Ver também
Terapêutica
Nomes comerciais:
- Referência: Frontal®; Frontal SL; Frontal®XR (Pfizer); Tranquinal® SLG (Bagó)
- Similar: Apraz (Cosmed); Teufron (Teuto); Tranquinal (Bagó)
- Genérico: Alprazolam (Aché; Aurobindo; Biosintética; Brainfarma; EMS; Eurofarma; Germed; Legrand; Medley; Nova Química; Teuto; Zydus)
Apresentações:
- Comprimido sublingual de 0,5 mg – Embalagem com:
- 15 cp: Tranquinal®SLG; Frontal SL
- 30 cp: Tranquinal®SLG; Frontal SL
- Comprimido de liberação lenta 0,5 mg – Embalagem com:
- 30 cp: Frontal®XR
- Comprimido de liberação lenta 1 mg – Embalagem com:
- 30 cp: Frontal®XR
- Comprimido de liberação lenta 2 mg – Embalagem com:
- 30 cp: Frontal®XR
- Comprimido de 0,25 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Aurobindo; Germed; Nova Química
- 30 cp: Frontal®; Apraz; Traquinal; Aurobindo; Brainfarma; EMS; Germed; Medley; Zydus
- 500* cp: Aurobindo
- Comprimido de 0,5 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Aurobindo; Germed; Legrand; Nova Química
- 30 cp: Frontal®; Apraz; Teufron Traquinal; Aché; Aurobindo; Biosintética; Brainfarma; EMS; Germed; Legrand; Medley; Nova Química; Teuto; Zydus
- 500* cp: Aurobindo
- Comprimido de 1 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Aurobindo; EMS; Germed; Legrand; Nova Química
- 30 cp: Frontal®; Apraz; Traquinal; Aché; Aurobindo; Biosintética; Brainfarma; EMS; Germed; Legrand; Medley; Nova Química; Teuto; Zydus
- 500* cp: Aurobindo
- Comprimido de 2 mg – Embalagem com:
- 20 cp: Germed; Legrand
- 30 cp: Frontal®; Apraz; Traquinal; Aché; Biosintética; Brainfarma; EMS; Germed; Legrand; Medley; Nova Química; Teuto; Zydus
*Embalagem hospitalar
Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*
Classe
- Nomenclatura baseada na neurociência: modulador alostérico positivo de GABA (MAP-GABA)
- Benzodiazepínico (ansiolítico)
Comumente prescrito para
(em negrito, as aprovações da FDA)
- Transtorno de ansiedade generalizada (IR)
- Transtorno de pânico (IR e XR)
- Outros transtornos de ansiedade
- Ansiedade associada a depressão
- Transtorno disfórico pré-menstrual
- Síndrome do intestino irritável e outros sintomas somáticos associados a transtornos de ansiedade
- Insônia
- Mania aguda (adjuvante)
- Psicose aguda (adjuvante)
- Catatonia
Principais sintomas-alvo
- Ataques de pânico
- Ansiedade
Como a substância atua
- Liga-se aos receptores benzodiazepínicos no complexo de canais de cloreto dos receptores de GABA-A ativados por ligante
- Aumenta os efeitos inibitórios do GABA
- Estimula a condutância do cloreto através dos canais regulados por GABA
- Inibe a atividade neuronal, presumivelmente, nos circuitos do medo centrados na amígdala para oferecer benefícios terapêuticos em transtornos de ansiedade
Tempo para início da ação
- É comum algum alívio imediato com a primeira dosagem; pode levar várias semanas com dosagem diária para atingir benefício terapêutico máximo
Se funcionar
- Para sintomas de ansiedade de curta duração – após algumas semanas, descontinuar o uso ou usar “quando necessário”
- Para transtornos de ansiedade crônicos, o objetivo do tratamento é a completa remissão dos sintomas, além da prevenção de recaídas futuras
- Para transtornos de ansiedade crônicos, na maioria das vezes, o tratamento reduz ou até mesmo elimina os sintomas, mas não é uma cura, já que os sintomas podem recorrer após a interrupção do medicamento
- Para sintomas de ansiedade de longa duração, considerar a troca por um ISRS ou IRSN para manutenção de longo prazo
- Se for necessária manutenção de longo prazo com um benzodiazepínico, continuar o tratamento por 6 meses depois da resolução dos sintomas e então diminuir a dose lentamente
- Se reemergirem os sintomas, considerar tratamento com um ISRS ou IRSN ou o reinício do benzodiazepínico; algumas vezes, os benzodiazepínicos têm de ser utilizados em combinação com ISRSs ou IRSNs para melhores resultados
Se não funcionar
