Avanafila

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Stendra® (Metuchen)
  • Similar: não disponível
  • Genérico: não disponível

Apresentações: Medicamento disponível apenas via importação.

  • Comprimido de:
    • 50 mg
    • 100 mg
    • 200 mg 

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Inibidor da fosfodiesterase-5 (PDE5)

Comumente prescrito para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Tratamento de disfunção erétil (DE)1-6
  • Tratamento de disfunção erétil em homens com diabetes melito (DM)7

Principais sintomas-alvo

  • Disfunção erétil.

Como a substância atua

  • O mecanismo fisiológico da ereção do pênis envolve a liberação de óxido nítrico no corpo cavernoso durante a estimulação sexual. Quando liberado, o óxido nítrico ativa a enzima guanilato ciclase, resultando no aumento do nível de monofosfato de guanosina cíclico (GMPc). Conforme esse nível aumenta, o cálcio intracelular é reduzido, o que faz o músculo liso peniano relaxar, aumentando o fluxo sanguíneo local, resultando na ereção.
  • A avanafila não apresenta efeito direto no relaxamento da musculatura lisa peniana de forma isolada, mas potencializa o efeito do óxido nítrico, inibindo a isoenzima PDE5, que é responsável pela degradação do GMPc no corpo cavernoso.
  • Estudos in vitro vêm demonstrando que a avanafila tem efeito mais seletivo para a PDE5 do que para as outras fosfodiesterases.8
  • Esses agentes são de fácil administração, mas auxiliam no desenvolvimento das ereções apenas se o homem for estimulado sexualmente (de forma tátil e/ou psíquica); seus efeitos não persistem após o término da estimulação sexual.8-10

Tempo para início da ação

  • Deve ser administrada por via oral, cerca de 15 a 30 minutos antes do início da atividade sexual. A estimulação sexual é necessária para a resposta ao tratamento.8

Se funcionar

  • Ocorre a presença de ereção quando o homem é estimulado sexualmente.

Se não funcionar

  • Aumentar a dose até o máximo de 200 mg antes da relação sexual.
  • Realizar anamnese e exame físico cuidadosos para determinar as possíveis causas da DE (físicas e psicológicas) e, sempre que possível, tratá-las.

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Esta medicação não deve ser combinada com outras medicações de mesma classe.

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • Comprimidos de 50, 100 ou 200 mg.6,11
  • Uso em dose única, via oral, de 15 a 30 minutos antes da relação sexual.6,11

Como dosar

  • Pode-se iniciar com 100 mg, em dose única, apenas uma vez ao dia, cerca de 15 a 30 minutos antes da atividade sexual. Conforme necessidade, a dose pode ser aumentada até um máximo de 200 mg (dose única), ou reduzida para 50 mg (dose única).6,11

Dicas para dosagem

  • Os pacientes devem ser orientados a não tomar a avanafila mais de uma vez ao dia e usá-la apenas quando forem ter relações sexuais.6,11
  • Deve-se usar a menor dose que produza resposta clínica antes da relação sexual.6,11
  • Pode ser ingerida com ou sem alimentação.6,11
  • De acordo com as interações medicamentosas (medicação com interações medicamentosas significativas), pode ser necessário fazer ajuste da dose da medicação. Por isso, sugere-se consultar uma base de dados de interações medicamentosas.6,11

Overdose

  • Doses de até 800 mg foram administradas em indivíduos saudáveis, e diferentes doses de até 300 mg foram administradas em indivíduos com DE. Em casos de superdosagem, medidas de suporte padrão devem ser adotadas conforme a necessidade. Não se espera que a diálise renal acelere a depuração, pois a avanafila liga-se fortemente às proteínas plasmáticas e não é significativamente eliminada pela urina.

Uso prolongado

  • Deve ser usada apenas se necessário, antes de ter relações sexuais.6,11

Formação de hábito

  • Não é uma medicação de uso crônico ou contínuo, devendo ser usada apenas na ocasião de relações sexuais.

Como interromper

  • Deve ser usada apenas se necessário, antes de ter relações sexuais.6,11

Farmacocinética

  • Pode diferenciar-se dos outros fármacos de seu grupo devido ao início de ação rápido e à maior especificidade para PDE5.9
  • Administrada em doses de 50 a 200 mg (dose máxima), é rapidamente absorvida, com um tempo médio de concentração plasmática máxima (Tmáx) de 30 a 45 minutos em jejum e de 1 hora e 20 minutos quando ingerida com refeições ricas em gorduras.8
  • Em relação à meia-vida de eliminação, apresenta variações, com média de 1 hora e 20 minutos, e tempo máximo em torno de 5 horas (sildenafil, 3-4 horas; vardenafil, 4-5 horas; tadalafil, 17,5 horas).8,10
  • A avanafila sofre metabolização hepática via citocromo P450 (CYP), prioritariamente a partir da isoenzima microssomal CYP3A4 (com uma contribuição menor da CYP2C), sendo transformada em pelo menos 11 metabólitos diferentes, excretados sobretudo pelas fezes (aproximadamente 62% da dose oral administrada) e, em menor quantidade, pela urina (em torno de 21%).9,10

Mecanismos de interações medicamentosas

  • A coadministração com nitratos é contraindicada, pois os inibidores da PDE5 podem potencializar os efeitos hipotensores dessas medicações.
  • O uso concomitante de avanafila com inibidores potentes da isoenzima hepática CYP3A4 (p. ex., ritonavir, claritromicina, cetoconazol e nefazodona) pode levar a um significativo aumento das concentrações plasmáticas de avanafila, uma vez que esses medicamentos reduzem significativamente o metabolismo e a eliminação dessa medicação. Assim, é contraindicado o uso de avanafila com tais medicações.11
  • A dose máxima recomendada em pacientes que fazem uso concomitante de inibidores moderados da isoenzima hepática CYP3A4 (p. ex., fluconazol, eritromicina, diltiazem e verapamil) é de 50 mg. Não usar mais do que 1 vez a cada 24 horas.
  • Em concomitância com vasodilatadores (alfabloqueadores e outros anti-hipertensivos), deve-se iniciar o uso da avanafila com a dose mínima preconizada (50 mg), devido ao potencial efeito aditivo de redução da PA, podendo causar hipotensão sintomática (p. ex., vertigem, tontura, desmaio).

