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Terapêutica
Nomes comerciais:
- Referência: Nuvigil® (Teva)
- Similar: não disponível
- Genérico: não disponível
Apresentações: Medicamento com registro válido no Brasil, porém disponível apenas via importação
- Comprimido de 150 mg – Embalagem com:
- 30 cp: Nuvigil®
- Comprimido de 250 mg – Embalabem com:
- 30 cp: Nuvigil®
Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*
Classe
- Nomenclatura baseada na neurociência: inibidor da recaptação de dopamina (IRD)
- Promotor de vigília
Comumente prescrita para
(em negrito, as aprovações da FDA)
- Redução de sonolência excessiva em pacientes com narcolepsia e transtornos do sono-vigília do tipo trabalho em turnos
- Redução de sonolência excessiva em pacientes com apneia obstrutiva do sono/síndrome de hipopneia (AOSSH) (adjunto do tratamento-padrão para obstrução subjacente das vias aéreas)
- Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)
- Fadiga e sonolência na depressão
- Fadiga em esclerose múltipla
- Depressão bipolar
Principais sintomas-alvo
- Sonolência
- Concentração
- Fadiga física e mental
Como a substância atua
- Desconhecido, mas claramente diferente dos estimulantes clássicos como metilfenidato e anfetamina
- Liga-se a e requer a presença do transportador dopaminérgico; também requer a presença de receptores alfa-adrenérgicos
- Hipoteticamente atua como inibidor do transportador de dopamina
- Aumenta a atividade neuronal seletivamente no hipotálamo
- Possivelmente aumenta a atividade no centro de vigília hipotalâmico (núcleo tuberomamilar) dentro da troca hipotalâmica de sono-vigília por um mecanismo desconhecido
- Ativa neurônios do núcleo tuberomamilar que liberam histamina
- Ativa outros neurônios hipotalâmicos que liberam orexina/hipocretina
Tempo para início da ação
- Pode reduzir imediatamente a sonolência diurna e melhorar o desempenho em tarefas cognitivas dentro de 2 horas da primeira dosagem
- Podem ser necessários vários dias para otimizar a dosagem e a melhora clínica
Se funcionar
- Melhora a sonolência diurna e pode melhorar a atenção, bem como a fadiga
- Em geral, não impede o adormecimento quando necessário
- Pode não normalizar completamente a vigília
- Tratar até que a melhora se estabilize, e depois continuar o tratamento indefinidamente enquanto persistir a melhora (estudos apoiam pelo menos 12 semanas de tratamento)
Se não funcionar
- Mudar a dose; alguns pacientes podem responder melhor com um aumento da dose, mas alguns podem, na verdade, responder melhor com uma redução dela
- Potencializar ou considerar um tratamento alternativo para sonolência diurna, fadiga ou TDAH
Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento
- A armodafinila é um adjunto para tratamentos-padrão para AOSSH; se a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) for o tratamento de escolha, deve ser feito um esforço máximo de tratar primeiro com CPAP antes de iniciar armodafinila, CPAP deve ser mantida após o início do fármaco
- A armodafinila é, ela própria, uma terapia de potencialização de antidepressivos para sonolência e fadiga residuais no transtorno depressivo maior
- A armodafinila é, ela própria, uma terapia de potencialização de estabilizadores do humor para depressão bipolar
- Melhor tentar outra monoterapia antes de potencializar com outras substâncias no tratamento de sonolência associada a transtornos do sono-vigília ou de problemas de concentração em TDAH
- A combinação de armodafinila com estimulantes como metilfenidato ou anfetamina ou com atomoxetina para TDAH não foi estudada sistematicamente
- Entretanto, tais combinações podem ser opções úteis para o especialista, mediante monitoramento atento, após diversas monoterapias para sonolência ou TDAH terem falhado
Dosagem e uso
Variação típica da dose
- 150 a 250 mg/dia
Como dosar
- Titulação crescente e decrescente necessária apenas se não for idealmente eficaz na dose-padrão inicial de 150 mg 1 vez por dia
- Para AOS e narcolepsia, dar como dose única pela manhã
- Para transtorno do sono-vigília do tipo trabalho em turnos, dar como dose única 1 hora antes do início do turno de trabalho
Dicas para dosagem
- Para sonolência, mais pode ser mais: as doses mais altas podem ser melhores do que as mais baixas em pacientes com sonolência diurna em transtornos do sono-vigília
- Para problemas de concentração e fadiga, menos pode ser mais: as doses mais baixas podem ser paradoxalmente melhores do que as mais altas em alguns pacientes
- Em altas doses, pode induzir de modo leve seu próprio metabolismo, possivelmente por ações de indução de CYP450 3A4
- A dose pode ser aumentada em alguns pacientes com tratamento prolongado devido à autoindução; interrompor a substância por um tempo pode restaurar a eficácia na dose original
- A farmacocinética e a experiência clínica sugerem que a armodafinila tem mais longa duração da ação do que a modafinila racêmica, geralmente requerendo administração de apenas 1 vez ao dia
Overdose
- Agitação, insônia, aumento nos parâmetros hemodinâmicos
- A experiência pós-comercialização inclui sintomas do SNC, como inquietação, desorientação, confusão, excitação e alucinações; alterações digestivas como náusea e diarreia; e alterações cardiovasculares como taquicardia, bradicardia, hipertensão e dor torácica