- Considerar troca por outro agente ou acréscimo de um agente de potencialização apropriado
- Considerar psicoterapia, especialmente, psicoterapia cognitivo-comportamental
- Considerar a presença concomitante de abuso de substância
- Considerar a presença de abuso de alprazolam
- Considerar outro diagnóstico, como uma condição clínica comórbida
Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento
- Benzodiazepínicos são frequentemente utilizados como agentes de potencialização para antipsicóticos e estabilizadores do humor no tratamento de transtornos psicóticos e bipolares
- Benzodiazepínicos são frequentemente utilizados como agentes de potencialização para ISRSs e IRSNs no tratamento de transtornos de ansiedade
- Geralmente, não é racional combinar com outros benzodiazepínicos
- Cuidado na utilização como ansiolítico concomitante a outros hipnóticos sedativos para sono
- Considerar a potencialização do alprazolam com gabapentina ou pregabalina para tratamento de transtornos de ansiedade
Dosagem e uso
Variação típica da dose
- Ansiedade: alprazolam IR: 1 a 4 mg/dia
- Pânico: alprazolam IR: 5 a 6 mg/dia
- Pânico: alprazolam XR: 3 a 6 mg/dia
Como dosar
- Para ansiedade, alprazolam IR deve ser iniciado com 0,75 a 1,5 mg/dia dividido em 3 doses; aumentar a dose a cada 3 a 4 dias até que seja alcançada a eficácia desejada; dose máxima geralmente 4 mg/dia
- Para pânico, alprazolam IR deve ser iniciado com 1,5 mg/dia dividido em 3 doses; aumentar 1 mg ou menos a cada 3 a 4 dias até que seja alcançada a eficácia desejada, aumentando em quantidades menores para dosagem maior que 4 mg/dia; pode requerer até 10 mg/dia para atingir a eficácia desejada em casos difíceis
- Para pânico, alprazolam XR deve ser iniciado com 0,5 a 1 mg/dia uma vez ao dia pela manhã; a dose pode ser aumentada em 1 mg/dia a cada 3 a 4 dias até que seja alcançada a eficácia desejada; dose máxima geralmente 10 mg/dia
Dicas para dosagem
- Usar a dose efetiva mais baixa possível pelo período de tempo mais curto possível (uma estratégia de minimização de benzodiazepínico)
- Avaliar regularmente a necessidade de tratamento continuado
- O risco de dependência pode aumentar com a dose e a duração do tratamento
- Para sintomas de ansiedade entre as administrações, a dose pode ser aumentada, ou pode ser mantida a mesma dose diária total, mas dividindo-a em administrações mais frequentes ou ministrando-a como formulação de liberação prolongada
- Também pode ser utilizado como dose “de acréscimo” ocasional quando necessário para ansiedade entre as doses
- Como o transtorno de pânico pode requerer doses acima de 4 mg/dia, o risco de dependência pode ser maior nesses pacientes
- Alguns pacientes gravemente doentes podem requerer 8 mg/dia ou mais
- Formulação com liberação prolongada precisa ser tomada somente 1 ou 2 vezes ao dia
- Não quebrar ou mastigar os comprimidos XR, pois isso irá alterar as propriedades da liberação controlada
- A frequência da dosagem na prática, em geral, é maior do que previsto pela meia-vida, pois a duração da atividade biológica é frequentemente mais curta do que a meia-vida farmacocinética terminal
- Alprazolam e alprazolam XR em geral são dosados em aproximadamente um décimo da dosagem de diazepam
- Alprazolam e alprazolam XR em geral são dosados em aproximadamente 2 vezes a dosagem de clonazepam
Overdose
- Foram relatados óbitos tanto em monoterapia quanto em conjunto com álcool; sedação, confusão, má coordenação, reflexos diminuídos, coma
Uso prolongado
- Risco de dependência, particularmente para períodos de tratamento mais longos do que 12 semanas e especialmente em pacientes com abuso passado ou atual de polissubstâncias
Formação de hábito
- Alprazolam é uma substância Classe IV
- Os pacientes podem desenvolver dependência e/ou tolerância com o uso prolongado
Como interromper
- Convulsões podem ocorrer raramente na abstinência, em especial se a retirada for abrupta; risco maior para doses acima de 4 mg e em pacientes com riscos adicionais de convulsão, incluindo aqueles com história de convulsões
