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Classe, mecanismo de ação e farmacodinâmica
O cloxazolam é um BZD tetracíclico com um anel oxazólico adicional, o que o diferencia dos demais BZDs (tricíclicos). Ele potencializa o efeito inibitório do neurotransmissor GABA, modulando a atividade dos receptores GABA-A por meio de sua ligação com seu sítio específico (receptores BZDs). Essa ligação altera a conformação desses receptores, aumentando a afinidade do GABA com seus próprios receptores e a frequência da abertura dos canais de cloro, cuja entrada no neurônio é regulada por esse neurotransmissor, promovendo a hiperpolarização da célula. O resultado dessa hiperpolarização é um aumento da ação gabaérgica inibitória do SNC.
Farmacocinética
O cloxazolam é duas vezes mais potente que o diazepam, embora aparentemente apresente uma ação depressora menor sobre o SNC. É lipofílico, e, por isso, sua absorção e seu início de ação são rápidos: o pico de concentração sérica é atingido em 1 hora em adultos (15 a 30 minutos em crianças). Sua meia-vida é longa: 20 a 90 horas (em média, 40 horas), podendo ser administrado em dose única. É metabolizado no fígado, e seus metabólitos também são ativos. Sua excreção é feita principalmente pela bile e pelas fezes. Apenas 18% da dose oral é excretada pela urina. Em geral, atinge-se o equilíbrio das concentrações plasmáticas em 1 a 2 semanas, período após o qual se pode avaliar se a dose deve ser aumentada ou diminuída.1,2
A eficácia do cloxazolam tem sido estabelecida no tratamento dos estados ansiosos.3 Um estudo controlado, de 4 semanas de duração, com mais de 800 pacientes, comparou a eficácia do cloxazolam em relação ao bromazepam na redução dos sintomas de ansiedade. Foram observados um efeito sedativo semelhante entre ambos os fármacos, uma ação superior do cloxazolam nas ansiedades psicológica e somática e na redução de sintomas depressivos e uma atuação menor como relaxante muscular.4
Em 3 a 4 dias, em geral, estabelece-se uma tolerância aos efeitos sedativos (sonolência, apatia, fraqueza e fadiga), permanecendo os efeitos ansiolíticos. A retirada deve ser lenta após uso prolongado, para evitar síndrome de abstinência.
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Lavene D, Abriol C, Guerret M, Kiechel JR, Lallemand A, Rulliere R. Pharmacokinetics of cloxazolam in man, after single and multiple oral doses. Therapie. 1980;35(4):533-43. PMID [6110252]
- Cloxazolam [Bula de medicamento]. São Paulo: Eurofarma; 2013.
- Piedade RAM, Sougey EB, Almeida FJB, Knijnik L, Camargo IB, Porto JA, et al. Estudo da eficácia do cloxazolam versus placebo na terapia dos estados ansiosos. J Bras Psiquiat. 1987;36(3):189-97.
- Ansseau M, von Frenckell R. Controlled comparison of two anxiolytic benzodiazepines, cloxazolam and bromazepam. Neuropsychobiology. 1990;24(1):25-9. PMID [1983433]
- Kimura N, Fujii T, Miyajima T, Kumada T, Mikuni T, Ito M. Initial and long-term effects of cloxazolam with intractable epilepsy. Pediatr Neurol. 2010;43(6):403-6. PMID [21093730]
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Cristiano Tschiedel Belem da Silva