Artrite reumatoide

Sobre

A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica com acometimento geralmente simétrico de mãos e punhos, mas também de diversas outras articulações. Tem potencial de deformidade articular e está acompanhada habitualmente de elevação de provas de atividade inflamatórias.1-3

O afastamento social e funcional desses pacientes, bem como o papel inflamatório da doença reumática, são grandes responsáveis pelo surgimento de transtornos psiquiátricos nessa população, principalmente depressão, ansiedade e transtorno bipolar. Sexo feminino e baixo índice escolar parecem ser fatores determinantes dessa associação. 1-3

Há evidências de que a inflamação periférica da AR influencie no metabolismo de neurotransmissores, nos efeitos neuroendócrinos, na plasticidade sináptica e nos fatores de crescimento neuronal, contribuindo de alguma forma para a fisiopatologia de alguns transtornos psiquiátricos (em especial os transtornos de humor). Notadamente cada vez mais observamos uma associação entre interleucinas inflamatórias presentes na doença reumática e a sua direta relação com o transtorno depressivo, destacando-se possível papel para TNF, IL-1, IL-6 e IL-18. 1-3

O papel das interleucinas inflamatórias fica mais evidente quando observamos que tratamentos com anti-TNF (infliximabe) são capazes de reduzir até 50% dos sintomas psiquiátricos quando comparados com placebo. Também parece haver resposta aos sintomas psiquiátricos com o controle de IL-6 (tocilizumabe), e ainda pouco evidente com o uso de inibidores de JAK-STAT (upadacitinibe, tofacitinibe e baricitinibe). 1-3

Curiosamente, observa-se ainda menor eficácia do tratamento antidepressivo habitual nos pacientes com AR, com insucesso terapêutico em torno de 15 a 50% dos pacientes, o que corrobora o possível envolvimento inflamatório ou multifatorial desses casos. 1-3

O emprego de antidepressivos tricíclicos, bem como de ISRSs, parece, na maioria dos casos, eficaz para o controle de sintomas psiquiátricos em pacientes com AR. Entretanto, a utilização isolada de tricíclicos não se mostrou eficaz no controle da dor. O uso de inibidores duais (serotonina e noradrenalina), como duloxetina ou milnaciprano, parece auxiliar no controle de sintomas psiquiátricos e na dor crônica de pacientes com AR. 1-3

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Walsh DA, McWilliams DF. Mechanisms, impact and management of pain in rheumatoid arthritis. Nat Rev Rheumatol. 2014;10(10):581-92. PMID [24861185]
  2. Richards BL, Whittle SL, Buchbinder R. Antidepressants for pain management in rheumatoid arthritis. Cochrane Database Syst Rev. 2011;(11):CD008920. PMID [22071859]
  3. Vallerand IA, Patten SB, Barnabe C. Depression and the risk of rheumatoid arthritis. Curr Opin Rheumatol. 2019;31(3):279-84. PMID [30789849]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Marianna de Abreu Costa | Marianna de Barros Jaeger
Lorenna Sena Teixeira Mendes | Fabiano Gomes
Arthur Ludwig Paim | Tamires Martins Bastos
João Pedro Gonçalves Pacheco | Alice C. M. Xavier
Alessandro Ferroni Tonial | Livia Biason
Ana Laura Walcher | Aristides Volpato Cordioli