Psicoterapia na dependência de internet – Terapia cognitivo-comportamental: Exemplo clínico
C. tem 16 anos e, desde os 10, joga videogame.
No início, jogava de maneira recreativa, mas, com o passar dos anos, começou a isolar-se e, progressivamente, abster-se das atividades cotidianas normais para um jovem adolescente.
Há 2 anos, abandonou a escola, perdeu o contato com os amigos e apenas se relaciona com pessoas por meio das redes sociais.
Hoje, dorme durante praticamente o dia inteiro e fica acordado durante a noite toda. Em virtude disso, não se alimenta corretamente, não exibe cuidado apropriado com a higiene pessoal e negligencia qualquer contato familiar.
Nos fins de semana, quando todos estão presentes, recusa-se a sair do quarto e não acompanha a família em atividades sociais, como viagens, churrascos ou festas.
Fica isolado o tempo todo e se recusa a sair de casa, mesmo que seja para cortar o cabelo, por exemplo.
Segundo a mãe, que é separada, as poucas saídas do filho ocorrem à base de algum tipo de “troca”. Para concordar em ir ao dentista, ele pede um “teclado novo” ou “mais memória” para seu computador. Todas as tentativas de afastá-lo do jogo o deixam muito agressivo e violento.
Ainda, segundo a mãe, C. chega a “virar” várias noites e várias vezes já chegou a ficar conectado ininterruptamente por mais de 40 horas. Recusa-se a buscar qualquer tipo de ajuda especializada.
Foi encaminhado para tratamento por sua mãe e, quando avaliado pela equipe, recebeu internação imediata, permanecendo por aproximadamente 4 dias, pois seu pai, ao saber de sua internação, exigiu que a alta terapêutica fosse dada.
Em função da gravidade, a equipe tentou informar o pai do rapaz a respeito dos cuidados, mas o pai entrou com uma queixa na ouvidoria da instituição alegando “cárcere privado”, e o paciente acabou sendo liberado, apesar da gravidade do transtorno.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Dora Sampaio Góes
Cristiano Nabuco de Abreu