Blonanserina

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Lonasen® (Nitto Denko Corporation)
  • Similar: não disponível
  • Genérico: não disponível

Apresentações: Este medicamento não possui registro válido no Brasil. Consultar condições para importação. Medicamento comercializado no Japão e na Correia

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Antipsicótico atípico (antagonista da serotonina e da dopamina; antipsicótico de segunda geração; também um potencial estabilizador do humor)

Comumente prescrita para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Esquizofrenia
  • Mania aguda/mania mista
  • Outros transtornos psicóticos
  • Manutenção bipolar
  • Depressão bipolar
  • Depressão resistente ao tratamento
  • Transtornos comportamentais em demência
  • Transtornos comportamentais em crianças e adolescentes
  • Transtornos associados a problemas com o controle dos impulsos

Principais sintomas-alvo

  • Sintomas positivos de psicose
  • Sintomas negativos de psicose
  • Sintomas cognitivos
  • Humor instável (depressão e mania)
  • Sintomas agressivos

Como a substância atua

  • Bloqueia os receptores de dopamina 2, reduzindo os sintomas positivos de psicose e estabilizando os sintomas afetivos
  • Bloqueia os receptores de serotonina 2A, causando aumento da liberação de dopamina em certas regiões do cérebro e, assim, reduzindo os efeitos colaterais motores e possivelmente melhorando a cognição e os sintomas afetivos
  • Teoricamente, as ações nos receptores de dopamina 3 podem contribuir para a eficácia de blonanserina

Tempo para início da ação

  • Os sintomas psicóticos podem melhorar dentro de 1 semana, mas pode levar várias semanas para efeito completo no comportamento e na cognição
  • Classicamente recomendado esperar pelo menos de 4 a 6 semanas para determinar a eficácia da substância, mas, na prática, alguns pacientes podem precisar de até 16 a 20 semanas para apresentar uma boa resposta, especialmente no comprometimento cognitivo e resultados funcionais

Se funcionar

  • Na maioria das vezes, reduz os sintomas positivos, mas não os elimina
  • Pode melhorar os sintomas negativos, bem como os sintomas agressivos, cognitivos e afetivos na esquizofrenia
  • A maioria dos pacientes com esquizofrenia não tem remissão total dos sintomas, mas uma redução de aproximadamente um terço
  • Talvez de 5 a 15% dos pacientes com esquizofrenia experimentem uma melhora global de mais de 50 a 60%, especialmente ao receber tratamento estável por mais de 1 ano
  • Tais pacientes são considerados super-respondedores ou “awakeners”, uma vez que podem ficar suficientemente bem para obter emprego, viver de forma independente e manter relações de longa duração
  • Continuar o tratamento até atingir um platô de melhora
  • Depois de atingir um platô satisfatório, continuar o tratamento por no mínimo 1 ano após o primeiro episódio de psicose
  • Para segundo episódio de psicose e episódios subsequentes, poderá ser necessário continuar o tratamento por tempo indefinido
  • Mesmo para primeiros episódios de psicose, pode ser preferível continuar o tratamento

Se não funcionar

  • Tentar outro antipsicótico atípico (risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprazidona, aripiprazol, paliperidona, asenapina, iloperidona, lurasidona, amissulprida)
  • Se 2 ou mais monoterapias antipsicóticas não funcionarem, considerar clozapina
  • Alguns pacientes podem requerer tratamento com um antipsicótico convencional
  • Se nenhum antipsicótico de primeira linha for efetivo, considerar doses mais altas ou potencialização com valproato ou lamotrigina
  • Levar em consideração a não adesão e trocar por outro antipsicótico com menos efeitos colaterais ou por antipsicótico que possa ser administrado por injeção depot
  • Considerar o início de reabilitação e psicoterapia, como a remediação cognitiva
  • Considerar abuso de substância concomitante

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Ácido valproico (valproato, divalproex, divalproex XR)
  • Anticonvulsivantes estabilizadores do humor (carbamazepina, oxcarbazepina, lamotrigina)
  • Lítio
  • Benzodiazepínicos

