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Terapêutica
Nomes comerciais:
- Referência: Pristiq® (Wyeth)
- Similar: Andes (Supera); Dalilah (Sun Farma); Deller (Aché); Desve (Eurofarma); Desventag (Aché); Elifore (Wyeth); Imense (EMS); Indefa (Zodiac); Rytmise (Germed); Vellana (Cristália); Vendexla (Momenta); Venlapress (Nova Química); Zodel (Medley)
- Genérico: Succinato de Desvenlafaxina (Aché; Althaia; Brainfarma; EMS; Eurofarma; Germed; Legrand; Medley; Ranbaxy)
Apresentações:
- Comprimido revestido de liberação prolongada de 50 mg – Embalagem com:
- 07 cp: Pristiq®; Andes; Dalilah; Deller; Desve; Desventag; Elifore; Indefa; Vallana; Vendexla; Althaia; Ranbaxy
- 10 cp: Imense; Rytmise;
- 14 cp: Pristiq®; Elifore; Indefa; Althaia
- 15 cp: Rytmise; Aché; Althaia; Ranbaxy
- 20 cp: Rytimise
- 28 cp: Pristiq®; Elifore; Indefa; Zodel; Althaia
- 30 cp: Andes; Dalilah; Deller; Desve; Desventag; Imense; Rytmise; Vellana; Vendexla; Zodel; Aché; Althaia; EMS; Eurofarma; Germed; Legrand; Medley; Ranbaxy
- 60 cp: Andes; Desve; Imense; Rytmise; Althaia; Eurofarma
- 90 cp:* Althaia
- Comprimido revestido de liberação prolongada de 100 mg – Embalagem com:
- 07 cp: Andes; Dalilah; Deller; Desve; Desventag; Elifore; Indefa; Vendexla; Althaia; Ranbaxy
- 10 cp: Imense; Rytmise;
- 14 cp: Pristiq®; Elifore; Indefa; Althaia
- 15 cp: Rytmise; Aché; Althaia; Ranbaxy
- 20 cp: Rytimise
- 28 cp: Pristiq®; Elifore; Indefa; Zodel; Althaia; Brainfarma
- 30 cp: Andes; Dalilah; Deller; Desve; Desventag; Imense; Rytmise; Vellana; Vendexla; Zodel; Aché; Althaia; EMS; Eurofarma; Germed; Legrand; Medley; Ranbaxy
- 60 cp: Andes; Desve; Imense; Rytmise; Althaia; Eurofarma
- 90 cp:* Althaia
* Embalagem hospitalar
Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*
Classe
- Nomenclatura baseada na neurociência: inibidor da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN)
- IRSN (inibidor dual da recaptação de serotonina e norepinefrina); frequentemente classificada como antidepressivo, mas não é apenas um antidepressivo
Comumente prescrita para
(em negrito, as aprovações da FDA)
- Transtorno depressivo maior
- Sintomas vasomotores
- Fibromialgia
- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
- Transtorno de ansiedade social (fobia social)
- Transtorno de pânico
- Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)
- Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)
Principais sintomas-alvo
- Humor deprimido
- Energia, motivação e interesse
- Distúrbio do sono
- Sintomas físicos
- Dor
Como a substância atua
- Estimula os neurotransmissores serotonina, norepinefrina e dopamina
- Bloqueia a bomba de recaptação de serotonina (transportador de serotonina), possivelmente aumentando a neurotransmissão serotonérgica
- Bloqueia a bomba de recaptação de norepinefrina (transportador de norepinefrina), possivelmente aumentando a neurotransmissão noradrenérgica
- Dessensibiliza os receptores de serotonina 1A e os receptores beta-adrenérgicos
- Uma vez que a dopamina é inativada pela recaptação de norepinefrina no córtex frontal, que em grande parte carece de transportadores de dopamina, a desvenlafaxina pode aumentar a neurotransmissão de dopamina nessa parte do cérebro
Tempo para início da ação
- O início das ações terapêuticas não costuma ser imediato, frequentemente demorando de 2 a 4 semanas
- Se não estiver funcionando dentro de 6 a 8 semanas para depressão, pode requerer um aumento da dosagem ou pode simplesmente não funcionar
- Pode continuar a agir por muitos anos, prevenindo recaída dos sintomas depressivos
- Sintomas vasomotores em mulheres na perimenopausa com ou sem depressão podem melhorar dentro de 1 semana
Se funcionar
- O objetivo do tratamento é a completa remissão dos sintomas atuais, além da prevenção de recaídas futuras
- O tratamento na maioria das vezes reduz ou até mesmo elimina os sintomas, mas não é uma cura, já que os sintomas podem recorrer depois que a medicação é interrompida
- Continuar o tratamento até que todos os sintomas tenham desaparecido (remissão) ou reduzido significativamente
- Depois que os sintomas desapareceram, continuar tratando por 1 ano para o primeiro episódio de depressão
- Para segundo episódio de depressão e episódios subsequentes, poderá ser necessário tratamento por tempo indefinido
Se não funcionar
- Muitos pacientes têm apenas uma resposta parcial, em que alguns sintomas são melhorados, mas outros persistem (especialmente insônia, fadiga e problemas de concentração)
- Outros pacientes podem ser não respondedores, sendo algumas vezes chamados de resistentes ou refratários ao tratamento
- Alguns pacientes que têm uma resposta inicial podem recair mesmo que continuem o tratamento, sendo algumas vezes chamados de poop-out (que param de responder)
- Considerar aumento da dose, troca por outro agente ou acréscimo de um agente de potencialização apropriado
- Considerar psicoterapia
- Considerar avaliação para outro diagnóstico ou para uma condição comórbida (p. ex., doença clínica, abuso de substância, etc.)
