Aripiprazol

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Abilify® (Bristol-Myers); Aristab® (Aché); Arpejo® (EMS)
  • Similar: Aipri (Cosmed); Aristab (Aché); Biquiz (Supera); Confilify (Sandoz); Harip (Prati Donaduzzi); Kavium (Zydus); Sensaz (Cristália), Toarip (Torrent)
  • Genérico: Aripiprazol (Aché; Brainfarma; Merck; Prati Donaduzzi; Sandoz; Unichem; Zydus)

Apresentações:

  • Comprimido de 10 mg – Embalagem com:
    • 10 cp: Aipri; Aristab; Biquiz; Confilify; Kavium; Sensaz; Toarip; Aché; Brainfarma; Unichem; Zydus
    • 15 cp: Harip
    • 30 cp: Aipri; Aristab; Biquiz; Confilify; Harip; Kavium; Sensaz; Toarip; Aché; Brainfarma; Merck; Prati Donaduzzi; Sandoz; Unichem; Zydus
    • 500* cp: Sensaz
  • Comprimido de 15 mg – Embalagem com:
    • 10 cp: Aipri; Aristab; Biquiz; Confilify; Kavium; Sensaz; Toarip; Aché; Brainfarma; Unichem; Zydus
    • 15 cp: Harip; Prati Donaduzzi
    • 30 cp: Aipri; Aristab; Biquiz; Confilify; Harip; Kavium; Sensaz; Toarip; Aché; Brainfarma; Merck; Prati Donaduzzi; Sandoz Unichem; Zydus
    • 500* cp: Sensaz
  • Comprimido de 20 mg – Embalagem com:
    • 10 cp: Confilify; Toarip; Aché 
    • 15 cp: Harip; Prati Donaduzzi
    • 30 cp: Aristab; Confilify; Toarip; Prati Donaduzzi; Sandoz; Unichem
  • Comprimido de 30 mg – Embalagem com:
    • 10 cp: Confilify; Toarip; Aché
    • 30 cp: Aristab; Confilify; Toarip; Prati Donaduzzi; Sandoz; Unichem
  • Suspensão oral de 1mg/mL – Frasco com:
    • 100 mL: Aristab®
    • 150 mL: Aristab®
  • Suspensão gotas de 20 mg/mL – Frasco com:
    • 30 mL: Arpejo®

*Embalagem hospitalar

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Nomenclatura baseada na neurociência: agonista parcial de receptores de dopamina e serotonina (APRDS)
  • Agonista parcial da dopamina (estabilizador da dopamina, antipsicótico atípico, antipsicótico de terceira geração; algumas vezes incluído como um antipsicótico de segunda geração; também estabilizador do humor)

Comumente prescrito para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Esquizofrenia (acima dos 13 anos) (Abilify, Abilify Maintena, Aristada)
  • Manutenção da estabilidade na esquizofrenia
  • Mania aguda/mania mista (acima dos 10 anos; monoterapia e adjunto)
  • Manutenção bipolar (monoterapia e adjunto)
  • Depressão (adjunto)
  • Irritabilidade relacionada a autismo em crianças entre 6 e 17 anos
  • Síndrome de Tourette em crianças entre 6 e 18 anos
  • Agitação aguda associada a esquizofrenia ou transtorno bipolar (IM)
  • Depressão bipolar
  • Outros transtornos psicóticos
  • Transtornos comportamentais em demências
  • Transtornos comportamentais em crianças e adolescentes
  • Transtornos associados a problemas com controle dos impulsos

Principais sintomas-alvo

  • Sintomas positivos de psicose
  • Sintomas negativos de psicose
  • Sintomas cognitivos
  • Humor instável e depressão
  • Sintomas agressivos

Como a substância atua

  • Agonismo parcial nos receptores de dopamina 2
  • Teoricamente, reduz a produção de dopamina quando as concentrações estão altas, melhorando assim os sintomas positivos e mediando as ações antipsicóticas
  • Teoricamente, aumenta a produção de dopamina quando as concentrações estão baixas, melhorando assim sintomas cognitivos, negativos e humor
  • As ações nos receptores de dopamina 3 teoricamente podem contribuir para a eficácia de aripiprazol
  • O agonismo parcial nos receptores de 5HT1A pode ser relevante em doses clínicas
  • O bloqueio dos receptores de serotonina tipo 2A pode contribuir em doses clínicas para estimular a liberação de dopamina em determinadas regiões do cérebro, reduzindo assim os efeitos colaterais motores e possivelmente melhorando os sintomas cognitivos e afetivos
  • O bloqueio dos receptores de serotonina tipo 2C e 7 e as ações agonistas parciais nos receptores 5HT1A podem contribuir para ações antidepressivas

