Hiperprolactinemia

Sobre

Os antipsicóticos típicos e muitos dos atípicos (especialmente risperidona, paliperidona, amissulprida e sulpirida), quando administrados por tempo prolongado e em doses elevadas, causam hiperprolactinemia por bloqueio dos receptores D2 na via tuberoinfundibular. Dessa forma, podem provocar dor e aumento no volume dos seios, amenorreia, galactorreia, mastodinia, anorgasmia e diminuição da libido. Cronicamente, pode levar à osteoporose, à fratura no quadril, à infertilidade e, possivelmente, a câncer de mama. O aumento da prolactina é um efeito adverso dose-dependente.

Alguns antipsicóticos, principalmente o aripiprazol e a asenapina, têm um efeito oposto, reduzem as concentrações de prolactina. A clozapina e a quetiapina têm efeito, em geral, neutro, enquanto a olanzapina apresenta dados contraditórios. Outros psicofármacos também podem causar hiperprolactinemia, ainda que menos frequentemente: antidepressivos tricíclicos, ISRSs (fluvoxamina, citalopram, fluoxetina e paroxetina), venlafaxina, carbamazepina e ácido valproico.

Manejo

  • Diminuir a dose do psicofármaco pode ser suficiente.
  • No caso da necessidade de manter o uso de antipsicótico, pode-se tentar trocar por um neuroléptico com menor efeito sobre as concentrações de prolactina.
  • Usar concomitantemente aripiprazol (3 a 20 mg/dia) pode reduzir as concentrações de prolactina.1,2
  • Caso as sugestões de manejo anteriores não resolvam a situação, pode-se tentar o uso cauteloso de agonistas dopaminérgicos, que podem precipitar psicose, por isso requerem monitoramento cuidadoso: amantadina (100 a 300 mg/dia), pramipexol (< 1 mg/dia), bromocriptina (2,5 a 10 mg/dia) e cabergolina (0,125 a 0,25 mg/dia). Esta é mais bem tolerada e tem menor impacto sobre triglicerídeos e resistência à insulina, quando comparada com a bromocriptina.1
  • Trocar a paliperidona ou a risperidona oral pela apresentação injetável de longa ação pode reduzir significativamente a concentração sérica.3
  • Se o responsável for um antidepressivo, substituir por aqueles com menor risco de hiperprolactinemia, como sertralina ou duloxetina.1
  • Descartar gravidez.
  • Nos casos de suspeita de concentrações extremamente elevadas de prolactina, principalmente acima de 100 mg/dL, solicitar avaliação com especialista e/ou exame de imagem para diagnóstico diferencial.4

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Kraemer M, Uekermann J, Wiltfang J, Kis B. Methylphenidate-induced psychosis in adult attentiondeficit/hyperactivity disorder: report of 3 new cases and review of the literature. Clin Neuropharmacol. 2010;33(4):204-6. PMID [20571380]
  2. Pejovic S, Vgontzas AN, Basta M, Tsaoussoglou M, Zoumakis E, Vgontzas A, et al. Leptin and hunger levels in young healthy adults after one night of sleep loss. J Sleep Res. 2010;19(4):552-8. PMID [20545838]
  3. Chen CK, Huang YS, Ree SC, Hsiao CC. Differential add-on effects of aripiprazole in resolving hyperprolactinemia induced by risperidone in comparison to benzamide antipsychotics. Progress Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry. 2010;34(8):1495-9. PMID [20732372]
  4. Rexulti® [Bula de medicamento] [internet]. Rio de Janeiro: Lundbeck Brasil; 2020 [capturado em 23 out. 2022] Disponível em: https://bula.gratis/lundbeck_brasil_ltda/1/rexulti/profissional.

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Eduardo Trachtenberg
Deborah Grisolia Fuzina
Everton Silva
Giorgia Lionço Pellini
Giovanni Michele Rech
Pedro Lopes Ritter
Vinicius Martins Costa
Aristides Volpato Cordioli