Alopecia

Sobre

É a queda de cabelo. Pode ser induzida por fármaco. Manifesta-se em alguns meses após o início do tratamento, geralmente entre 2 semanas e 4 meses, mas com relatos de casos de alopecia começando após 24 meses de uso do fármaco. Costuma ser difusa e é reversível com a suspensão do agente causador.

Está fortemente associada com o uso de estabilizadores do humor, de modo que 20% dos usuários crônicos de lítio referem afinação dos fios de cabelo, e cerca de 10% referem alopecia. O ácido valproico também pode causar alopecia (12 a 24%), apresentando correlação positiva com altas concentrações séricas da substância. Menos comumente existe associação entre alopecia e o uso de lamotrigina e de carbamazepina (até 6%), tiagabina, topiramato, clonazepam, gabapentina, vigabatrina. Há também séries de relatos de casos de queda de cabelo com antidepressivos tricíclicos, ISRSs (sertralina, fluvoxamina, fluoxetina e citalopram), anfetaminas, mirtazapina, venlafaxina, β-bloqueadores, alopurinol, antipsicóticos e levodopa (6%). Há relato de caso de perda de pelos em cílios e sobrancelhas com escitalopram e melhora na troca por sertralina.

Manejo

  • É importante descartar a presença de alterações da tireoide, doenças autoimunes, estresse físico e emocional repentino e problemas hormonais, especialmente em mulheres.
  • Para comprovar o nexo causal, é possível fazer a retirada/troca da medicação e aguardar para verificar a reversão da queda de cabelo. De maneira geral, 1 mês após a retirada ocorre cessação de perda de cabelo.
  • Na alopecia causada pelo ácido valproico, a redução da dose pode ser suficiente. Pode-se utilizar 25 a 50 mg/dia de zinco, 10 a 20 µg/dia de selênio e 10 mg/dia de biotina; contudo, essas medidas necessitam de comprovação de sua eficácia. A formulação com liberação lenta de ácido valproico parece minimizar o potencial para alopecia.
  • Embora sem comprovação de eficácia neste cenário, ao utilizar ácido valproico em pacientes com síndrome dos ovários policísticos e manifestação de queda de cabelo e acne, considerar consulta com ginecologista para uso de anticoncepcionais à base de ciproterona ou drospirenona.
  • Nos demais psicofármacos, pensar na possibilidade de troca por outro. Quanto aos antidepressivos, em relatos de casos houve melhora mesmo com a troca por um fármaco de mesma classe (p. ex., fluoxetina por citalopram).
  • O minoxidil 5%, de uso tópico, pode ser utilizado como tratamento, embora não tenha sido estudado sistematicamente para esse propósito.

Referência

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Eduardo Trachtenberg
Deborah Grisolia Fuzina
Everton Silva
Giorgia Lionço Pellini
Giovanni Michele Rech
Pedro Lopes Ritter
Vinicius Martins Costa
Aristides Volpato Cordioli