Tempo para início da ação

  • Os sintomas psicóticos e maníacos podem melhorar dentro de 1 semana, mas pode levar várias semanas para efeito completo no comportamento, bem como na cognição e na estabilização afetiva
  • Classicamente recomendado esperar no mínimo de 4 a 6 semanas para determinar a eficácia da substância, mas, na prática, alguns pacientes precisam de até 16 a 20 semanas para apresentar uma boa resposta, especialmente nos sintomas cognitivos

Se funcionar

  • Na maioria das vezes, reduz os sintomas positivos na esquizofrenia, mas não os elimina
  • Pode melhorar os sintomas negativos, bem como os sintomas agressivos, cognitivos e afetivos na esquizofrenia
  • A maioria dos pacientes esquizofrênicos não tem uma remissão total dos sintomas, mas uma redução de aproximadamente um terço
  • Talvez de 5 a 15% dos pacientes esquizofrênicos consiga experimentar uma melhora global de mais de 50 a 60%, especialmente quando recebem tratamento estável por mais de 1 ano
  • Tais pacientes são considerados super-respondedores ou “awakeners”, já que podem ficar suficientemente bem para obter emprego, viver de forma independente e manter relações de longa duração
  • Muitos pacientes bipolares podem experimentar uma redução dos sintomas pela metade ou mais
  • Continuar o tratamento até atingir um platô de melhora
  • Depois de atingir um platô satisfatório, continuar o tratamento por, no mínimo, 1 ano depois do primeiro episódio de psicose
  • Para segundo episódio de psicose e episódios subsequentes, poderá ser necessário tratamento por tempo indefinido
  • Mesmo para primeiros episódios de psicose, pode ser preferível continuar o tratamento indefinidamente para evitar episódios posteriores
  • O tratamento pode não só reduzir a mania, mas também prevenir recorrências de mania em transtorno bipolar

Se não funcionar

  • Tentar outros antipsicóticos atípicos (risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, paliperidona, amissulprida, asenapina, iloperidona, lurasidona)
  • Se duas ou mais monoterapias antipsicóticas não funcionarem, considerar clozapina
  • Alguns pacientes podem requerer tratamento com um antipsicótico convencional
  • Se nenhum antipsicótico de primeira linha for efetivo, considerar doses mais elevadas ou potencialização com valproato ou lamotrigina
  • Considerar a não adesão e trocar por outro antipsicótico com menos efeitos colaterais ou por antipsicótico que possa ser dado por injeção depot
  • Considerar o início de reabilitação e psicoterapia, como a remediação cognitiva
  • Considerar a presença de abuso de substância concomitante

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Ácido valproico (valproato, divalproex, divalproex ER)
  • Outros anticonvulsivantes estabilizadores do humor (carbamazepina, oxcarbazepina, lamotrigina)
  • Lítio
  • Benzodiazepínicos

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • 15 a 30 mg/dia para esquizofrenia e mania
  • 2 a 10 mg/dia para potencialização de ISRSs/IRSNs em depressão
  • 5 a 15 mg/dia para autismo
  • 5 a 20 mg/dia para síndrome de Tourette
  • 300 a 400 mg/4 semanas (LAI Maintena; ver seção Formulações depot de Aripiprazol, depois da seção Dicas para dosagem e uso)
  • 441 mg, 662 mg ou 882 mg administrados mensalmente ou 882 mg administrados a cada 6 semanas (LAI Aristada; ver Seção Formulações depot de Aripiprazol, depois da Seção Dicas para dosagem e uso)

