Amantadina, cloridrato

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Mantidan® (Momenta)
  • Similar: indisponível
  • Genérico: indisponível

Apresentações:

  • Comprimido de 100 mg – Embalagem com:
    • 20 cp: Mantidan®

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Agente antiparkinsoniano1
  • Agente antiviral1

Comumente prescrito para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Doença de Parkinson1
  • Sintomas extrapiramidais induzidos por medicamento1

Principais sintomas-alvo

  • Tratamento de sintomas parkinsonianos.

Evidências incompletas de eficácia:

  • Doença de Huntington (tratamento da coreia)1
  • Tratamento de fadiga em esclerose múltipla1
  • Síndrome das pernas inquietas1
  • Transtorno do espectro autista (TEA) (tratamento de hiperatividade e irritabilidade)1
  • Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)1
  • Recuperação após traumatismo cranioencefálico
  • Flutuações motoras induzidas por levodopa
  • Tratamento adjuvante na esquizofrenia

Como a substância atua

  • A amantadina é uma amina tricíclica sintética hidrossolúvel utilizada originalmente como antiviral na profilaxia e no tratamento de infecções pelo vírus influenza A.2 Posteriormente, descobriu-se também que tem ação antiparkinsoniana, por meio de mecanismos menos conhecidos.
  • Como agente antiviral, a amantadina atua inibindo a replicação do vírus influenza A ao ligar-se à proteína M2 de sua membrana.2 No entanto, devido ao grande desenvolvimento de resistência do vírus, a amantadina não é mais indicada no tratamento e na profilaxia da influenza.3
  • A ação na doença de Parkinson e nos sintomas extrapiramidais induzidos por substâncias é menos conhecida, mas parece envolver o aumento do tônus monoaminérgico e o antagonismo parcial dos receptores N-metil-D-aspartato (NMDA), modulando a transmissão de glutamato, contribuindo para o aumento de neurotrofinas cerebrais, estabilizando a membrana neuronal e promovendo diminuição do estresse oxidativo, envolvendo mecanismos de alteração do funcionamento glial no sistema nervoso.4-7
  • É usada em monoterapia ou em combinação com levodopa ou agonistas de receptores dopaminérgicos no tratamento dos sintomas da doença de Parkinson, bem como em casos de sintomas extrapiramidais induzidos por medicação. Também pode diminuir a discinesia e flutuações motoras desencadeadas pela levodopa.4,5,8,9
  • No traumatismo cranioencefálico grave, a amantadina foi capaz de acelerar a recuperação funcional dos pacientes durante tratamento ativo dos transtornos de consciência pós-trauma.10
  • Estudos também sugerem que a amantadina possa ser usada como adjuvante no tratamento da esquizofrenia para melhora de sintomas positivos, negativos, cognitivos e na catatonia.5,6
  • Também se tem avaliado seu uso em alguns transtornos psiquiátricos da infância, como TDAH e TEA, apresentando efeitos terapêuticos positivos com relativa segurança nessa faixa etária, ainda que seu uso não seja aprovado para tais fins.4

Tempo para início da ação

  • No tratamento de sintomas extrapiramidais e discinesia, o início de ação ocorre dentro de 48 horas.1

Se funcionar

  • Ocorre melhora clínica de sintomas extrapiramidais.1
  • Melhora a discinesia em pacientes com uso de levodopa.1

Se não funcionar

  • Avaliar adesão medicamentosa.
  • A medicação pode perder efeito com meses de uso no tratamento da doença de Parkinson. Em alguns desses casos, a descontinuação da medicação de forma gradual, sem utilizá-la por várias semanas, com a sua reintrodução posterior, pode melhorar a resposta clínica.11
  • Aumentar a dose até 300 mg/dia no tratamento de sintomas extrapiramidais induzidos por medicação.1,11
  • Aumentar a dose até 400 mg/dia no tratamento da doença de Parkinson.1,11

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Combinação com outras medicações antiparkinsonianas, revisando a dose com cautela.1,11

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • A dose habitual na doença de Parkinson e em parkinsonismo induzido por medicamentos é de 100 mg 2 vezes ao dia (quando usado isoladamente).
  • Aumentar a dose até 400 mg/dia no tratamento da doença de Parkinson.1,11
  • Aumentar a dose até 300 mg/dia no tratamento de parkinsonismo induzido por medicamentos.1,11

