Psicoterapia nos transtornos depressivos – Terapia cognitivo-comportamental: Exemplo clínico 1
F., uma paciente com 46 anos, procurou atendimento psiquiátrico em um episódio depressivo após o divórcio.
Estava morando com o marido nos Estados Unidos, onde trabalhava em uma empresa fundada pelo casal. Após a separação, precisou voltar para o Brasil e passou a morar na casa da mãe.
A paciente apresentava anedonia e não tinha vontade de sair de casa para nada. Não procurou seus amigos, recusava os convites constantes de sua irmã para sair e somente ficava com a mãe, vivendo a vida de uma senhora de 76 anos.
Seu isolamento nutria outras cognições negativas, do tipo “nunca vou encontrar ninguém na vida”.
O terapeuta apresentou para F. a ideia de que não eram as coisas que despertavam a tristeza, e sim o que pensamos a respeito dessas coisas.
O terapeuta identificou com a paciente que o convite da irmã dela para jantar (situação) desencadeava a ideia de que ela não tem mais nada de interessante, já que está desempregada (pensamentos automáticos), o que leva à tristeza e ao isolamento social (comportamento).
Se essa mesma situação (convite da irmã) levasse ao pensamento de que sua irmã gosta de sua companhia, provavelmente o sentimento seria outro. Logo, ao mudar a cognição, pode-se mudar a emoção.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Carolina Blaya Dreher
Alice C. M. Xavier
Pedro Beria