Acamprosato

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Campral® (Merck)
  • Similar: não disponível
  • Genérico: Glenmark Generics; Mylan; Zydus Pharma

Apresentações: Medicamento com registro válido no Brasil, porém disponível apenas via importação. O medicamento Campral® (Merck) foi descontinuado nos EUA pela FDA com a resalva "Determinação do Registro Federal de que o produto não foi descontiuado ou retirado por razões de segurança ou eficácia". As opções genéricas continuam com registros válidos na FDA e disponíveis para importação.

  • Comprimido de liberação retardada de 333 mg (Glenmark Generics; Mylan; Zydus Pharma) 

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Nomenclatura baseada na neurociência: glutamato multimodal (Glu-MM)
  • Tratamento para dependência alcoólica

Comumente prescrito para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Manutenção de abstinência alcoólica

Principais sintomas-alvo

  • Dependência alcoólica

Como a substância atua

  • Teoricamente, reduz a neurotransmissão excitatória de glutamato e aumenta a neurotransmissão inibitória do ácido gama-aminobutírico (GABA)
  • Liga-se a e bloqueia certos receptores de glutamato, incluindo receptores metabotrópicos de glutamato
  • Como a abstinência alcoólica após administração crônica pode levar a atividade excessiva de glutamato e atividade deficiente de GABA, o acamprosato pode agir como “álcool artificial” para atenuar esses efeitos

Tempo para início da ação

  • Demonstrou eficácia em ensaios com duração entre 13 e 52 semanas

Se funcionar

  • Aumenta a abstinência alcoólica

Se não funcionar

  • Avaliar e tratar os fatores que contribuem
  • Considerar troca por outro agente
  • Considerar potencialização com naltrexona

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Naltrexona
  • Terapia de potencialização pode ser mais efetiva do que monoterapia
  • Potencialização com terapia comportamental, educacional e/ou de suporte, em grupo ou individual, é provavelmente essencial para o sucesso do tratamento

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • 666 mg três vezes ao dia (> 60 kg)
  • 666 mg duas vezes ao dia (< 60 kg)

Como dosar

  • O paciente deve iniciar o tratamento o mais rápido possível depois de atingir abstinência
  • A dose recomendada é 666 mg três vezes ao dia; não é necessária titulação

Dicas para dosagem

  • Fornecer material educacional e aconselhamento em combinação com o tratamento com acamprosato pode aumentar as chances de sucesso
  • Os pacientes devem ser aconselhados a continuar o tratamento mesmo que ocorra recaída e a informar se voltaram a beber
  • Embora a absorção de acamprosato não seja afetada por alimentos, a adesão poderá aumentar se pacientes que fazem regularmente três refeições por dia tomarem cada dose com o alimento
  • A adesão com uma dosagem de três vezes ao dia pode ser um problema; fazer o paciente focar na dosagem oral frequente da substância, em vez de no comportamento frequente de beber, pode ser útil para alguns pacientes

Overdose

  • Dados disponíveis limitados; diarreia

Uso prolongado

  • Foi estudado em ensaios de até 1 ano

Formação de hábito

  • Não

Como interromper

  • Não é necessário reduzir a dose gradualmente

Farmacocinética

  • Meia-vida terminal de 20 a 33 horas
  • Excretado em forma inalterada pelos rins

Mecanismos de interações medicamentosas

  • Não inibe as enzimas hepáticas e, assim, é improvável que afete as concentrações plasmáticas das substâncias metabolizadas por essas enzimas
  • Não é metabolizado hepaticamente e, assim, é improvável que seja afetado por substâncias que induzem ou inibem as enzimas hepáticas
  • A administração concomitante com naltrexona pode aumentar os níveis plasmáticos de acamprosato, mas isso não parece ser clinicamente significativo, e não é recomendado ajuste da dose

Outras advertências/precauções

  • Monitorar os pacientes quanto ao surgimento de humor depressivo ou ideação e comportamento suicidas (suicidalidade)
  • Usar com cautela em indivíduos com doença psiquiátrica conhecida

Não usar

  • Se o paciente tiver insuficiência renal severa
  • Se houver alergia comprovada a acamprosato

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Indivíduos que recentemente se abstiveram de álcool
  • Para o bebedor diário crônico

Potenciais desvantagens

  • Indivíduos que não estão abstinentes na época de início do tratamento
  • Para bebedores compulsivos

Dicas

  • Uma vez que o acamprosato serve como “álcool artificial”, pode ser menos eficaz em situações nas quais o indivíduo ainda não está abstinente ou sofre uma recaída
  • Assim, o acamprosato pode ser um tratamento preferido se o objetivo for a abstinência completa, mas pode não sê-lo se a meta for beber com risco reduzido

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Anton RF, O’Malley SS, Ciraulo DA, et al. Combined pharmacotherapies and behavioral interventions for alcohol dependence: the COMBINE study: a randomized controlled trial. JAMA 2006;295(17):2003–17.

Kranzler HR, Gage A. Acamprosate efficacy in alcohol-dependent patients: summary of results from three pivotal trials. Am J Addictions 2008;17:70–6.

Rosner S, Leucht P, Soyka M. Acamprosate supports abstinence, naltrexone prevents excessive drinking: evidence from a met-analysis with unreported outcomes. J Psychopharmacol 2008;22:11–23.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl