Psicoterapia nas fobias específicas – Etiologia: Exemplo clínico 1
A., 65 anos, é casada e dona de casa. Procurou tratamento depois de ter ficado muito ansiosa e praticamente entrado em pânico ao assistir a um programa de televisão sobre a tentativa de preservação de uma espécie rara – a ararinha-azul.
Ao ver a imagem do pássaro, de imediato sofreu uma reação que caracterizou como de grande aflição, com aumento dos batimentos cardíacos, suor nas mãos e medo, precisando desligar o aparelho e sair da sala. Esses sintomas só desapareceram por completo algumas horas depois.
Na verdade, ela sempre teve muito medo de pássaros: não pode chegar perto da gaiola e muito menos tocar neles. Esse medo se estende a galinhas, perus, etc.
Jamais foi ao jardim zoológico, não frequenta galeterias ou restaurantes que sirvam pratos à base de frango, pois não come essa carne em hipótese alguma. Não pode tocar em penas ou em objetos que tenham algo a ver com aves, como espanadores, casacos ou travesseiros feitos de penas. Também não pode ver fotografias, folhear revistas ou assistir a filmes que tenham imagens ou que retratem cenas com aves.
A. sente esse medo desde os 4 anos de idade.
Ela se lembra de sua mãe matando galinhas, torcendo o pescoço delas e atirando-as para o lado, no chão, onde ficavam se debatendo por vários minutos. Ficava chocada ao presenciar essas cenas.
Desde então, tem medo de galinhas e, posteriormente, passou a sentir medo de pássaros em geral.
Inclusive, em certas ocasiões, foi surrada pela mãe por se recusar a comer carne de galinha.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Aristides Volpato Cordioli
Cristiano Tschiedel Belem da Silva
Ilana Andretta