Sobre
A dermatite esfoliativa, também chamada de eritrodermia, caracteriza-se por eritema difuso e descamação extensa. É um padrão de manifestação cutânea decorrente de uma série de doenças subjacentes. É um quadro raro, acometendo cerca de 1 a 2 pacientes a cada 100.000, mas potencialmente fatal, necessitando de identificação da etiologia subjacente e de tratamento imediatos.1
As causas mais comuns de dermatite esfoliativa são condições dermatológicas preexistentes, como psoríase, dermatoses eczematosas, lúpus cutâneo, entre outras. A segunda causa mais frequente é o uso de fármacos, e a terceira, alguma malignidade subjacente, como linfoma cutâneo de células T, leucemia linfocítica crônica de células B e tumores de órgãos sólidos. Até 50% dos pacientes terão causa idiopática.2
Manifesta-se por manchas vermelhas brilhantes que coalescem para cobrir quase toda a superfície da pele, seguidas pelo aparecimento de uma escama branca ou amarela. O paciente pode queixar-se de pele tensa devido à liquenificação progressiva e edema. O prurido ocorre em quase todos os pacientes e a febre costuma estar presente. Linfadenopatia, esplenomegalia e hepatomegalia podem estar presentes em quase metade dos pacientes. Exames laboratoriais podem evidenciar anemia, leucocitose, eosinofilia e aumento de proteína C-reativa.1,2
O início mais rápido das lesões, a ausência de história pregressa de doença de pele e a história de introdução de medicamentos nas últimas 2 a 5 semanas devem levar à suspeita de etiologia medicamentosa. Os psicofármacos mais associados ao quadro são amitriptilina, bupropiona, carbamazepina, diazepam, desipramina, fenobarbital, fenitoína, fenotiazinas (como clorpromazina, tioriodazina), imipramina, lamotrigina, lítio e trazodona. Contudo, há relatos de casos com quase todas as classes de antidepressivos, com aripiprazol e com quetiapina. Os β-bloqueadores também podem ser uma etiologia.2,3
O tratamento envolve medidas de suporte metabólico e hemodinâmico, com repouso no leito e cuidados com as feridas. Anti-histamínicos orais podem ser úteis, e infecção secundária justifica antibioticoterapia. Uma vez identificado, o processo da doença subjacente requer tratamento adequado.1
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Austad SS, Athalye L. Exfoliative dermatitis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island: StatPearls; 2022 [capturado em 05 jan. 2023]. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554568/.
- Erythroderma [Internet]. DynaMed; 2022 [capturado em 05 jan. 2023]. Disponível em: https://www.dynamed.com/condition/erythroderma#.
- Mitkov MV, Trowbridge RM, Lockshin BN, Caplan JP. Dermatologic side effects of psychotropic medications. Psychosomatics. 2014;55(1):1-20. PMID [24099686]
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Marianna de Abreu Costa | Marianna de Barros Jaeger
Lorenna Sena Teixeira Mendes | Fabiano Gomes
Arthur Ludwig Paim | Tamires Martins Bastos
João Pedro Gonçalves Pacheco | Alice C. M. Xavier
Alessandro Ferroni Tonial | Livia Biason
Ana Laura Walcher | Aristides Volpato Cordioli