Como dosar

Oral e IM agudo

  • Esquizofrenia, mania: a recomendação inicial aprovada é de 10 a 15 mg/dia; dose máxima aprovada de 30 mg/dia
  • Depressão (adjunto): dose inicial de 2 a 5 mg/dia; pode ser aumentada em 5 mg/dia a intervalos de não menos de 1 semana; dose máxima de 15 mg/dia
  • Autismo: dose inicial de 2 mg/dia; pode ser aumentada em 5 mg/dia a intervalos de não menos de 1 semana; dose máxima de 15 mg/dia
  • Síndrome de Tourette (pacientes pesando menos de 50 kg): dose inicial de 2 mg/dia; depois de 2 dias, aumentar para 5 mg/dia; depois de 1 semana adicional, pode ser aumentada para 10 mg/dia se necessário
  • Síndrome de Tourette (pacientes pesando mais de 50 kg): dose inicial de 2 mg/dia; depois de 2 dias, aumentar para 5 mg/dia; após mais 5 dias, pode ser aumentada para 10 mg/dia; pode ser aumentada em 5 mg/dia a intervalos de não menos de 1 semana; dose máxima de 20 mg/dia
  • Agitação: 9,75 mg/1,3 mL; máximo de 30 mg/dia
  • Depot: deve-se iniciar aripiprazol oral primeiro; depois de estabelecida a tolerabilidade, pode ser administrada injeção inicial com uma dosagem sobreposta de 14 dias (Maintena) ou 21 dias (Aristada) de aripiprazol oral; doses iniciais e de manutenção são descritas nas dicas para dosagem na próxima seção
  • Solução oral: doses da solução podem ser substituídas por doses em comprimidos em uma relação de mg por mg até 25 mg; pacientes que recebem comprimidos de 30 mg devem receber solução de 25 mg

Dicas para dosagem

Oral

  • Para alguns, menos pode ser mais: com frequência, pacientes não agudamente psicóticos podem precisar receber doses mais baixas (p. ex., de 2,5 a 10 mg/dia) para evitar acatisia e ativação e para tolerabilidade máxima
  • Para outros, mais pode ser mais: raramente, os pacientes podem precisar receber doses acima de 30 mg/dia para eficácia ideal
  • Considerar a administração de 1 a 5 mg como solução oral para crianças e adolescentes, bem como para adultos muito sensíveis aos efeitos colaterais
  • Embora estudos sugiram que pacientes que trocam de outro antipsicótico para aripiprazol podem responder bem com troca rápida ou com titulação cruzada, a experiência clínica sugere que muitos podem responder melhor adicionando uma dose intermediária ou completa de aripiprazol à dose de manutenção do primeiro antipsicótico por pelo menos vários dias, e possivelmente por até 3 ou 4 semanas, antes de desacelerar a titulação de retirada do primeiro antipsicótico. Ver também a seção A arte da troca, a seguir, depois da seção Dicas
  • Em vez de aumentar a dose acima desses níveis em pacientes agudamente agitados que requerem ações antipsicóticas agudas, considerar a potencialização com um benzodiazepínico ou antipsicótico convencional, seja por via oral ou intramuscular
  • Em vez de aumentar a dose acima desses níveis em respondedores parciais, considerar a potencialização com um anticonvulsivante estabilizador do humor, como valproato ou lamotrigina
  • Crianças e idosos em geral devem receber dosagens no extremo inferior do espectro de dosagem
  • Devido à sua meia-vida muito longa, o aripiprazol levará mais tempo para atingir um estado estável após iniciada a dosagem e para ser eliminado quando interrompida a dosagem, se comparado a outros antipsicóticos atípicos
  • O tratamento deve ser suspenso se a contagem de neutrófilos absolutos cair abaixo de 1.000/mm³

Overdose

  • Não foram relatados óbitos; sedação, vômitos

Uso prolongado

  • Aprovado para retardar recaída em tratamento de longa duração para esquizofrenia
  • Aprovado para manutenção de longo prazo em transtorno bipolar
  • Frequentemente usado para manutenção de longo prazo em vários transtornos comportamentais

Formação de hábito

  • Não

Como interromper

  • Ver a seção A arte da troca sobre agentes individuais para saber como interromper aripiprazol
  • A descontinuação rápida teoricamente pode levar a psicose de rebote e piora dos sintomas, porém menos provável com aripiprazol devido à sua meia-vida longa

Farmacocinética

  • Metabolizado primariamente por CYP450 2D6 e CYP450 3A4
  • Meia-vida de eliminação média: 75 horas (aripiprazol) e 94 horas (principal metabólito, desidro-aripiprazol
  • Alimentos não afetam a absorção