Como dosar

  • Em associação com outros antiparkinsonianos, em pacientes com idade superior a 65 anos ou com doença renal crônica em estágios avançados, deve-se iniciar o tratamento com 100 mg ao dia.
  • A dose pode ser aumentada em intervalos semanais, com incrementos de 100 mg.1,11

Dicas para dosagem

  • A amantadina pode ser ingerida com ou sem alimentação.1
  • O comprimido deve ser engolido inteiro.1
  • O comprimido não deve ser mastigado, quebrado ou dividido.1
  • Em caso de insônia, deve-se adiantar o horário de administração da dose noturna.1
  • Em caso de esquecimento de uma dose, a próxima dose pode ser usada normalmente.11

Overdose

  • Doses excessivas de amantadina podem produzir agitação, ansiedade, arritmia, ataxia, coma, comportamento agressivo, confusão, convulsões, desorientação, despersonalização, edema pulmonar, hipercinesia, hipertonia, hipertensão, insônia, letargia, retenção urinária que pode evoluir para insuficiência renal, sintomas psicóticos, sonolência, taquicardia, tremores e vômitos.
  • Agentes anticolinérgicos,8 trimetoprim8,13 e hidroclorotiazida8,13 podem diminuir a depuração renal da amantadina, permitindo o acúmulo do medicamento em concentrações tóxicas. Os níveis plasmáticos devem ser mantidos abaixo de 1 a 1,5 mg/L; concentrações acima de 3 mg/L podem causar sintomas no sistema nervoso central (SNC), como alucinações e delirium.3
  • Foram descritos óbitos com superdosagem de amantadina, sendo que a dose mais baixa que teve óbito como desfecho foi 1 g. Por esse motivo, é necessário cautela para prescrição em pacientes com risco de suicídio.11
  • Em casos de intoxicação aguda pela amantadina, é indicada lavagem gástrica. A fisostigmina também parece ser efetiva no tratamento da toxicidade pela amantadina no SNC. Como a amantadina distribui-se amplamente, a hemodiálise convencional e mesmo a diálise peritoneal são pouco eficazes nos casos de intoxicação.7

Uso prolongado

  • É uma medicação de uso crônico no tratamento da doença de Parkinson.1

Formação de hábito

  • A medicação pode perder efeito com meses de uso no tratamento da doença de Parkinson. Em alguns desses casos, a descontinuação da medicação de forma gradual, sem utilizá-la por várias semanas, com a sua reintrodução posterior, pode melhorar a resposta clínica.11

Como interromper

  • Não se deve interromper o uso de amantadina de forma abrupta. As doses devem ser reduzidas gradualmente, para evitar a manifestação de agitação, ansiedade, psicose, depressão, estupor e fala pastosa, piora súbita de sintomas parkinsonianos, entre outros sintomas.1 Também pode ocorrer síndrome neuroléptica maligna com a descontinuação súbita de amantadina.

Farmacocinética

  • A amantadina é bem absorvida por via oral e amplamente distribuída, com tendência a se concentrar nos tecidos; por isso, é encontrada em pouca quantidade na circulação.
  • O pico de concentração plasmática é atingido em aproximadamente 3,3 horas, e o estado de equilíbrio plasmático, em 4 a 7 dias.
  • Sua concentração plasmática parece ter correlação com a melhora de sintomas extrapiramidais e com efeitos tóxicos.
  • Noventa por cento da dose ingerida é excretada na urina de forma inalterada por meio de filtração glomerular e secreção tubular. A amantadina tem meia-vida de eliminação de cerca de 16 horas em pacientes com função renal preservada. Somente de 5 a 15% da amantadina é metabolizada (acetilação).2,4,8,13

Mecanismos de interações medicamentosas

  • O uso associado com agentes anticolinérgicos, trimetoprim e hidroclorotiazida deve ser cuidadosamente monitorado, devido ao risco de intoxicação pela amantadina.
  • O uso de medicações como amisulprida, outros antipsicóticos (primeira ou segunda geração), sulpirida, alizaprida e metoclopramida pode diminuir o efeito antiparkinsoniano da amantadina.1
  • A amantadina pode diminuir o efeito terapêutico da amisulprida e de outros antipsicóticos (primeira geração).1

