Benzotropina

Ver também

Terapêutica

Nomes comerciais:

  • Referência: Cogentin® (Oak Pharmaceutical)
  • Similar: não disponível
  • Genérico: não disponível

Apresentações: Este medicamento não apresenta registro válido no Brasil. Consultar condições para importação.

Apresentações disponíveis:

  • Comprimido de 0,5 mg; 1 mg e 2mg
  • Solução injetável de 1 mg/mL

Nota: Informações sobre nomes comerciais e apresentações atualizadas em abril de 2021.*

Classe

  • Agente antiparkinsoniano; anticolinérgico

Comumente prescrita para

(em negrito, as aprovações da FDA)

  • Transtornos extrapiramidais
  • Parkinsonismo
  • Reações distônicas agudas
  • Distonia idiopática generalizada
  • Distonias focais
  • Distonia responsiva a dopa

Principais sintomas-alvo

  • Tremor, acinesia, rigidez, sialorreia

Como a substância atua

  • Diminui o excesso de atividade da acetilcolina causado pela remoção da inibição da dopamina quando os receptores dopaminérgicos são bloqueados
  • Também pode inibir a recaptação e armazenamento da dopamina nos receptores dopaminérgicos centrais, prolongando a ação dopaminérgica

Tempo para início da ação

  • Para transtornos extrapiramidais e parkinsonismo, o início da ação pode ser dentro de minutos ou horas

Se funcionar

  • Reduz os efeitos colaterais motores
  • Não diminui a capacidade dos antipsicóticos de causar discinesia tardia

Se não funcionar

  • Considerar troca por triexifenidil, difenidramina ou um benzodiazepínico
  • Os transtornos que se desenvolvem depois do uso prolongado de um antipsicótico podem não responder ao tratamento
  • Considerar a descontinuação do agente que precipitou o efeito colateral extrapiramidal

Melhores combinações de potencialização para resposta parcial ou resistência ao tratamento

  • Se ineficaz, trocar por outro agente em vez de acrescentar
  • Benzotropínico é, por si mesmo, um agente de acréscimo para antipsicóticos

Dosagem e uso

Variação típica da dose

  • Transtornos extrapiramidais: 2 a 8 mg/dia
  • Parkisonismo: 0,5 a 6 mg/dia

Como dosar

  • Transtornos extrapiramidais: de 1 a 4 mg 1 ou 2 vezes ao dia; pode ser dada por via oral ou parenteral
  • Parkisonismo (oral): dose inicial de 0,5 mg 1 vez ao dia; aumentar 0,5 mg em intervalos de 5 a 6 dias até que seja alcançada a eficácia desejada

Dicas para dosagem

  • Se ocorrer efeito colateral extrapiramidal induzido por substância logo após o início de um neuroléptico, provavelmente será transitório; assim, tentar retirar a benzotropina depois de 1 a 2 semanas para determinar se ainda é necessária
  • Os pacientes podem tomar benzotropina 1 vez por dia à noite para melhorar o sono e permitir que levantem cedo pela manhã
  • Tomar benzotropina com as refeições pode reduzir os efeitos colaterais
  • Dosagens intramuscular e intravenosa são igualmente efetivas e de ação rápida

Overdose

  • Colapso circulatório, parada cardíaca, depressão ou parada respiratória, psicose, choque, coma, convulsão, ataxia, combatividade, anidrose e hipertermia, febre, disfagia, diminuição dos ruídos intestinais, pupilas pouco reativas

Uso prolongado

  • Seguro
  • A eficácia pode diminuir com o tempo (anos), e efeitos colaterais como sedação e comprometimento cognitivo podem piorar

Formação de hábito

  • Não

Como interromper

  • Não é necessário reduzir a dose gradualmente

Farmacocinética

  • Meia-vida de 36 horas, embora o maior efeito dure cerca de 6 a 8 horas
  • O metabolismo não é bem entendido

Mecanismos de interações medicamentosas

  • O uso com amantadina pode aumentar os efeitos colaterais
  • A benzotropina e todos os outros agentes anticolinérgicos podem aumentar os níveis séricos e os efeitos da digoxina
  • Pode diminuir a concentração de haloperidol e outras fenotiazinas, causando piora dos sintomas de esquizofrenia
  • Pode reduzir a motilidade gástrica, resultando em aumento da desativação gástrica de levodopa e redução na eficácia

Outras advertências/precauções

  • Usar com cautela em temperatura quente, pois a benzotropina pode aumentar a suscetibilidade a insolação
  • Agentes anticolinérgicos têm efeitos aditivos quando utilizados com substâncias de abuso como canabinoides, barbitúricos, opioides e álcool

Não usar

  • Em pacientes com glaucoma, particularmente o de ângulo fechado
  • Em pacientes com obstrução pilórica ou duodenal, úlceras pépticas estenosantes, hipertrofia da próstata ou obstruções do colo vesical, acalasia ou megacólon
  • Se houver uma alergia comprovada a benzotropina

Potenciais vantagens e desvantagens

Potenciais vantagens

  • Transtornos extrapiramidais relacionados ao uso de antipsicóticos, particularmente em contexto agudo

Potenciais desvantagens

  • Pacientes com transtornos extrapiramidais de longa duração podem não responder ao tratamento
  • Distonias generalizadas (menos estabelecida como tratamento do que triexifenidil)

Dicas

  • Agente de primeira linha para transtornos extrapiramidais relacionados ao uso de antipsicóticos
  • Adjunto útil em pacientes mais jovens com doença de Parkinson com tremor, mas triexifenidil é mais comumente usado
  • Útil no tratamento de doença de Parkinson pós-encefálica e para reações extrapiramidais, exceto discinesias tardias
  • Pacientes com doença de Parkinson pós-encefálica normalmente toleram melhor doses mais altas do que aqueles com doença de Parkinson idiopática
  • Distonias generalizadas são mais prováveis de se beneficiar com terapia anticolinérgica do que distonias focais; o triexifenidil é usado mais comumente do que benzotropina
  • A sedação limita o uso, especialmente em pacientes mais velhos
  • Pacientes com comprometimento cognitivo podem apresentar resposta pior
  • Pode causar efeitos colaterais cognitivos com o uso crônico, portanto tentativas periódicas de descontinuação podem ser úteis para justificar o uso contínuo, especialmente em ambientes institucionais quando utilizada como um adjunto para antipsicóticos
  • Pode ser abusada em ambientes institucionais ou correcionais
  • Comumente utilizada em formulação oral ou intramuscular, quando necessário, com antipsicóticos concomitantes, para reduzir ou prevenir efeitos colaterais extrapiramidais

Referência

Conteúdo originalmente publicado em: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Leituras sugeridas

Brocks DR. Anticholinergic drugs used in Parkinson’s disease: an overlooked class of drugs from a pharmacokinetic perspective. J Pharm Pharm Sci 1999;2(2):39–46.

Colosimo C, Gori MC, Inghilleri M. Postencephalitic tremor and delayed-onset parkinsonism. Parkinsonism Relat Disord 1999;5(3):123–4.

Costa J, Espírito-Santo C, Borges A, et al. Botulinum toxin type A versus anticholinergics for cervical dystonia. Cochrane Database Syst Rev 2005;(1):CD004312.

Hai NT, Kim J, Park ES, Chi SC. Formulation and biopharmaceutical evaluation of transdermal patch containing benztropine. Int J Pharm 2008;357(1–2):55–60.

*Revisão dos nomes comerciais e apresentações

Felipe Mainka

Autores

Stephen M. Stahl