Mecanismos de interações medicamentosas

  • Cetoconazol e possivelmente outros inibidores de CYP450 3A4, como nefazodona, fluvoxamina e fluoxetina, podem aumentar os níveis plasmáticos de aripiprazol
  • Carbamazepina e possivelmente outros indutores de CYP450 3A4 podem reduzir os níveis plasmáticos de aripiprazol
  • Quinidina e possivelmente outros inibidores de CYP450 2D6, como paroxetina, fluoxetina e duloxetina, podem aumentar os níveis plasmáticos de aripiprazol
  • O aripiprazol pode intensificar os efeitos de substâncias anti-hipertensivas
  • O aripiprazol pode antagonizar levodopa, agonistas dopaminérgicos

Outras advertências/precauções

  • Foram relatados problemas com controle dos impulsos em pacientes que tomam aripiprazol, incluindo jogo, compras, comer e atividade sexual compulsivos; usar com cautela quando prescrever para indivíduos com alto risco de problemas de controle dos impulsos (p. ex., pacientes com transtorno bipolar, personalidade impulsiva, transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos relacionados a substâncias) e monitorar todos quanto à emergência desses sintomas; a dose deve ser reduzida ou descontinuada caso se manifestem problemas com controle dos impulsos
  • Usar com cautela em pacientes com condições que predispõem à hipotensão (desidratação, calor excessivo)
  • Disfagia foi associada ao uso de antipsicóticos, e o aripiprazol deve ser utilizado com cautela em pacientes com risco de pneumonia por aspiração

Não usar

  • Se houver uma alergia comprovada a aripiprazol

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Alguns casos de psicose e transtorno bipolar refratários ao tratamento com outros antipsicóticos
  • Pacientes preocupados com ganho de peso e aqueles que já apresentam obesidade ou sobrepeso
  • Pacientes com diabetes
  • Pacientes com dislipidemia (especialmente triglicerídeos elevados)
  • Pacientes que requerem início rápido de ação antipsicótica sem titulação da dosagem
  • Pacientes que desejam evitar sedação

Potenciais desvantagens

  • Pacientes cuja sedação é desejada
  • Pode ser mais difícil dosar em crianças, idosos ou em usos “off-label”

Dicas

  • Aprovado como tratamento adjunto para depressão (p. ex., com ISRSs, IRSNs)
  • Pode funcionar melhor na faixa de 2 a 10 mg/dia do que em doses mais elevadas para potencialização de ISRSs/IRSNs em depressão unipolar resistente ao tratamento
  • Frequentemente usado para depressão bipolar como agente de potencialização para lítio, valproato e/ou lamotrigina
  • Bem aceito na prática clínica quando se deseja evitar ganho de peso, porque esse feito ocorre menos em comparação à maioria dos outros antipsicóticos
  • Bem aceito na prática clínica quando se deseja evitar sedação, porque esse efeito ocorre menos em comparação à maioria dos outros antipsicóticos em todas as doses
  • Pode até mesmo ser ativador, o que pode ser reduzido pela diminuição da dose ou início com dose mais baixa
  • Caso se deseje sedação, um benzodiazepínico pode ser acrescentado por curta duração no início do tratamento até que os sintomas de agitação e insônia estejam estabilizados, ou intermitentemente, quando necessário
  • Pode não apresentar risco de diabetes ou dislipidemia, mas ainda assim é indicado monitoramento
  • Relatos informais da sua utilidade em casos de psicoses resistentes ao tratamento
  • Tem um perfil de tolerabilidade muito favorável na prática clínica
  • Perfil de tolerabilidade favorável levando a usos “off-label” para muitas indicações além de esquizofrenia (p. ex., transtorno bipolar tipo II, incluindo as fases hipomaníaca, mista, de ciclagem rápida e depressiva; depressão resistente ao tratamento; transtornos de ansiedade)
  • Uma formulação intramuscular de curta duração está disponível, assim como depot de longa duração
  • Não possui propriedades antagonistas de D1, anticolinérgicas e anti-histamínicas, o que pode explicar a relativa ausência de sedação ou efeitos colaterais cognitivos na maioria dos pacientes
  • A alta afinidade de aripiprazol com receptores de D2 significa que a combinação com outros antipsicóticos antagonistas de D2 pode reverter suas ações, e, assim, geralmente faz sentido não combinar com outros antipsicóticos
  • Uma exceção para isso está no caso de hiperprolactinemia ou galactorreia, quando mesmo a administração de uma dose baixa (1 a 5 mg) pode reverter a hiperprolactinemia/galactorreia de outros antipsicóticos, também provando que o aripiprazol interfere nas ações D2 de outros antipsicóticos
  • A Abilify Maintena (depot) pode ser particularmente adequada para psicose de início precoce/primeiro episódio de psicose com vistas a reduzir as re-hospitalizações e reforçar a adesão com uma carga relativamente baixa de efeitos colaterais

