Delirium

Transtornos Neurocognitivos

  1. Perturbação da atenção (i.e., capacidade reduzida para direcionar, focalizar, manter e mudar a atenção) acompanhada por uma consciência reduzida do ambiente.
  2. A perturbação se desenvolve em um período breve de tempo (normalmente de horas a poucos dias), representa uma mudança da atenção e da consciência basais e tende a oscilar quanto à gravidade ao longo de um dia.
  3. Perturbação adicional na cognição (p. ex., déficit de memória, desorientação, linguagem, capacidade visuoespacial ou percepção).
  4. As perturbações dos Critérios A e C não são mais bem explicadas por outro transtorno neurocognitivo preexistente, estabelecido ou em desenvolvimento e não ocorrem no contexto de um nível gravemente diminuído de estimulação, como no coma.
  5. Há evidências a partir da história, do exame físico ou de achados laboratoriais de que a perturbação é uma consequência fisiológica direta de outra condição médica, intoxicação ou abstinência de substância (i.e., devido a uma droga de abuso ou a um medicamento), de exposição a uma toxina ou de que ela se deva a múltiplas etiologias.

Especificar se:

Agudo: Duração de poucas horas a dias.

Persistente: Duração de semanas ou meses.

Especificar se:

Hiperativo: O indivíduo tem um nível hiperativo de atividade psicomotora que pode ser acompanhado de oscilação de humor, agitação e/ou recusa a cooperar com os cuidados médicos.

Hipoativo: O indivíduo tem um nível hipoativo de atividade psicomotora que pode estar acompanhado de lentidão e letargia que se aproxima do estupor.

Nível misto de atividade: O indivíduo tem um nível normal de atividade psicomotora mesmo com perturbação da atenção e da percepção. Inclui ainda pessoas cujo nível de atividade oscila rapidamente.

Determinar o subtipo:

Delirium por intoxicação por substância: Este diagnóstico deve ser feito em vez do diagnóstico de intoxicação por substância quando predominarem os sintomas dos Critérios A e C no quadro clínico e quando forem suficientemente graves para justificar atenção clínica.

Nota para codificação: Os códigos da CID-10-MC para delirium por intoxicação por [substância específica] são indicados na tabela a seguir. Observar que o código da CID-10-MC depende de existir ou não transtorno comórbido por uso de substância presente para a mesma classe de substância. Se um transtorno leve por uso de substância é comórbido com o delirium por intoxicação por substância, o número da 4ª posição é “1”, e o clínico deve registrar “transtorno por uso de [substância], leve” antes de delirium por intoxicação por substância (p. ex., “transtorno por uso de cocaína, leve com delirium por intoxicação por cocaína”). Se um transtorno moderado a grave por uso de substância for comórbido com delirium por intoxicação por uso de substância, o número da 4ª posição é “2”, e o clínico deve registrar “transtorno por uso de [substância], moderado”, ou “transtorno por uso de [substância], grave”, dependendo da gravidade do transtorno comórbido por uso de substância. Não existindo transtorno comórbido por uso de substância (p. ex., após uso único e exagerado da substância), o número da 4ª posição é “9”, e o clínico deve registrar somente o delirium por intoxicação por substância.

Delirium por intoxicação por substância

CID-10-MC

Álcool

  • Com transtorno por uso, leve: F10.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F10.221
  • Sem transtorno por uso: F10.921

Cannabis

  • Com transtorno por uso, leve: F12.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F12.221
  • Sem transtorno por uso: F12.921

Fenciclidina

  • Com transtorno por uso, leve: F16.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F16.221
  • Sem transtorno por uso: F16.921

Outro alucinógeno

  • Com transtorno por uso, leve: F16.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F16.221
  • Sem transtorno por uso: F16.921

Inalante

  • Com transtorno por uso, leve: F18.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F18.221
  • Sem transtorno por uso: F18.921

Opioide

  • Com transtorno por uso, leve: F11.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F11.221
  • Sem transtorno por uso: F11.921

Sedativo, hipnótico ou ansiolítico

  • Com transtorno por uso, leve: F13.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F13.221
  • Sem transtorno por uso: F13.921

