Psicoterapia nos transtornos por uso de substâncias – Manejo de contingências: Exemplo clínico
L., 22 anos, é universitária e vai à consulta levada pelos pais. Declara que os pais estão exagerando e que ela não precisaria estar ali.
Os pais relatam que ela iniciou consumo de álcool aos 14 anos, nas festas de 15 anos das amigas. Nessa época, chegou em casa com sinais de intoxicação por álcool em várias ocasiões. Seguiu consumindo álcool em festas e com alguns episódios esporádicos de intoxicação.
Entrou na faculdade aos 18 anos e passou a beber mais frequentemente e em maior quantidade. Também após o início da faculdade, experimentou maconha, cocaína e ecstasy.
Atualmente, L. consome álcool e fuma maconha de 4 a 5 vezes por semana e usa cocaína e ecstasy de 2 a 3 vezes por mês.
No último semestre, o desempenho acadêmico piorou muito, o que levou os pais a buscar ajuda.
Como ela se recusou a fazer tratamento, foi proposto que os pais realizassem o manejo de contingências (MC) como referencial teórico. Foi proposto aos pais que retirassem de L. o acesso à mesada, ao carro e ao dinheiro para atividades de lazer.
Foram instruídos a realizar na filha teste de urina para drogas 1 vez por semana e a combinar com ela as contingências de acordo com o exame de urina e com não chegar em casa alcoolizada. Por exemplo, se, ao final de uma semana, não chegasse nenhuma vez alcoolizada e os testes de urina fossem positivos, ganharia um quarto da mesada; na segunda semana, com tudo negativo, metade da mesada; e assim por diante.
Em caso de qualquer teste de urina positivo ou sinal de intoxicação por álcool, as contingências retornariam ao início.
Os pais iam ao consultório a cada 15 dias para discutir o progresso e as dificuldades com o tratamento.
Após 2 meses, L. começou a apresentar testes de urina negativos e a não chegar mais alcoolizada em casa.
Após 3 meses, L. aceitou iniciar um tratamento, pois suas notas melhoraram e ela também se sentia muito melhor.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Lisia von Diemen
Silvia Bassani Schuch-Goi
Felix Kessler
Flavio Pechansky