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • 8 a 16 mg/dia divididos em 2 doses

Como dosar

  • Dose inicial de 8 mg/dia divididos em 2 doses; dose de manutenção de 8 a 16 mg/dia divididos em 2 doses; dose máxima de 24 mg/dia
  • A blonanserina deve ser tomada após uma refeição, pois as concentrações máximas são aumentadas quando o paciente está alimentado; entretanto, como o aumento na exposição sistêmica continua até pelo menos 4 horas após a ingestão alimentar, a blonanserina pode ser tomada antes da hora de dormir

Dicas para dosagem

  • Iniciar com dosagem de 2 vezes ao dia; depois de estabilizados, alguns pacientes respondem bem com uma dose dada à noite

Overdose

  • Dados limitados

Uso prolongado

  • Não estudado exaustivamente depois de 56 semanas, mas com frequência é necessário tratamento de manutenção de longo prazo para esquizofrenia
  • A utilidade no longo prazo deve ser reavaliada periodicamente em pacientes individuais, mas o tratamento poderá precisar ser continuado por muitos anos em pacientes com esquizofrenia

Formação de hábito

  • Não

Como interromper

  • Titulação descendente, em especial quando iniciar simultaneamente um novo antipsicótico enquanto é feita a troca (i.e., titulação cruzada)
  • A descontinuação rápida pode teoricamente levar a psicose de rebote e piora dos sintomas

Farmacocinética

  • Meia-vida de eliminação de 10 a 16 horas depois de dose única
  • Metabolizado por CYP450 3A4

Mecanismos de interações medicamentosas

  • Indutores de CYP450 3A4, como carbamazepina, podem reduzir os níveis plasmáticos de blonanserina
  • Inibidores de CYP450 3A4, como cetoconazol, nefazodona, fluvoxamina e fluoxetina, podem aumentar os níveis plasmáticos de blonanserina
  • Pode aumentar os efeitos de agentes anti-hipertensivos
  • Pode antagonizar levodopa, agonistas dopaminérgicos

Outras advertências/precauções

  • Utilizar com cautela em pacientes com condições que predispõem a hipotensão (desidratação, calor excessivo)
  • Disfagia foi associada ao uso de antipsicótico, e a blonanserina deve ser utilizada com cautela em pacientes com risco de pneumonia por aspiração

Não usar

  • Em conjunto com adrenalina/epinefrina
  • Se o paciente estiver tomando cetoconazol
  • Se houver uma alergia comprovada a blonanserina

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Pode ser útil quando outros antipsicóticos falharam em oferecer resposta adequada ou não foram tolerados

Potenciais desvantagens

  • Pacientes que requerem dosagem 1 vez ao dia desde o início do tratamento
  • Pacientes que requerem administração intramuscular

Dicas

  • Perfil de ligação relativamente seletivo
  • Não aprovado para mania, mas quase todos os antipsicóticos atípicos aprovados para tratamento agudo de esquizofrenia também se mostraram efetivos no tratamento agudo de mania

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Deeks ED, Keating GM. Blonanserin. A review of its use in the management of schizophrenia. CNS Drugs 2010;24(1):65–84.

Hida H, Mouri A, Mori K, et al. Blonanserin ameliorates phencyclidine-induced visual-recognition memory deficits: the complex mechanism of blonanserin action involving D3-5-HT2A and D1-NMDA receptors in the mPFC. Neuropsychopharmacology 2015;40(3):601–13.

Kishi T, Matsuda Y, Nakamura H, Iwata N. Blonanserin for schizophrenia: a systematic review and meta-analysis of double-blind, randomized, controlled trials. J Psychiatr Res 2013;47(2):149–54.

Yang J, Bahk WM, Cho HS, et al. Efficacy and tolerability of blonanserin in the patients with schizophrenia: a randomized, double-blind, risperidone-compared trial. Clin Neuropharmacol 2010;33(4):169–75.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl