Constipação intestinal

Ver também Doença inflamatória intestinal, nesta Seção, e Constipação intestinal em “Efeitos colaterais e seu manejo”.

Sobre

A maioria dos adultos normais experimenta episódios passageiros de constipação quando seus hábitos de vida mudam abruptamente, sendo mais prevalentes em mulheres. A frequência normal de evacuação pode variar de 3 a 12 vezes por semana. O paciente deve ser considerado constipado quando há atraso de dias na defecação e as fezes apresentam-se endurecidas, ressecadas ou exigindo esforço excessivo. A constipação pode ser resultado de repetitivas “evitações” da urgência de evacuar por dificuldades em interromper atividades sociais ou profissionais. Sintomas ansiosos e depressivos são mais frequentes em pacientes constipados quando comparados a controles.

Algumas causas de constipação são dieta inadequada, inatividade física, idade avançada, anormalidades metabólicas, alterações endocrinológicas (hipotireoidismo), problemas no trato gastrintestinal (intestino e reto), condições neurológicas (epilepsia, parkinsonismo, AVC), uso crônico de enemas e medicamentos (analgésicos com codeína, anestésicos, antiácidos com cálcio e alumínio, anti-hipertensivos, agentes β-bloqueadores, diuréticos, sais de ferro, laxantes e catárticos, relaxantes musculares, opioides, diversos psicofármacos, etc.) e intoxicação por metais.

Os medicamentos com ação anticolinérgica, como antidepressivos tricíclicos, IMAOs, antipsicóticos de baixa potência, antipsicóticos atípicos (clozapina, olanzapina) e antiparkinsonianos, podem causar quadros de constipação intestinal graves1 ou piorar uma situação preexistente. Assim, recomenda-se evitar esses fármacos em indivíduos propensos à constipação intestinal e utilizar outras classes de medicamentos, como ISRSs, venlafaxina, mianserina e antipsicóticos de alta potência (haloperidol), sulpirida e amissulprida.

É preciso ter cautela em idosos constipados crônicos sob uso de medicamentos anticolinérgicos, principalmente quando associados, pois esses pacientes, por serem mais sensíveis, podem apresentar complicações graves (íleo paralítico).

Quando, apesar dos riscos, opta-se por utilizar esses fármacos em um paciente com constipação intestinal, deve-se estar atento para possível agravamento da condição e adotar outras medidas, como as descritas a seguir:

  • Dieta: com volume adequado, rica em fibras (farelo de trigo), vegetais crus e frutas (ameixa e figo), ingestão de 6 a 8 copos de água por dia.
  • Restabelecimento de evacuações regulares: agentes catárticos e enemas não devem ser usados para constipações simples, pois interferem nos reflexos intestinais. Caso o paciente seja usuário de longa data dessas medidas, laxativos leves ou enemas podem ser empregados de forma temporária. Granulado de Plantago ovata ou Psyllium podem ser usados indefinidamente.

Laxativos como picossulfato de sódio, de uso temporário para constipação simples, não devem ser usados em pacientes com dor abdominal não diagnosticada ou na suspeita de obstrução intestinal ou impactação fecal. Seu uso crônico interfere na motilidade e nos reflexos intestinais normais, podendo causar um quadro de constipação persistente.

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Xu Y, Amdanee N, Zhang X. Antipsychotic-induced constipation: a review of the pathogenesis, clinical diagnosis, and treatment. CNS Drugs. 2021;35(12):1265-74. PMID [34427901]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Marianna de Abreu Costa | Marianna de Barros Jaeger
Lorenna Sena Teixeira Mendes | Fabiano Gomes
Arthur Ludwig Paim | Tamires Martins Bastos
João Pedro Gonçalves Pacheco | Alice C. M. Xavier
Alessandro Ferroni Tonial | Livia Biason
Ana Laura Walcher | Aristides Volpato Cordioli