Substância tipo anfetamina (ou outro estimulante)

  • Com transtorno por uso, leve: F15.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F15.221
  • Sem transtorno por uso: F15.921

Cocaína

  • Com transtorno por uso, leve: F14.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F14.221
  • Sem transtorno por uso: F14.921

Outra substância (ou substância desconhecida)

  • Com transtorno por uso, leve: F19.121
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F19.221
  • Sem transtorno por uso: F19.921

Delirium por abstinência de substância: Este diagnóstico deve ser feito em vez de abstinência de substância quando os sintomas dos Critérios A e C predominarem no quadro clínico e quando forem suficientemente graves para justificar atenção clínica.

Nota para codificação: Os códigos CID-10-MC para o delírio por abstinência de [substância específica] são indicados na tabela a seguir. Observar que o código da CID-10-MC depende de haver ou não transtorno comórbido por uso de substância presente para a mesma classe de substância. Se um transtorno leve por uso de substância é comórbido com o delirium por abstinência de substância, o número da 4ª posição é “1”, e o clínico deve registrar “transtorno por uso de [substância], leve” antes do delirium por abstinência de substância (p. ex., “transtorno por uso de álcool, leve com delirium por abstinência alcoólica”). Se um transtorno moderado a grave por uso de substância for comórbido com delirium por intoxicação por uso de substância, o número da 4ª posição é “2”, e o clínico deve registrar “transtorno por uso de [substância], moderado”, ou “transtorno por uso de [substância], grave”, dependendo da gravidade do transtorno comórbido por uso de substância. Se não houver transtorno comórbido por uso de substância (p. ex., após o uso regular de uma substância ansiolítica tomada conforme prescrição), então o número da 4ª posição é “9”, e o clínico deve registrar apenas o delirium por abstinência de substância.

Delirium por abstinência de substância

CID-10-MC

Álcool

  • Com transtorno por uso, leve: F10.131
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F10.231
  • Sem transtorno por uso: F10.931

Opioide

  • Com transtorno por uso, leve: F11.188
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F11.288
  • Sem transtorno por uso: F11.988

Sedativo, hipnótico ou ansiolítico

  • Com transtorno por uso, leve: F13.131
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F13.231
  • Sem transtorno por uso: F13.931

Outra substância (ou substância desconhecida)

  • Com transtorno por uso, leve: F19.131
  • Com transtorno por uso, moderado ou grave: F19.231
  • Sem transtorno por uso: F19.931

Delirium induzido por medicamento: Este diagnóstico é aplicável quando os sintomas dos Critérios A e C aparecem como efeito colateral de um medicamento tomado conforme prescrição.

Código para delirium induzido por [medicamento específico]: F11.921 opioide tomado conforme prescrição (ou F11.988 se durante a abstinência do opioide tomado conforme prescrito); F12.921 agonista do receptor de Cannabis farmacêutico tomado conforme prescrição; F13.921 sedativo, hipnótico ou ansiolítico tomado conforme prescrição (ou F13.931 se durante a abstinência de sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos tomados conforme prescrito); F15.921 substância do tipo anfetamina ou outro estimulante tomado conforme prescrição; F16.921 cetamina ou outro alucinógeno tomado conforme prescrição ou por razões médicas; F19.921 para medicamentos que não se enquadram em nenhuma das classes (p. ex., dexametasona) e nos casos em que uma substância é considerada um fator etiológico, mas a classe específica da substância é desconhecida (ou F19.931 se durante a abstinência de medicamentos que não se enquadram em nenhuma das classes, tomados conforme prescrição).

F05 Delirium devido a outra condição médica: Há evidências a partir da história, do exame físico ou de achados laboratoriais de que a perturbação é atribuível às consequências fisiológicas de outra condição médica.

Nota para codificação: Incluir o nome da outra condição médica no nome do delirium (p. ex., F05 delirium devido a encefalopatia hepática). A outra condição médica também deve ser codificada e listada em separado, imediatamente antes do delirium devido a outra condição médica (p. ex., K76.82 encefalopatia hepática; F05 delirium devido a encefalopatia hepática).