Uso prolongado
- A necessidade de tratamento continuado deve ser reavaliada periodicamente
Formação de hábito
- Classe IV; pode ter algum potencial para abuso, mas incomum na prática clínica
Como interromper
- Não é necessário reduzir gradativamente; os pacientes podem ter sonolência com a descontinuação
Farmacocinética
- Metabolizado pelo fígado
- Meia-vida de eliminação de aproximadamente 15 horas
- Inibe CYP450 2C19
- Induz CYP450 3A4 (e levemente 1A2)
Mecanismos de interações medicamentosas
- Pode aumentar os níveis plasmáticos de substâncias metabolizadas por CYO450 2C19 (p. ex., diazepam, fenitoína, propranolol)
- Pode reduzir os níveis plasmáticos dos substratos de CYP450 3A4 como etinilestradiol e triazolam
- Devido à indução de CYP450 3A4, a eficácia dos contraceptivos esteroides pode ser reduzida por armodafinila, incluindo 1 mês após a descontinuação
- Indutores ou inibidores de CYP450 3A4 podem afetar os níveis de armodafinila (p. ex., carbamazepina pode reduzir os níveis plasmáticos de modafinila; fluvoxamina e fluoxetina podem elevar os níveis plasmáticos de armodafinila)
- A armodafinila pode reduzir levemente seus próprios níveis pela autoindução de CYP450 3A4
- Pacientes em uso de armodafinila e varfarina devem ter monitorados os tempos de protrombina
- Metilfenidato e dextroanfetamina podem retardar a absorção de armodafinila em 1 hora
- Entretanto, a coadministração com metilfenidato ou dextroanfetamina não altera significativamente a farmacocinética da armodafinila ou do outro estimulante
- Estudos da interação com IMAOs não foram realizados, mas os IMAOs podem ser administrados com armodafinila por especialistas com monitoramento atento
Outras advertências/precauções
- Pacientes com história de abuso de substância devem ser acompanhados atentamente
- A armodafinila pode causar efeitos no SNC semelhantes aos causados por outros agentes no SNC (p. ex., alterações no humor e teoricamente ativação de psicose, mania ou ideação suicida)
- A armodafinila deve ser usada em pacientes com transtornos do sono-vigília que foram completamente avaliados para narcolepsia, AOSSH e transtorno do sono-vigília do tipo trabalho em turnos
- Em pacientes com AOSSH para quem a CPAP é o tratamento de escolha, deve ser feito um esforço máximo para tratar primeiro com a CPAP antes de iniciar armodafinila, e depois a CPAP deve ser continuada
- A eficácia de contraceptivos orais pode ser reduzida quando utilizados com armodafinila e por 1 mês após a descontinuação dessa substância
- A armodafinila não é um substituto para o sono
Não usar
- Se houver uma alergia comprovada a armodafinila ou modafinila
Potenciais vantagens e desvantagens
Potenciais vantagens
- Seletivo para áreas do cérebro envolvidas na promoção do sono/vigília
- Menos ativador e menor abuso potencial do que estimulantes
Potenciais desvantagens
- Pode não funcionar tão bem quanto os estimulantes em alguns pacientes
Dicas
- A armodafinila é o enantiômero R de mais longa duração da modafinila racêmica
- A armodafinila mantém concentrações plasmáticas mais altas no fim do dia do que a modafinila na sua comparação de mg para mg, o que teoricamente pode resultar em vigília melhorada durante o dia com o primeiro quando comparado ao segundo
- A armodafinila não é um substituto para o sono
- O tratamento para privação de sono é dormir, não armodafinila
- Estudos controlados sugerem que a armodafinila melhora a atenção em AOSSH e transtorno do sono-vigília do tipo trabalho em turnos, mas estudos controlados sobre a atenção não foram realizados em TDAH ou transtorno depressivo maior
- Estudos controlados de modafinila racêmica em TDAH sugerem melhora na atenção
- Pode ser útil para tratar fadiga em pacientes com depressão e outras condições, como esclerose múltipla, distrofia miotônica, HIV/aids
- Pode ser útil no tratamento de sonolência associado a analgesia com opioide, particularmente em manejo no fim da vida
- A sensação subjetiva associada à armodafinila costuma ser a da vigília normal, não de estimulação, embora raramente possa ocorrer tremor
- Comparado aos estimulantes tradicionais, a armodafinila tem um novo mecanismo de ação, novos usos terapêuticos e menos abuso potencial
- Antagonistas de alfa-1 como prazosina podem bloquear as ações terapêuticas da armodafinila
- Alguns ensaios controlados sugerem eficácia em depressão bipolar como um adjunto de antipsicóticos atípicos
Referência
Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.
Leituras sugeridas
Darwish M, Kirby M, Hellriegel ET, Robertson P Jr. Armodafinil and modafinil have substantially different pharmacokinetic profiles despite having the same terminal half-lives: analysis of data from three randomized, single-dose, pharmacokinetic studies. Clin Drug Investig 2009;29(9):613–23.
Darwish M, Kirby M, Hellriegel ET, Robertson Jr P. Interaction profile of armodafinil with medications metabolized by cytochrome P450 enzymes 1A2, 3A4, and 2C19 in healthy subjects. Clin Pharmacokinet 2008;47(1):61–74.
Garnock-Jones KP, Dhillon S, Scott LJ. Armodafi nil. CNS Drugs 2009;23(9):793–803.
*Revisão dos nomes comerciais e apresentações
Felipe Mainka
*Revisão dos nomes comerciais e apresentações
Felipe Mainka
Autores
Stephen M. Stahl