Formulações Depot


Monoidrato (Maintena)

Lauroxil (Aristada)

Veículo

Água

Água

Tmáx

6,5 a 7,1 dias

44,1 a 50,0 dias

T½ com múltipla dosagem

29,9 a 46,5 dias

29,2 a 34,9 dias

Tempo para atingir estado estável


4 injeções mensais

Capaz de ser abastecido

Não

Não

Esquema de dosagem (manutenção)

4 semanas

4 a 6 semanas

Local de injeção

Glúteo intramuscular

Injeção intramuscular no deltoide (dose de 441 mg apenas) ou glúteo (441, 662 ou 882 mg)

Calibre da agulha

21

20 ou 21

Formas de dosagem

300 mg, 400 mg

441 mg, 662 mg, 882 mg

Volume de injeção

200 mg/mL; variação de 0,8 mL (160 mg) a 2 mL (400 mg)

441 mg/1,6 mL; 662 mg/2,4 mL; 882 mg/3,2 mL

Variação típica da dose

  • 300 a 400 mg/4 semanas (monoidrato de Maintena)
  • 441 mg, 662 mg ou 882 mg administrados mensalmente ou 882 mg administrados a cada 6 semanas (lauroxil Aristada)

Como dosar

  • Não recomendado para pacientes que inicialmente não demonstraram tolerabilidade a aripiprazol oral (em ensaios clínicos, 2 doses orais ou IM de curta duração costumam ser utilizadas para estabelecer a tolerabilidade)
  • O abastecimento não é possível, necessitando de cobertura oral por 14 dias (Maintena) ou 21 dias (Aristada)
  • Conversão de oral para Maintena: administrar injeção inicial de 400 mg com uma dosagem sobreposta de aripiprazol oral por 14 dias
  • Conversão de oral para Aristada: administrar injeção inicial (441 mg, 662 mg ou 882 mg) com uma dosagem sobreposta de aripiprazol oral por 21 dias

Dicas para dosagem

  • Com injeções de longa ação (ILAs), a constante da taxa de absorção é mais lenta do que a de eliminação, resultando em cinética “flip-flop” – isto é, o tempo para o estado de equilíbrio é uma função da taxa de absorção, enquanto a concentração no estado de equilíbrio é uma função da taxa de eliminação
  • O passo limitante da taxa para os níveis plasmáticos da substância para ILAs não é o metabolismo da substância, mas a absorção lenta do local da injeção
  • Em geral, são necessárias 5 meias-vidas de uma medicação para atingir 97% dos níveis de estado de equilíbrio
  • As meias-vidas longas de antipsicóticos depot significam que é preciso carregar a dose adequadamente (se possível) ou fornecer suplementação oral
  • A falha em carregar a dose adequadamente leva a titulação cruzada prolongada ou a níveis plasmáticos subterapêuticos do antipsicótico por semanas ou meses em pacientes que não estão recebendo (ou aderindo à) suplementação oral
  • Como os níveis plasmáticos de antipsicótico aumentam gradualmente com o tempo, as exigências de dose podem por fim diminuir em relação à dose inicial; a obtenção dos níveis plasmáticos periódicos pode ser benéfica para impedir aumento desnecessário dos níveis plasmáticos
  • O momento para obter um nível sanguíneo dos pacientes que estão recebendo ILA é a manhã do dia em que irão receber a injeção seguinte
  • Vantagens: refrigeração não necessária; opção de injeções por 6 semanas com Aristada
  • Desvantagens: ambas as formulações requerem cobertura oral
  • É necessário ajuste redutor da dose para metabolizadores lentos de CYP450 2D6 e pacientes que estão tomando inibidores fortes de CYP450 2D6 ou 3A4, pois isso pode levar a níveis plasmáticos subterapêuticos

