Caso clínico
| Paciente de 35 anos, solteiro, analista de sistemas de uma multinacional, há cerca de 6 meses vem tendo vários atendimentos em emergências cardiológicas por causa de palpitações súbitas, sudorese, falta de ar, medo de perder o controle, ondas de frio e calor e medo de estar prestes a morrer. Foi encaminhado para avaliação psiquiátrica. |
O homem refere que os sintomas atingem um pico de gravidade em cerca de 5 a 15 minutos. Nesse período, foram feitas várias avaliações, sem nenhum achado clínico ou laboratorial que justificasse os seus sintomas. Os episódios ocorrem em casa, no trabalho, e o paciente já acordou apresentando uma crise. Ele não faz associação com estresse ou com qualquer fator desencadeante.
O paciente refere, ainda, que, aos poucos, começou a desenvolver um medo persistente de ter outras crises semelhantes ou de ter um ataque cardíaco, o que o levou a tirar licença do trabalho, deixar de dirigir e deixar de fazer exercícios físicos.
Ele procurou o atendimento psiquiátrico muito angustiado, pois nunca teve história de transtorno psiquiátrico anterior e, em um mês, tem um curso com duração de dois meses nos EUA, que recebeu como premiação pelos trabalhos realizados, e teme não conseguir comparecer por causa dos seus sintomas.
O paciente já fez uso de ADs inibidores da recaptação da serotonina (sertralina e fluoxetina), prescritos por cardiologistas e clínicos gerais que consultou nesse período, tendo apresentado efeitos adversos, que descreve como desagradáveis, tais como insônia, aumento da ansiedade e disfunção sexual.
Discussão
1. Qual é o diagnóstico do paciente do caso clínico de acordo com a Classificação Internacional de Doenças 11 (CID-11) e com o DSM-5?
2. Qual é a medicação mais indicada para o paciente do caso clínico? Justifique a razão da escolha.
Respostas comentadas
Atividade 1
Resposta: Sobre o diagnóstico do paciente do caso clínico, no DSM-5, os ataques de pânico são conceitualizados de duas maneiras. A primeira, ataque de pânico, pode acompanhar qualquer diagnostico no DSM-5. A segunda, TP, quando o indivíduo satisfaz os critérios mais restritivos para o transtorno. O paciente é portador de TP, pois tem apresentado episódios recorrentes e satisfaz a exigência de 4 dos 13 sintomas exigidos. O DSM-5 também requer que os ataques afetem a pessoa entre os episódios. O paciente L. tem se preocupado em ter um ataque do coração (apesar de os exames terem afastado causas orgânicas) e está com receio de viajar para fazer um curso desejado. Esses sintomas têm que ter duração de 1 mês, e o paciente vem apresentando há 6 meses. O DSM-5 sugere avaliar se o pânico é esperado ou inesperado, e o que o paciente apresenta pode ser classificado como inesperado. Os sintomas de agorafobia que ele apresenta são uma complicação comportamental do TP em vez de um sintoma de agorafobia. Para a CID-11, o paciente também é portador do diagnóstico de TP.
Atividade 2
Resposta: Sobre a medicação mais indicada para o paciente do caso clínico, os BZD podem ser utilizados de maneira isolada, sendo os mais utilizados o ALP ou o CZP. Ao contrário dos ISRS, os BZD têm um efeito bastante rápido, quase imediato, e, assim, não precisam de tanto tempo para atuar, sendo a escolha para o paciente, que necessita de rapidez na melhora, além de não ter tolerado bem os ISRS.
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Autores
Kátia Petribú
Fabia Maria de Lima
Milena França
Thayse Pinheiro de Sales Croccia