Ver Hipotireoidismo na Categoria “Psicofármacos em doenças e problemas físicos”.
Sobre
O lítio pode inibir a síntese e a liberação dos hormônios da tireoide, em múltiplos passos, diminuindo seus níveis circulatórios; em 30% dos pacientes, ocorre elevação transitória do TSH, podendo também surgir bócio (3%).
Pode, entretanto, ocorrer hipotireoidismo (em 5 a 35% dos pacientes), em geral subclínico. É mais comum em mulheres e em pacientes que, antes do tratamento com lítio, apresentavam anticorpos antitireoidianos. A carbamazepina e a quetiapina também podem alterar os níveis dos hormônios da tireoide.
Manejo
- Durante o uso de lítio, a função tireoidiana deve ser monitorada a cada 6 a 12 meses com dosagens de TSH; pode-se, ainda, realizar previamente dosagem de anticorpos antitireoidianos.
- Pequenos aumentos de TSH em geral não necessitam de tratamento.
- Quando há aumento importante do TSH (> 10 μUI/mL) e/ou sinais e sintomas de hipotireoidismo, como ganho de peso, queda de cabelo, depressão e déficit cognitivo, há indicação de reposição hormonal com levotiroxina. Iniciar com 25 µg/dia. Repetir função tireoidiana após 6 semanas. Aumentar 25 µg a cada 3 a 6 semanas até o TSH normalizar.1
- Reduzir a dose ou suspender o psicofármaco.
- Mesmo com a suspensão do uso de lítio, a função da tireoide pode não voltar ao normal.
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Rexulti® [Bula de medicamento] [internet]. Rio de Janeiro: Lundbeck Brasil; 2020 [capturado em 23 out. 2022] Disponível em: https://bula.gratis/lundbeck_brasil_ltda/1/rexulti/profissional.
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Eduardo Trachtenberg
Deborah Grisolia Fuzina
Everton Silva
Giorgia Lionço Pellini
Giovanni Michele Rech
Pedro Lopes Ritter
Vinicius Martins Costa
Aristides Volpato Cordioli