Psicoterapia no transtorno de insônia – Terapia cognitiva: Exemplo clínico 2
A seguir, um fragmento de uma sessão da paciente citada no Exemplo clínico 1.
Terapeuta: Você está me dizendo que não consegue dormir. Deita às 21 horas e acorda às 6 horas. Está me dizendo que não consegue pegar no sono e que isso a deixa ansiosa.
Paciente: Sim, porque preciso dormir 8 horas por noite. Fico muito ansiosa quando vejo que está chegando perto das 22 horas e eu ainda estou acordada.
Terapeuta: Qual pensamento vem à sua mente?
Paciente: Que se eu não adormecer até as 22 horas, não vou conseguir dormir as 8 horas que preciso.
Terapeuta: E caso isso ocorra – não dormir as 8 horas –, o que pode acontecer?
Paciente: Eu não vou conseguir trabalhar no dia seguinte.
Terapeuta: O quanto você acredita nisso?
Paciente: Muito, uns 80 a 90%.
Terapeuta: Quais são as evidências que apoiam essa ideia?
Paciente: Tenho medo de não conseguir trabalhar.
Terapeuta: Tem alguma evidência de que não conseguirá?
Paciente: Na verdade... Não.
Terapeuta: Então, você tem medo de não conseguir trabalhar, mas nenhuma evidência de que não conseguirá. Tem alguma evidência contrária?
Paciente: Pensando bem, sim. Na semana passada, dormi depois das 23 horas e acordei às 6 horas, mas, mesmo assim, consegui trabalhar.
Terapeuta: Você está me dizendo que mesmo quando dormiu menos de 8 horas o que tem medo de que aconteça não aconteceu?
Paciente: Sim.
Terapeuta: E o quanto acredita agora que se não dormir 8 horas por noite não conseguirá trabalhar?
Paciente: (Suspiro.) Muito menos. Talvez uns 20%.
Terapeuta: Então, qual é o efeito de acreditar nesse pensamento (se não dormir 8 horas por noite não conseguirá trabalhar)?
Paciente: Não me ajuda, apenas me deixa ansiosa.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Regina Margis