito na prática clínica quando se deseja evitar ganho de peso, porque esse feito ocorre menos em comparação à maioria dos outros antipsicóticos
- Bem aceito na prática clínica quando se deseja evitar sedação, porque esse efeito ocorre menos em comparação à maioria dos outros antipsicóticos em todas as doses
- Pode até mesmo ser ativador, o que pode ser reduzido pela diminuição da dose ou início com dose mais baixa
- Caso se deseje sedação, um benzodiazepínico pode ser acrescentado por curta duração no início do tratamento até que os sintomas de agitação e insônia estejam estabilizados, ou intermitentemente, quando necessário
- Pode não apresentar risco de diabetes ou dislipidemia, mas ainda assim é indicado monitoramento
- Relatos informais da sua utilidade em casos de psicoses resistentes ao tratamento
- Tem um perfil de tolerabilidade muito favorável na prática clínica
- Perfil de tolerabilidade favorável levando a usos “off-label” para muitas indicações além de esquizofrenia (p. ex., transtorno bipolar tipo II, incluindo as fases hipomaníaca, mista, de ciclagem rápida e depressiva; depressão resistente ao tratamento; transtornos de ansiedade)
- Uma formulação intramuscular de curta duração está disponível, assim como depot de longa duração
- Não possui propriedades antagonistas de D1, anticolinérgicas e anti-histamínicas, o que pode explicar a relativa ausência de sedação ou efeitos colaterais cognitivos na maioria dos pacientes
- A alta afinidade de aripiprazol com receptores de D2 significa que a combinação com outros antipsicóticos antagonistas de D2 pode reverter suas ações, e, assim, geralmente faz sentido não combinar com outros antipsicóticos
- Uma exceção para isso está no caso de hiperprolactinemia ou galactorreia, quando mesmo a administração de uma dose baixa (1 a 5 mg) pode reverter a hiperprolactinemia/galactorreia de outros antipsicóticos, também provando que o aripiprazol interfere nas ações D2 de outros antipsicóticos
- A Abilify Maintena (depot) pode ser particularmente adequada para psicose de início precoce/primeiro episódio de psicose com vistas a reduzir as re-hospitalizações e reforçar a adesão com uma carga relativamente baixa de efeitos colaterais
Formulações Depot
Monoidrato (Maintena) | Lauroxil (Aristada) | |
Veículo | Água | Água |
Tmáx | 6,5 a 7,1 dias | 44,1 a 50,0 dias |
T½ com múltipla dosagem | 29,9 a 46,5 dias | 29,2 a 34,9 dias |
Tempo para atingir estado estável | 4 injeções mensais | |
Capaz de ser abastecido | Não | Não |
Esquema de dosagem (manutenção) | 4 semanas | 4 a 6 semanas |
Local de injeção | Glúteo intramuscular | Injeção intramuscular no deltoide (dose de 441 mg apenas) ou glúteo (441, 662 ou 882 mg) |
Calibre da agulha | 21 | 20 ou 21 |
Formas de dosagem | 300 mg, 400 mg | 441 mg, 662 mg, 882 mg |
Volume de injeção | 200 mg/mL; variação de 0,8 mL (160 mg) a 2 mL (400 mg) | 441 mg/1,6 mL; 662 mg/2,4 mL; 882 mg/3,2 mL |
Variação típica da dose
- 300 a 400 mg/4 semanas (monoidrato de Maintena)
- 441 mg, 662 mg ou 882 mg administrados mensalmente ou 882 mg administrados a cada 6 semanas (lauroxil Aristada)
Como dosar
- Não recomendado para pacientes que inicialmente não demonstraram tolerabilidade a aripiprazol oral (em ensaios clínicos, 2 doses orais ou IM de curta duração costumam ser utilizadas para estabelecer a tolerabilidade)
- O abastecimento não é possível, necessitando de cobertura oral por 14 dias (Maintena) ou 21 dias (Aristada)
- Conversão de oral para Maintena: administrar injeção inicial de 400 mg com uma dosagem sobreposta de aripiprazol oral por 14 dias
- Conversão de oral para Aristada: administrar injeção inicial (441 mg, 662 mg ou 882 mg) com uma dosagem sobreposta de aripiprazol oral por 21 dias
Dicas para dosagem
- Com injeções de longa ação (ILAs), a constante da taxa de absorção é mais lenta do que a de eliminação, resultando em cinética “flip-flop” – isto é, o tempo para o estado de equilíbrio é uma função da taxa de absorção, enquanto a concentração no estado de equilíbrio é uma função da taxa de eliminação
- O passo limitante da taxa para os níveis plasmáticos da substância para ILAs não é o metabolismo da substância, mas a absorção lenta do local da injeção
- Em geral, são necessárias 5 meias-vidas de uma medicação para atingir 97% dos níveis de estado de equilíbrio
- As meias-vidas longas de antipsicóticos depot significam que é preciso carregar a dose adequadamente (se possível) ou fornecer suplementação oral
- A falha em carregar a dose adequadamente leva a titulação cruzada prolongada ou a níveis plasmáticos subterapêuticos do antipsicótico por semanas ou meses em pacientes que não estão recebendo (ou aderindo à) suplementação oral
- Como os níveis plasmáticos de antipsicótico aumentam gradualmente com o tempo, as exigências de dose podem por fim diminuir em relação à dose inicial; a obtenção dos níveis plasmáticos periódicos pode ser benéfica para impedir aumento desnecessário dos níveis plasmáticos