- Alguns pacientes podem experimentar aparente falta de consistência na eficácia devido à ativação de um transtorno bipolar latente ou subjacente, requerendo descontinuação do antidepressivo e troca por um estabilizador do humor
Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento
- Mirtazapina (“combustível de foguetes da Califórnia”; uma combinação dual potencialmente poderosa de serotonina e norepinefrina, mas observar ativação de transtorno bipolar e ideação suicida)
- Bupropiona, reboxetina, nortriptilina, desipramina, maprotilina, atomoxetina (todas estimuladoras potencialmente potentes da ação noradrenérgica, mas observar ativação de transtorno bipolar e ideação suicida)
- Modafinila, especialmente para fadiga, sonolência e falta de concentração
- Estabilizadores do humor ou antipsicóticos atípicos para depressão bipolar, depressão psicótica ou depressão resistente ao tratamento
- Benzodiazepínicos
- Se tudo o mais falhar para transtornos de ansiedade, considerar gabapentina ou tiagabina
- Hipnóticos ou trazodona para insônia
- Classicamente, lítio, buspirona ou hormônio da tireoide
Dosagem e uso
Variação típica da dose
- Depressão: 50 mg 1 vez ao dia
Como dosar
- Dose inicial de 50 mg 1 vez ao dia; dose máxima recomendada geralmente de 100 mg 1 vez ao dia; doses de até 400 mg 1 vez ao dia demonstraram ser eficazes, mas doses mais altas estão associadas a efeitos colaterais aumentados
Dicas para dosagem
- A desvenlafaxina é o metabólito ativo O-desmetilvenlafaxina (ODV) da venlafaxina, e é formada como o resultado de CYP450 2D6
- Mais potente no transportador de serotonina (TSER) do que no transportador de norepinefrina (TNE), mas tem maior inibição de TNE em relação a TSER quando comparada à venlafaxina
- Não respondedores em doses mais baixas podem tentar doses mais altas para garantir os benefícios da ação de IRSN dual
- Para sintomas vasomotores, dados atuais sugerem que uma dose de 100 mg/dia é efetiva
- Não partir ou mastigar os comprimidos, pois isso alterará as propriedades de liberação controlada
- Para alguns pacientes com problemas graves com a descontinuação da desvenlafaxina, poderá ser útil acrescentar um ISRS com uma meia-vida longa, especialmente fluoxetina, antes da redução gradual da desvenlafaxina. Enquanto é mantida a dosagem de fluoxetina, reduzir lentamente primeiro a desvenlafaxina e depois a fluoxetina
- Certificar-se de diferenciar entre reemergência dos sintomas que requer reinstituição do tratamento e sintomas de retirada
- A dose pode ser aumentada até 400 mg/dia em pacientes que não respondem a doses mais baixas, se tolerado
Overdose
- Não foram relatadas mortes como monoterapia; cefaleia, vômito, agitação, tontura, náusea, constipação, diarreia, boca seca, parestesia, taquicardia
- A desvenlafaxina é o metabólito ativo da venlafaxina; dados sobre o índice de toxicidade fatal no Reino Unido sugerem uma taxa mais alta de mortes por overdose com venlafaxina do que com ISRSs; é desconhecido se isso está relacionado a diferenças nos pacientes que recebem venlafaxina ou a toxicidade cardiovascular potencial da venlafaxina
Uso prolongado
- Visitar o médico regularmente para monitorar a pressão arterial
Formação de hábito
- Não
Como interromper
- Reduzir a dose gradualmente para evitar efeitos de retirada (tontura, náusea, diarreia, sudorese, ansiedade, irritabilidade)
- O esquema recomendado para reduzir a dose gradualmente é dar uma dose diária completa (50 mg) de modo menos frequente
- Se surgirem sintomas de retirada durante a descontinuação, aumentar a dose para interromper os sintomas e depois reiniciar a retirada muito mais lentamente
Farmacocinética
- Metabólito ativo da venlafaxina
- Meia-vida de 9 a 13 horas
- Minimamente metabolizada por CYP450 3A4
- Alimentos não afetam a absorção
Mecanismos de interações medicamentosas
- O tramadol aumenta o risco de convulsões em pacientes que tomam um antidepressivo
- Pode causar uma “síndrome serotonérgica” fatal quando combinada com IMAOs, portanto não usar com IMAOs ou por no mínimo 14 dias depois de terem sido interrompidos
- Não iniciar um IMAO por no mínimo 5 meias-vidas (5 a 7 dias para a maioria das substâncias) após a descontinuação de desvenlafaxina
- Pode raramente causar fraqueza, hiper-reflexia e incoordenação quando combinada com sumatriptano ou possivelmente outros triptanos, requerendo monitoramento atento do paciente
- Possível risco aumentado de sangramento, especialmente quando combinada com anticoagulantes (p. ex., varfarina, AINEs)
