Discalculia (Transtorno específico da aprendizagem)

Discalculia (Transtorno específico da aprendizagem)

O que é?

A atividade de cálculo refere-se à realização de operações básicas por meio de símbolos (+, -, x ou ÷) ou palavras (“mais”, “menos”, “vezes” ou “dividido por”), à recuperação destes e de outros fatos aritméticos elementares e à execução dos procedimentos de cálculos aritméticos.1 O processamento numérico refere-se tanto ao entendimento da natureza dos símbolos numéricos associados às quantidades como à produção numérica em forma de leitura, escrita e contagem de números.2

Os números são calculados pelo cérebro de três modos: visual/arábico, verbal e analógico,3 e pode-se passar da forma verbal à visual (escrever sob ditado) e vice-versa (ler números arábicos) sem que necessariamente se ative a “representação analógica das quantidades numéricas” e sem associar números às quantidades que eles representam.3 Atribui-se um papel fundamental ao conceito de senso numérico para a competência das habilidades matemáticas4,5 sendo este a capacidade inata de reconhecer, comparar, somar e subtrair pequenas quantidades sem recurso da contagem, em uma linha numérica que é orientada espacialmente e representa quantidade.6

Essas habilidades numéricas são geneticamente determinadas e, assim como o senso numérico, sofrem uma transição a partir da fase pré-verbal, passando pela fase escolar até a idade adulta e culminando no desenvolvimento da linha numérica.7 Foram definidos quatro passos no modelo de desenvolvimento para a aquisição das habilidades matemáticas conforme a maturação do sistema nervoso central, o qual é modulado pela experiência:

  1. aproximação e comparação (córtex biparietal);
  2. contagem verbal, estratégias de contagem e recuperação de fatos (córtex pré-frontal esquerdo);
  3. escritas de contas e par/ímpar (córtex bioccipital);
  4. aproximação de cálculos e pensamento aritmético (córtex biparietal).

Esses passos permitem possíveis previsões quanto às disfunções neuropsicológicas para a discalculia 7 no caso apresentado a seguir.

O transtorno de aprendizagem com prejuízo na matemática,8 também referido como discalculia, manifesta-se como dificuldade para realizar operações matemáticas elementares, sem que isso seja resultado de ensino inadequado ou deficiência intelectual,8 influenciando de maneira marcante as atividades de vida diária do indivíduo afetado.3

Caso clínico

Confira o caso clínico de uma adolescente de 17 anos com dificuldades de aprendizagem escolar.

Confira também informações gerais sobre Transtorno específico da aprendizagem.

Referências

Este conteúdo foi originalmente publicado em: Assumpção Jr FB (Org.). Psiquiatria da Infância e da Adolescência: Casos Clínicos. Porto Alegre: Artmed; 2014.

  1. McCloskey M, Caramazza A, Basili A. Cognite mechanisms in numeber processing and calculation: evidence from dyscalculia. Brain Cogn.1985;4(2):171-96.
  2. Santos FH, Kikuchi RS, Ribeiro FS. Avaliação da discalculia do desenvolvimento: uma questão sobre o processamento numérico e de cálculo. In: Sennyey AL, Montiel JM, Capovilla FC. Trantornos de aprendizagem da avaliação à reabilitação. São Paulo: Artes Médicas; 2008. p. 125-37.
  3. Santos FH, Kikuchi RS, Ribeiro FS. Atualidade em discalculia do desenvolvimento. In: Montiel JM, Capovilla FC. Atualização em transtornos de aprendizagem. São Paulo: Artes Médicas; 2009. p. 37-55.
  4. Dehaene, S. Précis of the number sense. Mind Lang. 2001;16(1):16-36.
  5. Iuculano T, Tang J, Hall CW, Butterworth B. Core information processing deficits in developmental dyscalculia and low numeracy. Dev Sci. 2008;11(5):669-80.
  6. Dehaene S. The number sense. Oxford: Oxford University; 1997.
  7. von Aster MG, Shalev RS. Number development and developmental dyscalculia. Dev Med Child Neurol. 2007;49(11):868-73.
  8. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-IV-TR. 4. ed. rev. Porto Alegre: Artmed; 2002.

Leitura complementar

Assumpção FB, Kuczynski E. Transtornos do aprendizado escolar. Rev Debates Psiquiatr. 2011;1(4):22-9.

Autores

Francisco B. Assumpção Jr.
Alessandra Freitas Russo
Carolina Rabello Padovani
Cristina Maria Pozzi
Evelyn Kuczynski
Marília Penna Bernal
Melanie Mendoza
Milena de Oliveira Rossetti