Outras advertências/precauções

  • Usar com cautela em pacientes com hepatopatia ou história de crises convulsivas.
  • A amantadina pode potencializar os efeitos do álcool no SNC, como tontura, confusão e hipotensão ortostática.
  • Evitar uso em glaucoma de ângulo fechado não tratado.1
  • Usar com cautela em pacientes com histórico de dermatite eczematosa recorrente.1

Não usar

  • Hipersensibilidade ao cloridrato de amantadina.
  • Úlceras gástricas ou duodenais.
  • Doença renal crônica dialítica.1

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Potencial de uso para tratamento de doença de Huntington e traumatismo cranioencefálico.1

Potenciais desvantagens

  • Efeitos colaterais psiquiátricos importantes.1
  • Perda do efeito clínico com uso crônico em pacientes com doença de Parkinson.11

Dicas

  • Avaliar perfil de interações medicamentosas.1
  • Descontinuar a medicação de forma gradual.1
  • Cuidar com prescrição de amantadina para pacientes com risco de suicídio.1

Referências

Conteúdo adaptado e ampliado de Henriques AA, Filippon APM, Padua AC, Kruter BC, Mattevi BS, Gallois CB, et al. Medicamentos: informações básicas. In: Cordioli A, Gallois CB, Isolan L, organizadores. Psicofármacos: consulta rápida. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2015. p. 28-352. 

  1. Drug Information [Internet]. UpToDate. Waltham: UpToDate; c2020 [capturado em 13 set 2020]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/amantadine-drug-information?search=amantadine&source=panel_search_result&selectedTitle=1~68&usage_type=panel&kp_tab=drug_general&display_rank=1.
  2. Davies WL, Grunert RR, Haff RF, McGahen JW, Neumayer EM, Paulshock M, et al. Antiviral Activity of 1-Adamantadine (Amantadine). Science. 1964;144(3620):862-3.
  3. Pielak RM, Chou JJ. Flu channel drug resistance: a tale of two sites. Protein Cell. 2010;1(3):246-58.
  4. Hosenbocus S, Chahal R. Amantadine: a review of use in child and adolescent psychiatry. J Can Acad Child Adolesc Psychiatry. 2013;22(1):55-60.
  5. Lucena DF, Pinto JP, Hallak JE, Crippa JA, Gama CS. Short-term treatment of catatonia with amantadine in schizophrenia and schizoaffective disorder. J Clin Psychopharmacol. 2012;32(4):569-72.
  6. Gama CS, Lucena D, Cruz C, Lobato MI, Belmonte-de-Abreu PS. Improvement of schizophrenia negative and positive symptoms with amantadine as add-on therapy to antipsychotics: a case series. Braz J Psychiatry. 2010;32(2):193-4.
  7. Ossola B, Schendzielorz N, Chen SH, Bird GS, Tuominen RK, Männistö PT, et al. Amantadine protects dopamine neurons by a dual action: reducing activation of microglia and inducing expression of GDNF in astroglia [corrected]. 2011;61(4):574-82.
  8. Connolly BS, Lang AE. Pharmacological treatment of Parkinson disease: a review. 2014;311(16):1670-83.
  9. Rodnitzky RL, Narayanan NS. Amantadine’s role in the treatment of levodopa-induced dyskinesia. 2014;82(4):288-9.
  10. Giacino JT Whyte J, Bagiella E, Kalmar K, Childs N, Khademi A, et al. Placebo-controlled trial of amantadine for severe traumatic brain injury. N Engl J Med. 2012;366(9):819-26.
  11. Symmetrel®. Bula [Internet]. Chadds Ford: Endo Pharmaceuticals; 2009 [capturado em 14 set 2020]. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2009/016023s041,018101s016lbl.pdf.
  12. Aronson JK. Amantadine. In: Aronson JK, editor. Meyler’s side effects of drugs: the international encyclopedia of adverse drug reactions and interactions. 16th ed. Amsterdam: Elsevier; 2015. p. 199-201.
  13. Aoki FY, Sitar DS. Clinical pharmacokinetics of amantadine hydrochloride. Clin Pharmacokinet. 1988;14(1):35-51.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Thiago Henrique Roza