- Reduzir gradativamente 0,5 mg a cada 3 dias para reduzir as chances de efeitos da abstinência
- Para casos difíceis de reduzir a dose gradualmente, considerar a redução muito mais lentamente depois de atingir 3 mg/dia, talvez 0,25 mg por semana ou menos (não para XR)
- Para outros pacientes com problemas graves de descontinuação de um benzodiazepínico, a dosagem poderá precisar ser reduzida gradativamente durante muitos meses (i.e., reduzir a dose em 1% a cada 3 dias, esmagando o comprimido em uma suspensão ou dissolvendo-o em 100 mL de suco de fruta e então descartando 1 mL e bebendo o restante; 3-7 dias depois, descartar 2 mL, e assim por diante). Essa é uma forma de redução biológica muito lenta e também uma forma de dessensibilização comportamental. Não para XR
- Procurar diferenciar a reemergência de sintomas que requerem reinstituição do tratamento de sintomas de abstinência
- Pacientes com ansiedade dependentes de benzodiazepínico e diabéticos dependentes de insulina não são aditos a suas medicações. Quando pacientes dependentes de benzodiazepínico interrompem sua medicação, os sintomas da doença podem reemergir, podem piorar (rebote), e/ou sintomas de abstinência podem surgir
Farmacocinética
- Metabolizado por CYP450 3A4
- Metabólitos inativos
- Meia-vida de eliminação de 12 a 15 horas
- Alimentos não afetam a absorção
Mecanismos de interações medicamentosas
- Aumento dos efeitos depressivos quando tomado com outros depressores do SNC (ver seção Outras advertências/precauções, a seguir)
- Inibidores de CYP450 3A, como nefazodona, fluvoxamina, fluoxetina e até mesmo suco de toranja, podem reduzir a liberação de alprazolam e, assim, elevar seus níveis plasmáticos e aumentar os efeitos colaterais sedativos; a dose de alprazolam poderá precisar ser diminuída
- Assim, agentes antifúngicos azóis (como cetoconazol e itraconazol), antibióticos macrolídeos e inibidores da protease também podem elevar os níveis plasmáticos de alprazolam
- Indutores de CYP450 3A, como carbamazepina, podem aumentar a metabolização de alprazolam, reduzir seus níveis plasmáticos e, possivelmente, reduzir os efeitos terapêuticos
Outras advertências/precauções
- Tarja preta devido ao risco aumentado de efeitos depressores do SNC quando benzodiazepínicos e medicações opioides forem utilizados em conjunto, incluindo, especificamente, risco de respiração lenta ou dificuldade para respirar e morte
- Se não estiverem disponíveis alternativas ao uso combinado de benzodiazepínicos e opioides, os clínicos devem limitar a dosagem e a duração de cada substância ao mínimo possível para obter eficácia terapêutica
- Os pacientes e seus cuidadores devem ser alertados a procurar atenção médica se ocorrer tontura incomum, vertigem, sedação, respiração lenta ou difícil
- As alterações na dosagem devem ser feitas em colaboração com o prescritor
- Usar com cautela em pacientes com doença pulmonar; relatos raros de morte após o início de benzodiazepínicos em pacientes com comprometimento pulmonar grave
- Uma história de abuso de substância ou álcool frequentemente cria maior risco de dependência
- Hipomania e mania ocorreram em pacientes deprimidos que tomavam alprazolam
- Usar somente com extrema cautela se o paciente tiver apneia obstrutiva do sono
- Alguns pacientes deprimidos podem experimentar uma piora na ideação suicida
- Alguns pacientes podem exibir pensamento anormal ou alterações comportamentais similares às causadas por outros depressores do SNC (i.e., ações depressoras ou ações de desinibição)
Não usar
- Se o paciente tiver glaucoma de ângulo fechado
- Se o paciente estiver tomando cetoconazol ou itraconazol (agentes antifúngicos azóis)
- Se houver uma alergia comprovada a alprazolam ou a alguma benzodiazepínico
Potenciais vantagens e desvantagens
Potenciais vantagens
- Rápido início da ação
- Menos sedação do que alguns outros benzodiazepínicos