- O momento para obter um nível sanguíneo dos pacientes que estão recebendo ILA é a manhã do dia em que irão receber a injeção seguinte
- Vantagens: refrigeração não necessária; opção de injeções por 6 semanas com Aristada
- Desvantagens: ambas as formulações requerem cobertura oral
- É necessário ajuste redutor da dose para metabolizadores lentos de CYP450 2D6 e pacientes que estão tomando inibidores fortes de CYP450 2D6 ou 3A4, pois isso pode levar a níveis plasmáticos subterapêuticos
Maintena | |||
Dose ajustada para pacientes que tomam 400 mg | Dose ajustada para pacientes que tomam 300 mg | ||
Metabolizadores lentos de 2D6 | 300 mg | N/A | |
Pacientes que tomam inibidores fortes de 2D6 ou 3A4 | 300 mg | 200 mg | |
Metabolizadores lentos de 2D6 tomando inibidores de 3A4 concomitante | 200 mg | N/A | |
Pacientes que tomam inibidores de 2D6 E 3A4 | 200 mg | 160 mg | |
Pacientes que tomam indutores de 3A4 | Evitar | Evitar | |
Aristada | |||
Dose ajustada para pacientes que tomam 441 mg | Dose ajustada para pacientes que tomam 662 mg | Dose ajustada para pacientes que tomam 882 mg | |
Metabolizadores lentos de 2D6 | N/A | N/A | N/A |
Pacientes que tomam inibidores fortes de 2D6 OU 3A4 | N/A | 441 mg | 662 mg |
Metabolizadores lentos de 2D6 que tomam inibidores de 3a4 concomitantes | N/A | 441 mg | 441 mg |
Pacientes que tomam inibidores de 2D6 E 3A4 | N/A | Evitar | Evitar |
Pacientes que tomam indutores de 3A4 | 662 mg | N/A | N/A |
Troca de antipsicóticos orais para formulações depot de aripiprazol
- A descontinuação do antipsicótico oral pode iniciar após a cobertura oral de 14 dias (Maintena) ou 21 dias (Aristada)
- Como descontinuar formulações orais
- Não é necessária titulação descendente para: amissulprida, aripiprazol, brexpiprazol, cariprazina, paliperidona ER
- É necessária titulação descendente por 1 semana para: iloperidona, lurasidona, risperidona, ziprasidona
- É necessária titulação descendente por 3 a 4 semanas para: asenapina, olanzapina, quetiapina
- É necessária titulação descendente por mais de 4 semanas para: clozapina
- Para pacientes que tomam benzodiazepínico ou medicação anticolinérgica, isso pode ser continuado durante a titulação cruzada para ajudar a aliviar efeitos colaterais como insônia, agitação e/ou psicose. Depois que o paciente estiver estável com uma ILAs, esses podem ser reduzidos gradualmente, um por vez, quando apropriado
A arte da troca
Troca de antipsicóticos orais para aripiprazol
- É aconselhável iniciar aripiprazol em dose intermediária e aumentar a dose rapidamente por 3-7 dias
- A experiência clínica tem mostrado que asenapina, quetiapina e olanzapina devem ser reduzidas lentamente por um período de 3 a 4 semanas para permitir que os pacientes se readaptem à retirada dos bloqueadores de receptores colinérgicos, histaminérgicos e alfa-1
- Clozapina deve sempre ser reduzida lentamente por um período de 4 semanas ou mais
- Benzodiazepínico ou medicação anticolinérgica podem ser administrados durante a titulação cruzada para ajudar a aliviar efeitos colaterais como insônia, agitação e/ou psicose
Referência
Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.
Leituras sugeridas
Andrezina R, Josiassen RC, Marcus RN, et al. Intramuscular aripiprazole for the treatment of acute agitation in patients with schizophrenia or schizoaffective disorder: a double--blind, placebo-controlled comparison with intramuscular haloperidol. Psychopharmacology 2006;188(3):281–92.
Citrome L. Adjunctive aripiprazole, olanzapine, or quetiapine for major depressive disorder: an analysis of number needed to treat, number needed to harm, and likelihood to be helped or harmed. Postgrad Med 2010;122(4):39–48.
El-Sayeh HG, Morganti C. Aripiprazole for schizophrenia. Cochrane Database Syst Rev 2006;2:CD004578.
Kane JM, Sanchez R, Perry PP, et al. Aripiprazole intramuscular depot as maintenance treatment in patients with schizophrenia: a 52-week, multicenter, randomized, double-blind, placebo-controlled study. J Clin Psychiatry 2012;73(5):617–24.
Marcus RN, McQuade RD, Carson WH, et al. The effi- cacy and safety of aripiprazole as adjunctive therapy in major depressive disorder: a second multicenter, randomized, double-blind, placebo-controlled study. J Clin Psychopharmacol 2008;28(2):156–65.
Nasrallah HA. Atypical antipsychotic-induced metabolic side effects: insights from receptor-binding profiles. Mol Psychiatry 2008;13(1):27–35.
Smith LA, Cornelius V, Warnock A, Tacchi MJ, Taylor D. Pharmacological interventions for acute bipolar mania: a systematic review of randomized placebo-controlled trials. Bipolar Disord 2007;9(6):551–60.
*Revisão dos nomes comerciais e apresentações
Felipe Mainka
Autores
Stephen M. Stahl