F05 Delirium devido a múltiplas etiologias: Há evidências da história, do exame físico ou de achados laboratoriais de que o delirium tem mais de uma etiologia (p. ex., mais de uma condição médica etiológica; outra condição médica mais intoxicação por substância ou efeito colateral de medicamento).

Nota para codificação: Usar múltiplos códigos separados que reflitam etiologias específicas de delirium (p. ex., K76.82 encefalopatia hepática; F05 delirium devido a falha hepática; F10.231 transtorno por uso de álcool grave, com delirium devido a abstinência de álcool). Observar que a condição médica etiológica aparece como um código separado que antecede o código do delirium e é substituído por delirium devido a condição médica de outra rubrica.

Procedimentos para Registro

Delirium por intoxicação por substância

O nome do delirium por intoxicação por substância/medicamento termina com a substância específica (p. ex., cocaína) supostamente causadora do delirium. O código diagnóstico é escolhido na tabela incluída no conjunto de critérios, com base na classe da substância e na presença ou ausência de um transtorno comórbido por uso de substância. No caso de substâncias que não se enquadram em nenhuma classe (p. ex., dexametasona), o código para “outra substância” deve ser usado; e, nos casos em que se acredita que uma substância seja o fator etiológico, embora sua classe específica seja desconhecida, deve ser usada a categoria “substância desconhecida”.

Ao registrar o nome do transtorno, o transtorno comórbido por uso de substância (se houver) é listado primeiro, seguido da palavra “com”, seguida do nome do delirium por intoxicação por substância, seguido do curso (i.e., agudo, persistente), seguido do especificador indicando o nível de atividade psicomotora (i.e., nível de atividade hiperativo, hipoativo, misto). Por exemplo, no caso de delirium por intoxicação hiperativa aguda que ocorre em um homem com um transtorno por uso de cocaína, grave, o diagnóstico é F14.221 transtorno por uso de cocaína, grave com delirium por intoxicação por cocaína, agudo e hiperativo. Não é feito um diagnóstico separado de transtorno comórbido e grave por intoxicação por cocaína. Se o delirium por intoxicação ocorre sem transtorno por uso de substância comórbido (p. ex., após uso pesado e único da substância), não é registrado transtorno comórbido por uso de substância (p. ex., F16.921 delirium por intoxicação por fenciclidina, agudo e hipoativo).

Delirium por abstinência de substância

O nome do delirium devido a abstinência de substância termina com a substância específica (p. ex., álcool) supostamente causadora do delirium devido a abstinência. O código diagnóstico é escolhido entre os códigos específicos para substâncias, incluídos na nota para codificação, que é parte do conjunto de critérios. Ao registrar o nome do transtorno, é listado primeiro o transtorno comórbido moderado ou grave devido a uso de substância (se houver), seguido da palavra “com”, seguida de delirium devido a abstinência de substância, seguido do curso (i.e., agudo, persistente), seguido do especificador indicativo do nível de atividade psicomotora (i.e., hiperativo, hipoativo, misto). Por exemplo, no caso de delirium devido a abstinência agudo e hiperativo que ocorre em um homem com um transtorno grave devido a uso de álcool, o diagnóstico é F10.231 transtorno grave devido a uso de álcool, com delirium devido a abstinência de álcool, agudo e hiperativo. Não é feito um diagnóstico separado de transtorno comórbido e grave devido a uso de álcool.

Delirium induzido por medicamento

O nome do delirium induzido por medicamento termina com a substância específica (p. ex., dexametasona) supostamente causadora do delirium. O nome do transtorno é seguido do curso (i.e., agudo, persistente), seguido do especificador indicativo do nível de atividade psicomotora (i.e., hiperativo, hipoativo, misto). Por exemplo, no caso de delirium induzido por medicamento agudo e hiperativo que ocorre em um homem que usa dexametasona conforme prescrição, o diagnóstico é F19.921 delirium induzido por dexametasona, agudo e hiperativo.

Referência

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Referência Rápida aos Critérios Diagnósticos do DSM 5-TR. 5.ed. Revis. Porto Alegre: Artmed, 2023.