- Os AINEs podem prejudicar a eficácia dos ISRSs
- Inibidores potentes de CYP450 3A4 podem aumentar os níveis plasmáticos de desvenlafaxina, mas a importância clínica disso é desconhecida
- Poucas interações medicamentosas adversas conhecidas
- Testes de rastreamento de imunoensaio de urina falso-positivos para fenciclidina (PCP) e anfetamina foram relatados em pacientes fazendo uso de desvenlafaxina devido à falta de especificidade dos testes de rastreamento. Resultados falso-positivos do teste podem ser esperados durante vários dias após a descontinuação de desvenlafaxina
Outras advertências/precauções
- Usar com cautela em pacientes com história de convulsões
- Usar com cautela em pacientes com doença cardíaca
- Usar com cautela em pacientes com transtorno bipolar, a menos que sejam tratados concomitantemente com um agente estabilizador do humor
- Ao tratar crianças, ponderar cuidadosamente os riscos e benefícios do tratamento farmacológico em relação aos do não tratamento com antidepressivos e documentar isso no prontuário do paciente
- Distribuir as brochuras fornecidas pela FDA e as companhias farmacêuticas
- Alertar pacientes e seus cuidadores sobre a possibilidade de efeitos colaterais ativadores e aconselhá-los a relatar esses sintomas imediatamente
- Monitorar os pacientes para ativação de ideação suicida, especialmente crianças e adolescentes
Não usar
- Se o paciente tiver glaucoma de ângulo fechado não controlado
- Se o paciente estiver tomando um IMAO
- Se houver uma alergia comprovada a desvenlafaxina ou venlafaxina
Potenciais vantagens e desvantagens
Potenciais vantagens
- Pacientes com depressão retardada
- Pacientes com depressão atípica
- Pacientes com depressão podem ter taxas mais altas de remissão com IRSNs do que com ISRSs
- Pacientes deprimidos com sintomas somáticos, fadiga e dor
- Pacientes deprimidos com sintomas vasomotores
- Pacientes que não respondem ou não apresentam remissão em tratamento com ISRSs
Potenciais desvantagens
- Pacientes sensíveis a náusea
- Pacientes com hipertensão limítrofe ou descontrolada
- Pacientes com doença cardíaca
Dicas
- Uma vez que a desvenlafaxina é apenas minimamente metabolizada por CYP450 3A4 e não é metabolizada por CYP450 2D6, como é a venlafaxina, ela deve ter níveis plasmáticos mais consistentes do que a venlafaxina
- Além disso, embora a desvenlafaxina, assim como a venlafaxina, seja mais potente no transportador de serotonina (TSER) do que no transportador de norepinefrina (TNE), ela tem ações relativamente maiores no TNE versus no TSER do que a venlafaxina em doses comparáveis
- A maior potência sobre o TNE pode torná-la o agente preferido para condições teoricamente associadas a ações que têm em vista a norepinefrina, como sintomas vasomotores e fibromialgia
- Pode ser particularmente útil para fogachos em mulheres na perimenopausa
- Pode ser efetiva em pacientes que não respondem a ISRSs
- Pode ser utilizada em combinação com outros antidepressivos para casos refratários ao tratamento
- Pode ser efetiva em uma ampla gama de transtornos de ansiedade e possivelmente no TDAH adulto, embora não tenha sido estudada nessas condições
- Pode estar associada a taxas mais altas de remissão de depressão do que ISRSs
- Devido a estudos recentes no Reino Unido, os quais sugerem uma taxa mais alta de mortes por overdose com venlafaxina do que com ISRSs, e devido ao seu potencial para afetar a função cardíaca, a venlafaxina só pode ser prescrita no Reino Unido por médicos especialistas e é contraindicada em pacientes com doença cardíaca
- Os dados referentes a overdose são de estudos do índice de toxicidade fatal, os quais não consideram as características do pacientes ou se o uso da substância era de primeira ou segunda linha
- A toxicidade da venlafaxina em overdose é menor do que para ADTs
Referência
Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.
Leituras sugeridas
Deecher DC, Beyer CE, Johnston G, et al. Desvenlafaxine succinate: a new serotonin and norepinephrine reuptake inhibitor. J Pharmacol Exp Ther 2006;318(2):657–65.
Lieberman DZ, Montgomery SA, Tourian KA, et al. A pooled analysis of two placebo-controlled trials of desvenlafaxine in major depressive disorder. Int Clin Psychopharmacol 2008;23 (4):188–97.
Speroff L, Gass M, Constantine G. Efficacy and tolerability of desvenlafaxine succinate treatment for menopausal vasomotor symptoms: a randomized controlled trial. Obstet Gynecol 2008;111(1):77–87.
*Revisão dos nomes comerciais e apresentações
Felipe Mainka
Autores
Stephen M. Stahl