Maintena


Dose ajustada para pacientes que tomam 400 mg

Dose ajustada para pacientes que tomam 300 mg

Metabolizadores lentos de 2D6

300 mg

N/A

Pacientes que tomam inibidores fortes de 2D6 ou 3A4

300 mg

200 mg

Metabolizadores lentos de 2D6 tomando inibidores de 3A4 concomitante

200 mg

N/A

Pacientes que tomam inibidores de 2D6 E 3A4

200 mg

160 mg

Pacientes que tomam indutores de 3A4

Evitar

Evitar

Aristada


Dose ajustada para pacientes que tomam 441 mg

Dose ajustada para pacientes que tomam 662 mg

Dose ajustada para pacientes que tomam 882 mg

Metabolizadores lentos de 2D6

N/A

N/A

N/A

Pacientes que tomam inibidores fortes de 2D6 OU 3A4

N/A

441 mg

662 mg

Metabolizadores lentos de 2D6 que tomam inibidores de 3a4 concomitantes

N/A

441 mg

441 mg

Pacientes que tomam inibidores de 2D6 E 3A4

N/A

Evitar

Evitar

Pacientes que tomam indutores de 3A4

662 mg

N/A

N/A


Troca de antipsicóticos orais para formulações depot de aripiprazol

  • A descontinuação do antipsicótico oral pode iniciar após a cobertura oral de 14 dias (Maintena) ou 21 dias (Aristada)
  • Como descontinuar formulações orais
  • Não é necessária titulação descendente para: amissulprida, aripiprazol, brexpiprazol, cariprazina, paliperidona ER
  • É necessária titulação descendente por 1 semana para: iloperidona, lurasidona, risperidona, ziprasidona
  • É necessária titulação descendente por 3 a 4 semanas para: asenapina, olanzapina, quetiapina
  • É necessária titulação descendente por mais de 4 semanas para: clozapina
  • Para pacientes que tomam benzodiazepínico ou medicação anticolinérgica, isso pode ser continuado durante a titulação cruzada para ajudar a aliviar efeitos colaterais como insônia, agitação e/ou psicose. Depois que o paciente estiver estável com uma ILAs, esses podem ser reduzidos gradualmente, um por vez, quando apropriado

A arte da troca

Troca de antipsicóticos orais para aripiprazol

  • É aconselhável iniciar aripiprazol em dose intermediária e aumentar a dose rapidamente por 3-7 dias
  • A experiência clínica tem mostrado que asenapina, quetiapina e olanzapina devem ser reduzidas lentamente por um período de 3 a 4 semanas para permitir que os pacientes se readaptem à retirada dos bloqueadores de receptores colinérgicos, histaminérgicos e alfa-1
  • Clozapina deve sempre ser reduzida lentamente por um período de 4 semanas ou mais
  • Benzodiazepínico ou medicação anticolinérgica podem ser administrados durante a titulação cruzada para ajudar a aliviar efeitos colaterais como insônia, agitação e/ou psicose

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Andrezina R, Josiassen RC, Marcus RN, et al. Intramuscular aripiprazole for the treatment of acute agitation in patients with schizophrenia or schizoaffective disorder: a double--blind, placebo-controlled comparison with intramuscular haloperidol. Psychopharmacology 2006;188(3):281–92.

Citrome L. Adjunctive aripiprazole, olanzapine, or quetiapine for major depressive disorder: an analysis of number needed to treat, number needed to harm, and likelihood to be helped or harmed. Postgrad Med 2010;122(4):39–48.

El-Sayeh HG, Morganti C. Aripiprazole for schizophrenia. Cochrane Database Syst Rev 2006;2:CD004578.

Kane JM, Sanchez R, Perry PP, et al. Aripiprazole intramuscular depot as maintenance treatment in patients with schizophrenia: a 52-week, multicenter, randomized, double-blind, placebo-controlled study. J Clin Psychiatry 2012;73(5):617–24.

Marcus RN, McQuade RD, Carson WH, et al. The effi- cacy and safety of aripiprazole as adjunctive therapy in major depressive disorder: a second multicenter, randomized, double-blind, placebo-controlled study. J Clin Psychopharmacol 2008;28(2):156–65.

Nasrallah HA. Atypical antipsychotic-induced metabolic side effects: insights from receptor-binding profiles. Mol Psychiatry 2008;13(1):27–35.

Smith LA, Cornelius V, Warnock A, Tacchi MJ, Taylor D. Pharmacological interventions for acute bipolar mania: a systematic review of randomized placebo-controlled trials. Bipolar Disord 2007;9(6):551–60.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl