Andropausa

Sobre

Durante o envelhecimento, ocorre uma diminuição lenta e gradual dos níveis de testosterona.1 A deficiência androgênica está presente em cerca de 15% dos homens entre 50 e 60 anos, chegando a 50%, ou mais, dos homens com 80 anos. Embora a redução da testosterona sérica seja comum em homens idosos, apenas uma pequena proporção desenvolve a síndrome genuína da baixa testosterona associada a sintomas difusos sexuais, físicos e psicológicos. Essa síndrome recebe muitos nomes, incluindo menopausa masculina ou climatério, andropausa, deficiência androgênica parcial do homem idoso ou hipogonadismo de início tardio, sendo este último geralmente preferido.2

Os sintomas do hipogonadismo de início tardio podem ser separados em dois grupos: sintomas de hipogonadismo propriamente dito (transtornos sexuais, ginecomastia, perda de pelos, infertilidade, contagem baixa de espermatozoides, perda de altura, baixa densidade mineral óssea e sintomas vasomotores) e sintomas inespecíficos (redução de energia, motivação, iniciativa e autoconfiança, humor deprimido, alterações de concentração e memória, alterações do sono). A dosagem da concentração de testosterona sérica deve ser solicitada em pacientes com os sintomas mais específicos de hipogonadismo e considerada naqueles que referem sintomas inespecíficos. O diagnóstico do hipogonadismo é possível quando o nível de testosterona sérica está abaixo do limite inferior e foram excluídas outras causas, como doenças reversíveis, medicamentos e deficiências nutricionais.

Os aspectos comportamentais da insuficiência androgênica parcial do homem idoso podem confundir-se com os sinais de depressão, e muitos homens com hipogonadismo de fato sofrem de depressão, mas a natureza causal da relação entre níveis de testosterona e depressão ainda é incerta. Em alguns estudos, observou-se que a suplementação de testosterona foi efetiva em domínios significativos para a qualidade de vida dos homens com insuficiência androgênica parcial. Esses efeitos poderiam mediar parcialmente os efeitos na sintomatologia depressiva relatada nesses estudos.3 Contudo, o efeito direto da reposição de testosterona em sintomas depressivos ainda não está bem estabelecido.

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Sobre reposição hormonal masculina [Internet]. Rio de Janeiro: SBEM; 2014 [capturado em 04 jan. 2022]. Disponível em: https://www.endocrino.org.br/sobre-reposicao-hormonal-masculina/.
  2. Huhtaniemi I. Late-onset hypogonadism: current concepts and controversies of pathogenesis, diagnosis and treatment. Asian J Androl. 2014;16(2):192-202. PMID [24407185]
  3. Amore M, Innamorati M, Costi S, Sher L, Girardi P, Pompili M. Partial androgen deficiency, depression, and testosterone supplementation in aging men. Int J Endocrinol. 2012;2012:280724. PMID [22719760]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Marianna de Abreu Costa | Marianna de Barros Jaeger
Lorenna Sena Teixeira Mendes | Fabiano Gomes
Arthur Ludwig Paim | Tamires Martins Bastos
João Pedro Gonçalves Pacheco | Alice C. M. Xavier
Alessandro Ferroni Tonial | Livia Biason
Ana Laura Walcher | Aristides Volpato Cordioli