- Disponibilidade de uma formulação XR com mais longa duração da ação
Potenciais desvantagens
- A euforia pode levar a abuso
- Abuso especialmente arriscado em abusadores de substância no passado ou no presente
Dicas
- Um dos benzodiazepínicos mais populares, especialmente entre médicos de cuidados primários e psiquiatras
- É um adjunto muito útil de ISRSs e IRSNs no tratamento de diversos transtornos de ansiedade
- Não é eficaz para tratamento de psicose como monoterapia, mas pode ser utilizado como adjunto de antipsicóticos
- Não é eficaz para tratamento de transtorno bipolar como monoterapia, mas pode ser utilizado como adjunto de estabilizadores do humor e antipsicóticos
- Pode tanto causar como tratar depressão em diferentes pacientes
- O risco de convulsão é maior durante os 3 primeiros dias após a descontinuação de alprazolam, especialmente naqueles com convulsões prévias, lesões na cabeça ou abstinência de substâncias de abuso
- A duração clínica da ação pode ser mais curta do que a meia-vida plasmática, levando a dosagem mais frequente do que 2 a 3 vezes ao dia para alguns pacientes, em especial com alprazolam de liberação imediata
- A adição de fluvoxamina, fluoxetina ou nefazodona pode aumentar os níveis de alprazolam e deixar o paciente muito sonolento, a menos que a dose de alprazolam seja reduzida pela metade ou mais
- Quando usar para tratamento de insônia, lembrar que ela pode ser sintoma de algum outro transtorno primário e, assim, justifica avaliação de condições psiquiátricas e/ou médicas comórbidas
- Alprazolam XR pode ser menos sedativo do que alprazolam de liberação imediata
- Alprazolam XR pode ser dosado menos frequentemente do que alprazolam de liberação imediata, bem como leva a menor surgimento de sintomas entre as doses e menos “consultas ao relógio” em pacientes ansiosos
- Elevações mais lentas nos níveis plasmáticos do alprazolam XR têm o potencial de reduzir o inconveniente de euforia/abuso, mas isso não foi comprovado
- Quedas mais lentas nos níveis plasmáticos do alprazolam XR têm o potencial de facilitar a descontinuação da substância, reduzindo os sintomas de abstinência, mas isso não foi comprovado
- Alprazolam XR geralmente tem duração de ação biológica mais longa do que clonazepam
- Se o clonazepam pode ser considerado um “ansiolítico semelhante a alprazolam de ação prolongada”, então o alprazolam XR pode ser considerado “um ansiolítico semelhante a clonazepam de ação ainda mais prolongada” com potenciais características de melhor tolerabilidade em termos de menos euforia, abuso, dependência e problemas de abstinência, mas isso não foi comprovado
- Embora não tenham sido estudados sistematicamente, os benzodiazepínicos têm sido utilizados com eficácia para tratar catatonia e consistem no tratamento inicial recomendado
Referências
Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.
Leituras sugeridas
DeVane CL, Ware MR, Lydiard RB. Pharmacokinetics, pharmacodynamics, and treatment issues of benzodiazepines: alprazolam, adinazolam, and clonazepam. Psychopharmacol Bull 1991;27:463–73.
Greenblatt DJ, Wright CE. Clinical pharmacokinetics of alprazolam. Therapeutic implications. Clin Pharmacokinet 1993;24:453–71.
Jonas JM, Cohon MS. A comparison of the safety and effi-cacy of alprazolam versus other agents in the treatment of anxiety, panic, and depression: a review of the literature. J Clin Psychiatry 1993;54(Suppl):S25–45.
Klein E. The role of extended-release benzodiazepines in the treatment of anxiety: a risk-benefi t evaluation with a focus on extended-release alprazolam. J Clin Psychiatry 2002;63(Suppl 14):S27–33.
Speigel DA. Efficacy studies of alprazolam in panic disorder. Psychopharmacol Bull 1998;34:191–5.
van Marwijk H, Allick G, Wegman F, Bax A, Riphagen II. Alprazolam for depression. Cochrane Database Syst Rev 2012;7:CD007139.
*Revisão dos nomes comerciais e apresentações
Felipe Mainka
Autores
Stephen M. Stahl