Outras advertências/precauções

  • Utilizar com cautela em pacientes com deformidades anatômicas do pênis (p. ex., angulação excessiva, fibrose cavernosa ou doença de Peyronie) ou que apresentem condições que predisponham ao priapismo (p. ex., anemia falciforme, mieloma múltiplo ou leucemia).
  • Utilizar com cautela em pacientes com discrasias sanguíneas ou com úlcera péptica ativa, devendo sua administração ser feita somente após cuidadosa avaliação da relação risco-benefício.
  • Não usar em combinação com outros inibidores da PDE5, pelo risco de efeitos adversos e toxicidade.6,11
  • Avaliar o padrão de uso de álcool do paciente, principalmente em contextos de interações sexuais, pois o uso concomitante de álcool pode aumentar os efeitos hipotensores da medicação.6,11

Não usar

  • Em caso de hipersensibilidade ao fármaco ou a quaisquer componentes da fórmula.
  • Em pacientes com uso concomitante de outro tipo de tratamento para DE.
  • Em pacientes com doenças hereditárias degenerativas da retina, incluindo retinite pigmentosa, por falta de estudos que garantam uso seguro de avanafila nessas populações.

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Pode diferenciar-se dos outros fármacos de seu grupo devido ao início de ação rápido e à maior especificidade para PDE5.9

Potenciais desvantagens

  • Falta de estudos para algumas populações especiais e para algumas comorbidades.
  • Perfil de interações medicamentosas.

Dicas

  • A causa da DE sempre deve ser investigada e tratada antes da prescrição desta medicação.
  • Reforçar a orientação aos pacientes quanto ao uso apenas se necessário, de 15 a 30 minutos antes da relação sexual.
  • Reforçar orientação de uso apenas uma vez ao dia.
  • Antes de prescrever, avaliar medicações em uso e comorbidades clínicas/psiquiátricas.

Referências

Conteúdo adaptado e ampliado de Henriques AA, Filippon APM, Padua AC, Kruter BC, Mattevi BS, Gallois CB, et al. Medicamentos: informações básicas. In: Cordioli A, Gallois CB, Isolan L, organizadores. Psicofármacos: consulta rápida. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2015. p. 28-352. 

  1. Goldstein I, McCullough AR, Jones LA, Hellstrom WJ, Bowden CH, Didonato K, et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled evaluation of the safety and efficacy of avanafila in subjects with erectile dysfunction. J Sex Med. 2012;9(4):1122-33.
  2. Zhao C, Kim SW, Yang DY, Kim JJ, Park NC, Lee SW, et al. Efficacy and safety of avanafila for treating erectile dysfunction: results of a multicentre, randomized, double-blind, placebo-controlled trial. BJU Int. 2012;110(11):1801-6.
  3. Hellstrom WJ, Freier MT, Serefoglu EC, Lewis RW, DiDonato K, Peterson CA. A phase II, single-blind, randomized, crossover evaluation of the safety and efficacy of avanafila using visual sexual stimulation in patients with mild to moderate erectile dysfunction. BJU Int. 2013;111(1):137-47.
  4. Belkoff LH, McCullough A, Goldstein I, Jones L, Bowden CH, DiDonato K, et al. An open-label, long-term evaluation of the safety, efficacy and tolerability of avanafila in male patients with mild to severe erectile dysfunction. Int J Clin Pract. 2013;67(4):333-41.
  5. Kotera J, Mochida H, Inoue H, Noto T, Fujishige K, Sasaki T, et al. J Urol. Avanafila, a potent and highly selective phosphodiesterase-5 inhibitor for erectile dysfunction. J Urol. 2012;188(2):668-74.
  6. Stendra™. Bula [Internet]. Mountain View: Vivus; 2012 [capturado em 4 set 2020]. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2012/202276s000lbl.pdf.
  7. Goldstein I, Jones LA, Belkoff LH, Karlin GS, Bowden CH, Peterson CA, et al. Avanafila for the treatment of erectile dysfunction: a multicenter, randomized, double-blind study in men with diabetes mellitus. Mayo Clin Proc. 2012;87(9):843-52.
  8. Kedia GT, Uckert S, Assadi-Pour F, Kuczyk MA, Albrecht K. Avanafila for the treatment of erectile dysfunction: initial data and clinical key properties. Ther Adv Urol. 2013;5(1):35-41.
  9. Burke RM, Evans JD. Avanafila for treatment of erectile dysfunction: review of its potential. Vasc Health Risk Manag. 2012;8:517-23.
  10. Limin M, Johnsen N, Hellstrom WJG. Avanafila, a new rapid-onset phosphodiesterase 5 inhibitor for the treatment of erectile dysfunction. Expert Opin Investig Drugs. 2010;19(11):1427-37.
  11. Avanafil. Drug Information [Internet]. UpToDate. Waltham: UpToDate; c2020 [capturado em 4 set 2020]. Disponível em:  https://www.uptodate.com/contents/avanafil-drug-information?search=avanafil&source=panel_search_result&selectedTitle=1~22&usage_type=panel&kp_tab=drug_general&display_rank=1.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Thiago Henrique Roza